domingo, 2 de fevereiro de 2025

Nadando em Energia

 

Nadando em Energia 

(“Energy Revelry” - This text is written in a way to ease comprehensive electronic translation)

 

Klaus H. G. Rehfeldt

 

Não há vida sem energia. E não falamos da energia gravitacional onipresente quando matéria atrai matéria na razão direta das massas e na razão inversa do quadrado das distâncias (I. Newton). Falamos da energia gerada por todos os corpos vivos, seja da flora, seja da fauna, da energia que permite aos micro-organismos movimentar-se nos oceanos, a trepadeira subindo o pé de árvore ou o lobo caçando na floresta. Mas também do homem que malha o ferro em brasa, que semeia o trigo ou que projeta uma exploração espacial.

 

Desde seus primórdios, o homem tentou direcionar suas energias a algo que facilitasse sua vida. Fosse na construção de abrigo, na produção de ferramentas e armas, o homem acabou por descobrir formas e instrumentos que lhe permitissem usar seu potencial energético de maneira mais eficiente. Afinal, ele só podia contar com a energia de seu próprio corpo, na melhor das hipóteses em cooperação com outros indivíduos.

 

Surgem daí algumas ferramentas rudimentares, da limpeza da terra à semeadura e à colheita, às vezes incluindo a criação e operação de sistemas de irrigação. Isso requeria que toda a família trabalhasse, as vezes duramente, para alcançar o sustento necessário. A primeira utilização de energia alheia resultou da domesticação de alguns animais, especialmente dos bovinos.

 

Nem sempre instrumentos e armas serviam apenas para fins pacíficos. A subjugação de outras sociedades por meios belicosos, visando a apropriação de bens alheios não era incomum. E esses bens alheios incluíam a própria energia humana dos vencidos, transformando-os em escravos. Com isso, o potencial energético de um povo podia aumentar expressivamente. Em tempos mais recentes, a população escrava do Império Romano era de cerca de cinco milhões de pessoas, o que correspondia a 10-15% da população total. Os escravos eram usados principalmente na agricultura e nas minas, mas também havia escravos que trabalhavam como médicos ou arquitetos.

 

A moral cristã da idade média causou um retorno, quando a disponibilidade da energia corporal voltou a predominar, entretanto assistida pela força animal, seja no campo, seja na circulação produtos, e pelo aproveitamento da força da água e do vento para moer grãos e executar outras tarefas.

 

Então chegou a revolução energética e industrial. Máquinas a vapor tocaram processos produtivos, seja de extração de matéria prima, seja de transformação de materiais em produtos e da circulação dos mesmos. Gradualmente, ao longo de dois séculos de industrialização e explosão tecnológica desenvolveram-se para atingir a realidade atual.

 

Qual é essa realidade especificamente no caso brasileiro. Em 2023, o consumo de energia elétrica no Brasil foi de 532 TWh, ou seja, 532 trilhões de quilowatt/hora (kWh). Isso significa que cada brasileiro consome hoje, direta ou indiretamente, 2.570 milhões de kWh ao longo do ano, ou seja, 7.041 kWh por dia. Isso é muito? Não quando vemos um consumo 5,1 vezes maior nos Estados Unidos, e 2,5 vezes maior na China.   

 

O ‘indiretamente’ significa a produção de todos os bens e serviços extraídos, transformados e fabricados, que são consumidos por pessoa, ou habitante brasileiro, num amplo leque que vai da elaboração da matéria prima e a fabricação da colhedeira, do caminhão ou do automóvel, a produção e do consumo de energia da geladeira e lavadora de roupa ao carregador só telefone celular – do alfi8nete ao transatlântico. Entram nessa conta o secador de arroz, a câmera fria do frigorífico, o forno do padeiro e muitos mais. Agora, pensando que o corpo humano gera e consome por dia de cerca de 2,5 kWh para suas funções básicas e atividades normais, esses 7.041 kWh consumidos por habitante correspondem à energia corporal gerada e consumida por 2.816 pessoas.

 

Mas, embora em montantes bem menores, mas com preços muito mais expressivos, ainda falta a energia de origem fóssil. O Brasil consome cerca de 400 milhões de litros de derivados de petróleo por dia, o que corresponde a um consumo de 1.200 milhões de kWh que, distribuídos sobre 207 milhões de brasileiros, resultando num consumo, direto e indireto, de 5,8 kWh/dia por pessoa. Isso pode parecer pouco, mas é preciso lembrar que a frota de veículos partículas movimenta-se em apenas cerca de 6 por cento de seu tempo de vida.

 

Quanto ao consumo de gás GLP, são 90 milhões de metros cúbicos por dia, correspondendo a 2,5 bilhões de kWh, ou seja, 10,9 kWh/dia por pessoa.

 

Somando tudo, encontramos um consumo de 7.058 kWh por dia por pessoa, reduzidos à capacidade energética do ser humanos igualando a energia gerada por 2.823 pessoa. São 2.823 escravos sintéticos a serviço de cada brasileiro, ou seja, para gerar essa disponibilidade energética apenas com a força corporal, haveria necessidade de uma população brasileira de cerca de 584 bilhões de habitantes.

 

Nadamos em energia.

 

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