domingo, 21 de junho de 2026

IA - Uma Revolução Civi8lizatória

 

IA – Uma Revolução Civilizatória

(“AI – A Civilizational Revolution" – This text is written in a way to ease comprehensive electronic translation)

 

Klaus H. G. Rehfeldt

(Também acessível no blog: kl-rehfeldt.blogsop.com)

 

A humanidade já experimentou várias revoluções civilizatórias: o domínio de fogo, o plantio sistemático, o surgimento da visão monoteísta, e a revolução industrial. A criatividade e a busca por significados do homem têm um passado de centenas de milhares de anos – do machado de mão de pedra ao universo digital, dos hieroglifos ao promter. Os resultados foram invenções que levaram a humanidade ao estágio científico e civilizatório de hoje. No entanto, nem tudo foi benefício puro, inúmeras descobertas e invenções incorporaram ‘efeitos colaterais’ – por exemplo, a pretensão pacífica ao uso bélico TNT. Esses conflitos acompanham todo nosso passado até a atualidade com consequências cada vez menos previsíveis.

 

Em toda esta evolução acabamos de chegar à informática. E a ambiguidade não poderia faltar na última conquista tecnológica – a inteligência artificial, ou IA. Sem poder avaliar ou dimensionar desdobramentos e limites. Os benefícios desse primeiro momento da IA são inegáveis.

 

Desde o início visualizaram-se enormes promessas e imensuráveis vantagens. De fato, mesmo dentro do curto espaço de tempo da industrialização no processo civilizatório, a evolução da inteligência artificial é surpreendentemente rápida. Em prazo exíguo, desde a criação de ilusões na mídia social à total reformulação de processos produtivos inteiros tornaram-se factíveis. Seja na saúde, nos sistemas inteligentes da educação, seja no aumento de produtividade, ou na resolução de problemas complexos, a IA conquista cada vez mais espaços. A inteligência artificial está rápida e definitivamente penetrando nas áreas industrial, transporte, comércio e prestação se serviços.

 

Mas, nada criado pelo homem é perfeito. Ao lado de imensuráveis vantagens e benefícios, presentes e futuros, existem aspectos negativos. Alguns efeitos nocivos eram previsíveis desde o início, outros evidenciaram-se ao passo que a IA vinha ganhando corpo.

 

Se, por um lado, as consequências são concretas, como uma enorme demanda energética, outros, são imensuráveis, como os reflexos sobre sobre o comportamento humano.

 

Além do domínio maior ou menor de know-how, a IA tem um custo expressivo e quem puder manter esse custo mais baixo será favorecido na competitividade. Fora desse foco econômico e tecnológico, torna-se cada vez mais essencial abordar o ser humano nesse contexto.

 

Evidentemente, a IA substitui, e com vantagem em diferentes escalas, certas capacidades cerebrais humanas, por mais ou menos privilegiadas sejam. E isso terá consequências, diretas e indiretas. No entanto, embora os danos da IA para as gerações futuras não sejam fatais, riscos estão sendo plantados desde já. Inegavelmente estamos entrando numa nova realidade de terceirização cerebral. Isso deixa concluir uma delegação de nossas capacidades, por exemplo, redacionais, seletivas e conclusivas, à IA. Nessa área, não podemos deixar de considerar um possível – ou provável – impacto sobre a saúde mental quando observamos os cada vez fortes relacionamentos sintéticos e estéreis.

 

Por outro lado, a fonte de recursos de IA é o conhecimento acumulado pela humanidade desde quando ele foi registrado a milhares de anos atrás – sem filtros entre o bem e o mal. Daí, a construção de algoritmos que, quando não percebidos criticamente, podem determinar o futuro de pessoas e sociedades.

 

Sem dúvida, a eliminação de empregos é uma das decorrências mais obvias. Todavia, a evolução demográfica tendendo para, ou já acusando um crescimento demográfico, poderá neutralizar essa ameaça.

 

Em resumo, o maior dano a esperar seria a criação de gerações que não sabem desenvolver pensamento sem muletas e que se frustra com a imperfeição natural humana. Será preciso cuidar para não percamos o que há de mais humano em nós.


Com certeza, a humanidade está ganhando, mas precisa cuidar com o que possa perder.

 

 

 

 

     

 

 

 

 

 

sexta-feira, 12 de junho de 2026

O Mar

 

O Mar

(“The Sea” - This text is written in a way to ease comprehensive electronic translation)

 

Klaus H. G. Rehfeldt

 

 Cerca dois terços do nosso planeta são cobertos pelos diversos oceanos, e isso, há milhões de anos – entretanto, com oscilações para mais e menos, frequentemente com mudanças geográficas, cobrindo ou expondo partes terrestres. Em outras -palavras, o nível do mar não é uma constante. Uma das causas, embora muito lenta, é a movimentação das placas tectônicas, a outra, mudanças climáticas, mormente térmicas. E não somente pelo acúmulo ou diminuição de gelo nas regiões polares norte e sul, mas também a expansão ou o encolhimento da massa aquática com variações de temperatura. Em escala ainda desconhecida, centenas, talvez milhares e vulcões no fundo do Oceano Pacifico, quando irrompem, funcionam como uma aquecedor de imersão numa chaleira; não há, até aqui, meios de dimensionar os efeitos.

 

Dessa maneira, ao longo dos milênios, ocorrem lentas, mas constantes alterações do nível dos oceanos. Na última era glacial com ápice há cerca de vinte mil anos atrás, a quantidade de gelo nas calotas polares e geleiras estima-se em aproximadamente 52 milhões de km3, ou seja, as camadas de gelo eram, em média, por volta de 65 m mais espessas, Como consequência, o nível médio do mar foi de aproximada mente 120 a 130 mais baixo do atual. Daí, explica-se que, por exemplo, boa parte da Indonésia, hoje um grande arquipélago, constituía uma única extensão de terra. A título de comparação, hoje a Terra possui cerca de 24 a 29 milhões de km3.  

 

Em momento mais recente, isso é, há cerca de 10 mil anos atrás, sabe-se que o nível médio dos oceanos era cerca de 40 m mais baixo que hoje. Naquela época, aproximadamente a maior parte do Mar do Norte entre Inglaterra e Noruega era terra firme, o Canal da Mancha praticamente não existia, nem, por exemplo, o Mar Vermelho (Moises não precisou abrir caminho no meio das águas). Não havia Estreito de Bering, nem Baia do Prata, nem Baia de Guanabara.

 

Isso permite deduções e projeções. A dedução central é simples e clara. Se o nível do aumento 40 m em 10 mil anos, isso significa uma média de 4 metros em mil anos, 40 cm em 100 an0s, e 0,4 com por ano. Entretanto, o degelo começou lentamente, a taxas mínimas inicialmente, aumentando lentamente em intensidade. Hoje, essa intensidade é bem outra quando observamos que a subida nos níveis do mar entre 1991 e 2025 (34 anos) foi de 23 cm, ou seja, 0,67 cm por ano, ou, então, 1 cm a cada 18 meses.

 

Parece pouco, porém, por exemplo, cada cm de aumento significa uma perda média de 5 m de praia, em lugares menos, em outros, mais. Especialmente grandes marés terão efeitos mais graves. Isso explica o desaparecimento de algumas ilhas da Polinésia.  Mesmo assim, pode parecer de pouca importância, todavia, torna-se preocupante quando fazemos algumas projeções. Mundo afora, inúmeras cidades, inclusive metrópoles, estão situadas junto ao mar. Exemplos são Nova Iorque, Shangai e Mumbai (mas existem outras como Sidney, Rio de Janeiro ou Istambul).

 

Em Xangai, uma elevação de maré alta de 2 a 3 m de maré alta, causaria inundações frequente em sua parte central mais baixe. Nova Iorque projeta uma subida de 75 cm até 2050, com o que Manhattan passaria a sofrer inundações frequentes., no entanto, a cidade está tomando medidas protetivas. Ficando nas três cidades citadas, bairros inteiros e regiões históricas de Mumbai seriam afetados severamente com elevações de 1 a 2 m do mar.

 

O mar sempre foi, e continua sendo imprevisível. No entanto, o acompanhamento da história de seu comportamento, acompanhado de outros fenômenos climáticos de interação, permite concluir que a curto ou médio prazo não poderemos contar com uma reversão da atual evolução. Até onde essa evolução é consequência de atos humanos é assunto de estudo a parte, porém, não podemos descartar totalmente um possível agravamento além da evolução natural decorrente dessa espécie mais predatória existente sobre a Terra. Em projeções futuras caberia focar esse assunto.

 

Os dados existem. Precisa de coragem para encará-los.