IA – Uma Revolução
Civilizatória
(“AI – A Civilizational
Revolution" – This text is written in a way to
ease comprehensive electronic translation)
Klaus H. G. Rehfeldt
(Também
acessível no blog: kl-rehfeldt.blogsop.com)
A
humanidade já experimentou várias revoluções civilizatórias: o domínio de fogo,
o plantio sistemático, o surgimento da visão monoteísta, e a revolução
industrial. A criatividade e a busca por significados do homem têm um passado
de centenas de milhares de anos – do machado de mão de pedra ao universo
digital, dos hieroglifos ao promter. Os resultados foram invenções que levaram
a humanidade ao estágio científico e civilizatório de hoje. No entanto, nem
tudo foi benefício puro, inúmeras descobertas e invenções incorporaram ‘efeitos
colaterais’ – por exemplo, a pretensão pacífica ao uso bélico TNT. Esses
conflitos acompanham todo nosso passado até a atualidade com consequências cada
vez menos previsíveis.
Em toda esta evolução acabamos de chegar à informática.
E a ambiguidade não poderia faltar na última conquista tecnológica – a
inteligência artificial, ou IA. Sem poder avaliar ou dimensionar desdobramentos
e limites. Os benefícios desse primeiro momento da IA são inegáveis.
Desde o início visualizaram-se enormes
promessas e imensuráveis vantagens. De fato, mesmo dentro do curto espaço de
tempo da industrialização no processo civilizatório, a evolução da inteligência
artificial é surpreendentemente rápida. Em prazo exíguo, desde a criação de
ilusões na mídia social à total reformulação de processos produtivos inteiros
tornaram-se factíveis. Seja na saúde,
nos sistemas inteligentes da educação, seja no aumento de produtividade, ou na
resolução de problemas complexos, a IA conquista cada vez mais espaços. A
inteligência artificial está rápida e definitivamente penetrando nas áreas
industrial, transporte, comércio e prestação se serviços.
Mas, nada criado pelo homem é perfeito. Ao lado
de imensuráveis vantagens e benefícios, presentes e futuros, existem aspectos negativos.
Alguns efeitos nocivos eram previsíveis desde o início, outros evidenciaram-se
ao passo que a IA vinha ganhando corpo.
Se, por um lado, as consequências são concretas,
como uma enorme demanda energética, outros, são imensuráveis, como os reflexos
sobre sobre o comportamento humano.
Além do domínio maior ou menor de know-how, a
IA tem um custo expressivo e quem puder manter esse custo mais baixo será favorecido
na competitividade. Fora desse foco econômico e tecnológico, torna-se cada vez
mais essencial abordar o ser humano nesse contexto.
Evidentemente, a IA substitui, e com vantagem
em diferentes escalas, certas capacidades cerebrais humanas, por mais ou menos privilegiadas
sejam. E isso terá consequências, diretas e indiretas. No entanto, embora os
danos da IA para as gerações futuras não sejam fatais, riscos estão sendo
plantados desde já. Inegavelmente estamos entrando numa nova realidade de
terceirização cerebral. Isso deixa concluir uma delegação de nossas capacidades,
por exemplo, redacionais, seletivas e conclusivas, à IA. Nessa área, não
podemos deixar de considerar um possível – ou provável – impacto sobre a saúde
mental quando observamos os cada vez fortes relacionamentos sintéticos e
estéreis.
Por outro lado, a fonte de recursos de IA é o
conhecimento acumulado pela humanidade desde quando ele foi registrado a milhares
de anos atrás – sem filtros entre o bem e o mal. Daí, a construção de algoritmos
que, quando não percebidos criticamente, podem determinar o futuro de pessoas e
sociedades.
Sem dúvida, a eliminação de empregos é uma das
decorrências mais obvias. Todavia, a evolução demográfica tendendo para, ou já
acusando um crescimento demográfico, poderá neutralizar essa ameaça.
Em resumo, o maior dano a esperar seria a
criação de gerações que não sabem desenvolver pensamento sem muletas e que se
frustra com a imperfeição natural humana. Será preciso cuidar para não percamos
o que há de mais humano em nós.
Com certeza, a humanidade está ganhando, mas precisa cuidar com o que possa perder.
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