terça-feira, 28 de abril de 2020

Polegar para Baixo



Polegar para Baixo.

Klaus H. G. Rehfeldt

A propagação do coronavirus não se dá na ausência de agentes materiais concretos na forma de gotículas de expiração de pessoas contaminadas. Como esses indivíduos em muitos casos não sabem de seu estado clínico (assintomático) TODOS podemos ser uma ameaça para TODOS os outros que cruzam nosso caminho. O único meio para prevenir e impedir razoavelmente esta propagação é a máscara respiratória e o distanciamento social físico.
Há pessoas (sempre houve), especialmente jovens, que por exibicionismos, para testar seus limites(!), demonstração estúpida de coragem ou outras razões irracionais, insistem em ignorar arbitrária e conscientemente determinadas normas estabelecidas pela sociedade, sujeitando-se ao risco de danos físicos e mentais pessoais – e de outros. E há a ignorância estupidez puras e simples.
Faz parte dos deveres constitucionais do cidadão respeitar as normas de convivência, que incluem a disciplina cívica. Da inobservância deste dever para a irresponsabilidade é apenas um passo. No caso do coronavirus, essa disciplina e responsabilidade objetivam a conservação da saúde própria e alheia. O que se vê, porém, são inúmeras pessoas que, deliberada ou ingenuamente, não usam máscaras, nem mantêm o distanciamento. Resta torcer que não tenham que levar os próprios pais, marido, mulher ou filhos ao hospital – ou ao cemitério!
A prevenção não tem heróis, apenas responsáveis conscientes. Por isso, mostre-lhes o polegar para baixo como simples sinal de alerta

quarta-feira, 22 de abril de 2020

Os Desiguais.



Os Desiguais.

(‘The Unequals’ – This text is written in a manner to ease comprehensive electronic translations.)

Klaus H. G. Rehfeldt

Ultimamente, a desigualdade é recorrente em estudos publicados, na mídia e nas redes sociais, com e sem objetivos políticos, com e sem isenção. Embora possa ter várias facetas e formas de se manifestar, o foco principal está na desigualdade socioeconômica. Fato unânime é a caracterização das camadas menos providas de recursos como sendo aquelas que abrigam os desiguais. É uma acepção sem qualquer questionamento. Os desiguais são os noventa por cento da população que dispõem, por exemplo, de apenas cerca da metade das riquezas de uma sociedade ou nação.
Se, no entanto, avaliamos Beethoven ou Verdi e os milhões compositores menos dotados e músicos ao redor do globo, Santos Dumont ou os irmãos Wright e os milhares de construtores de carruagens e carroças da época, Bill Gates e outros milhões de desenvolvedores de tecnologia da informação, ou, ainda, Jeff Bezos ou Jack Ma com seus novos canais de comercialização e milhões de comerciantes tradicionais, impõe-se uma pergunta: quem são os desiguais? Obviamente as pessoas citadas pela simples constatação lógica de eles não encontrarem, ou haver apenas muito poucos iguais a eles. Os iguais, ou semelhantes, são os outros bilhões. (Há também os desiguais do mal, cujos nomes n~]ao merecem ser mencionados.)
E mais: pioneiros são, em geral, os primeiros, e consequentemente os maiores beneficiários de sua coragem e seu empenho – e dos ganhos de seu prodígio. E é bom que os tenhamos sempre.
Talentos excepcionais (de exceção) criam produtos excepcionais com efeitos excepcionais. São aqueles dotados de mais sensibilidade artística, de espirito inventivo mais desenvolvido, de maior perspicácia tecnológica, de maior tino comercial, destaque que caracterizam sua desigualdade.
Com os faróis apontados para as pessoas que de alguma maneira se destaquem do resto da população desaparecem na sombra os resultados que beneficiam toda a humanidade. O compositor, apesar do prazer pessoal sentido no seu trabalho, cria uma obra para ser apreciada pelos outros, o inventor gera maiores facilidades de vida para toda a humanidade, e o empresário, definitivamente, não guarda sacos de dinheiro no porão, mas investe estimulando a prosperidade comum, especialmente numa economia em que o dinheiro é mercadoria.
Beethoven forneceu matéria prima a músicos, salas de concerto e as indústrias de produção musical e de instrumentos musicais. A invenção da aeronave dispensa elucidações, como também os benefícios proporcionados pela criação de sistemas de software. O mesmo ocorre com os investimentos realizados com lucros gerados nas transações econômicas decorrentes da simples existência de riquezas.
Falando especificamente dos desiguais em termos de recursos materiais, é preciso alertar para o fato, de que a ‘desigualdade’ não é um fenômeno estático, mas um processo dinâmico temporal. Em outras palavras, No mundo digital, de mercados globalizados, os desiguais, e os resultados de suas desigualdades, disparam na frente do resto da população em velocidades crescentes, o que, obviamente, aumenta rapidamente o distanciamento entre a ponta e a base da pirâmide de distribuição de riquezas. Além disso é preciso observar que riquezas materiais tendem, a partir de certo ponto, reproduzir-se numa dinâmica própria e sem quaisquer esforço adicionais, apenas obedecendo a conduções adequadas na movimentação dos recursos, ou seja, não se trata necessariamente de ganância desenfreada. Obras filantrópicas desses desiguais provam isso.
Não se trata aqui da defesa de um capitalismo desacerbado, muito menos do desprezo da gravidade do infortúnio das populações menos prósperas ou mais carentes. Mas é importante frisar que, mesmo com chances iguais de estudo e de preparação para a vida, sempre haverá uma minoria de pessoas significativamente mais dotadas e mais hábeis que outras com óbvias consequências econômicas e sociais mais favoráveis. Fica a questão final: sob o vigor de um sistema tributário justo e adequado, cabe à sociedade tolher o desenvolvimento dessas diferenças individuas, ou inibir o aflorar dos resultados que daí brotam com a finalidade de estabelecer uma igualdade para baixo, ou devemos tolerar, ou até estimular, o livre desabrochar de talentos cujos sucessos e produtos acabam por beneficiar, talvez primordialmente de forma indireta, toda a sociedade. O trem não se move sem a máquina.       

quarta-feira, 15 de abril de 2020

Crítica Incomoda?



Critica Incomoda?

Klaus H. G. Rehfeldt

Crítica*) incomoda? Incomoda sim, senão não seria crítica. Mas exatamente pelo fato de incomodar nos faz ponderar, nos faz pensar, nos faz refletir – salvo se nós nos julgarmos acima de qualquer crítica (neste caso, o texto acaba aqui!).
A vida em sociedade exige um comportamento, individual e coletivo, suficientemente ajustado, que garanta a sobrevida e o bem-estar dessa sociedade e de seus membros. A consequência inequívoca desse requisito é a harmonização de atos e atitudes dos membros dessa sociedade no sentido de assegurar uma convivência aceitável a todos. Entretanto, por vezes a natureza das pessoas, pelas mais diversas causas, pode divergir com o socialmente aceitável e, assim, levar a críticas com o simples objetivo de minimizar atritos e desavenças. Na maioria das vezes, a sensatez das pessoas leva a revisões de suas posturas, ou a uma plausível justificativa. A infalibilidade existe apenas na versão dogmática. Assim visto, não há como negar o efeito construtivo da crítica justa. Para a injusta basta descarta-la e ela geralmente acaba por desacreditar o crítico.
Imaginemos a ausência de crítica. O resultado disso encontramos nos inúmeros casos históricos de autocratas que, ao não admitir qualquer crítica de seus atos, resultaram nos tiranos que a história conhece. Esses levantaram verdadeiras muralhas contra contestações, e calabouços para o contestadores. E o exemplo dos mandatários espelhava-se com frequência nos microcosmos – sacerdote, empregador, pai e marido não toleravam crítica. Estruturas militares, nem pensar.
O humanismo, com a concepção da democracia como seu rebento político, começou a questionar e colocar em dúvida tal infalibilidade autoconferida. O efeito não demora a aparecer. A presença e atuação reguladora, fiscalizadora e jurídica dos poderes legislativo e judiciário é inegavelmente benéfica à sociedade. O contencioso político (de preferência com a proposta de alternativas) é parte inerente do processo democrático em busca do melhor atendimento dos interesses e das aspirações da maioria da população. Isto confere à crítica autenticidade objetiva e desapaixonada, essencialmente necessária e permanentemente presente. E o exercício de crítica é direito irrestrito de qualquer cidadão, coletivo ou entidade. A negação desse direito significaria a ausência das condições mínimas para a existência de qualquer sistema democrático. A crítica é peça central do jogo democrático. Sua supressão abriria as portas a todo tipo de arbitrariedade, abuso, prepotência e insanidade, culminando com alguma forma de totalitarismo e tragédia social.
A crítica incomoda? Incomoda, sim, mas disciplina e amadurece as decisões, controla os atos e conduz o cidadão a uma vida respeitosa, tolerante e responsável em seu meio. Aceitá-la ou não é fundamentalmente uma questão de maturidade, discernimento e equilíbrio

*) Critica contestatória, fundamentada, isenta e direcionada ao exercício e aos atos da função, não à pessoa autora.

sábado, 11 de abril de 2020

Vamos Brincar de Adultos!



Vamos Brincar de Adultos!

Klaus H. G. Rehfeldt

Crianças são imprevisíveis, barulhentas, briguentas, irresponsáveis, indisciplinadas por natureza e é bom que sejam tudo isso e muito mais. Afinal, elas estão experimentando a vida cercadas por adultos que os mantêm dentro do razoável e dos limites. Depois, elas crescem e acabam por assumir gradativamente atitudes e comportamentos amadurecidos e tornam-se adultos que, com responsabilidade, estabelecem seus projetos de vida, suas prioridades, seus focos, suas expectativas.
Por isso surpreende que na atual crise sanitária com dimensões epidêmicas pessoas que foram eleitos pelos cidadãos para dirigir direta ou indiretamente seus destinos, especialmente em momentos de dificuldade, parecem aproveitar-se da situação de instabilidade para promover seus próprios interesses em detrimento das causas públicas. Na priorização de disputas políticas, de intrigas, ‘frituras’, populismos baratos e atribuições de culpa renascem atitudes pueris, aplaudidas por inúmeros seguidores políticos acríticos, fãs e torcedores.
O voto popular não confere infalibilidade aos eleitos, mas expressa a esperança do acerto, mormente na hora das adversidades. Portanto, vamos deixar as pendengas e os vícios políticos para quando houver espaço e tempo para isto.
Em vez de imprevisibilidade, o povo espera de seus líderes uma garantia mínima de segurança.
Em vez de barulho político, espera tranquilidade para esquecer a aflição.
Em vez de brigas por poder, espera a busca por união que lhe possa inspirar confiança.
Em vez de atos e de manifestações irresponsáveis, espera exemplos que lhe permitam perspectivas para seu futuro.
Em vez de ódios, espera compreensão e amor.
Em vez de posturas imaturas de fanatismo e idolatria, de brincar de engraçadinhos, de nos divertir com a aflição e o desconforto alheio, se não conseguimos entender a seriedade da situação, então sugiro outra brincadeira: VAMOS BRINCAR DE ADULTOS!     


terça-feira, 7 de abril de 2020

O Protocolo "V"



O Protocolo “V”

Klaus H. G. Rehfeldt

Vale uma aposta sobre o nome, pois ele virá, o vírus de uma próxima e diferente epidemia. Nada mudou nas nossas condições civilizatórias ou nos ecossistemas que permitisse assegurar o não surgimento de uma nova cepa de vírus ou da mutação de um vírus anterior, já inofensivo ao homem.
A única mudança que continua em curso desde os primórdios do homem sobre a Terra e com reflexos sobre a aparição e disseminação de uma nova epidemia é a permanente dinâmica demográfica. E esta é absolutamente desfavorável com relação ao aspecto epidemiológico em virtude da contínua expansão populacional, embora ultimamente mais modesta. Ao crescimento absoluto da população mundial soma-se um agravante igualmente em progressão: a crescente urbanização com um simultâneo e perigoso aumento da densidade populacional no próprio ambiente urbano devido ao crescimento vertical com unidades habitacionais cada vez menores.
O covid-19, com sua incidência potencializada nos centros urbanos, parece ter provado que nestes ambientes ultrapassamos a massa crítica, permitindo uma irrupção e expansão em cadeia e resultando em dimensões epidémicas em rápida propagação. Alguns mais, outros menos, dependendo de onde os países se encontravam na cadeia de alastramento da doença, todos foram pegos de imprevisto e em variáveis estados de despreparo. Assim, sobre as medidas a tomar  apareceram as mais controvertidas opiniões, entre técnico-cientificas e leigas, com e sem interesses específicos, chegando a manifestações de absoluta leviandade e clara irresponsabilidade. Isso contribuiu para que além do medo natural se instalasse na população uma imensa incerteza e insegurança, continuamente alimentadas por indefinições e vacilações por parte de muitas lideranças. A falta de um preparo específico para o combate da doença resultou em confrontação dos princípios sanitárias com as concepções econômicas em vez da busca de uma junção conciliatória entre os dois. Vimos como a falta de clareza para o povo gera atos e atitudes inconsequentes e inadmissíveis.
Esta pandemia, com certeza passará como todas as anteriores da nossa história, porém, a eclosão de uma nova epidemia, ou pandemia, é igualmente certa e apenas uma questão de tempo. Diante disso, cabe que desta vez se tome uma iniciativa nunca antes considerada seriamente. Não sabendo o momento do próximo evento, seja ele uma nova epidemia com um novo patógeno, seja a replicação de um anterior, urge a imediata elaboração de um protocolo de prevenção e de enfrentamento e de prevenção; de enfrentamento para quando e onde a doença já eclodiu e de prevenção para quando e onde ela pode se alastrar. E isto com a perspectiva em mente que enquanto e onde a população estiver aumentando os efeitos de expansão tenderão a ser mais graves.
Os ministérios de defesa das nações possuem seus protocolos de prevenção e de resposta a qualquer tipo de agressão bélica, cabe aos ministérios de saúde ter os seus para agressões patológicas. Certamente deverão constar dos mesmos tópicos como poderes e atribuições, estoques mínimos e rotativos e reservas estratégicas de instalações emergenciais, materiais e aparelhamentos, mas também procedimentos claramente definidos de intervenção e modalidades de isolamentos e distanciamentos sociais, manutenção medicinalmente assistida de atividades essenciais, restrições de mobilidade, enfim, cobrir todas as fragilidades constatadas no corrente episódio e seus desdobramentos possíveis.
Rotinas e medidas assim definidas e estabelecidas trarão, sem dúvida, respostas complementares de políticas de assistência socioeconômica, a assumpção do eventual ônus da criação de independência de fornecedores mono- ou oligopolistas globais no caso de produtos de curta validade, entre muitas outras. Além de evitar improvisações, atropelos e assintonias em decisões emergenciais, o saber da existência de um protocolo ampla e detalhadamente preparado e aplicado garante maior tranquilidade na população, extremamente necessária em momentos dessa natureza – e os sadios e os curados agradecem. O que o cidadão mais deseja em momento de crise é poder confiar em seus líderes.
Pode surgir o argumento que tudo isso ser coisa para país rico. Não é. A prevenção, especialmente na saúde, sempre é mais barata que a remediação, sabendo que para óbitos não há remediação.  

sexta-feira, 3 de abril de 2020

Haverá um Depois.



Haverá um Depois
(‘There Will Be an Afterwards’ - This text was written in a way to ease comprehensive electronic translations.)

Klaus H. G. Rehfeldt

“Através do Corona adaptaremos nossa inteira atitude diante da vida – no sentido de nossa existência como seres vivos no meio de outras formas de vida.” Slavoj Zizek, filósofo esloveno, março 2020.
Crises costumam evidenciar os aspectos que ficaram nas sombras do brilho dos bem sucedidos avanços e evoluções. Não foi diferente com a crise do Covid-19.
Ela evidenciou que a ponta da civilização humana pode estar se aproximando perigosamente de situações limite. A urbanização extrema, a mobilidade de massas, a velocidade de processos e mudanças, a concentração de ramos econômicos inteiros em poucos megaempreendimentos, para citar alguns tópicos, geraram fragilidades e vulnerabilidades por muito tempo negligenciados, ou então projetadas para planos de irrelevância.
Mas, ela evidenciou também uma enorme capacidade de adaptação diante de ameaças à saúde, segurança e à própria vida, seja no plano individual, seja no coletivo. As populações de vários países com várias colorações políticas conseguiram impor o bom senso, demonstrar solidariedades de toda natureza e aceitar restrições pessoais mesmo contra orientações dos respectivos governos na defesa de interesses meramente econômicos.
Nossas vidas são regidas por aqueles aspectos vitais e prioridades que julgamos importantes em cada momento e ambiente local. É natural, portanto, que crises consigam redimensionar as importâncias e relevâncias tanto pessoais, quanto coletivas. Guerras, epidemias e fenômenos naturais têm causado profundos mudanças estruturais e comportamentais ao longo da nossa história. Exemplos recentes foram uma onda de euforia e futilidades depois da Primeira Guerra Mundial, logo depois seguida por uma explosão de suicídios na crise econômica de 1929. Ou então o baby boom na Europa com a nova prosperidade dos anos 1950.
E não será diferente com a atual pandemia. Evidentemente é difícil precisar tais mudanças, mas, desde já, cabem alguns questionamentos sobre o futuro:
- Que efeitos terá a experiência de uma estreita convivência no âmbito familiar, provavelmente por um período de várias semanas, sobre a vida futura de crianças e jovens, (uma situação jamais vivida por seus pais)? A necessidade de mais disciplina, maior tolerância e respeito pelo próximo certamente destoa com o atual padrão de vida de muitas famílias. É valido esperar um fortalecimento de laços intrafamiliares. A normalidade no meio rural de os filhos acompanharem o trabalho dos pais invade a família urbana; de repente os filhos veem como os pais ganham o dinheiro para seu sustento – e suas diversões. Poderá perfeitamente surgir uma maior procura por moradias com espaço privativo para home office. - Por outro lado, porém, a repentina cristalização de incompatibilidades pode sugerir uma maior cautela em futuros relacionamentos. Será que a leitura ganha uma nova chance? 
- A superficialidade, futilidade, volatilidade e falta de comprometimento das ‘desbocadas’ amizades virtuais sobreviverão à volta dos diálogos telefônicos ‘ouvido no ouvido’ e ‘olho no olho’? Provavelmente sim, possivelmente mais filtradas. Em contrapartida, na comunicação séria e de caráter funcional, as teleconferências e videoconferências, ainda com variável relutância entre profissionais e funcionários, revelar-se-ão como bastante racionais e práticas. A desnecessidade da presença física pode representar ganhos (menos mobilidade), mas também gerar a falta de contatos pessoais, às vezes decisivos em tomadas de decisão.
- Que efeitos terá a solidificação social, um fenômeno observado no decorrer e como consequência de grandes crises? O debate sobre o politicamente correto continuará relevante? Que importância negativa ou positiva terão diversidades culturais? Talvez nos surpreenderemos com as frivolidades e as ‘picuinhas’ do passado. Quanto estamos todos num pequeno barco e as ondas crescem desaparecem os preconceitos e as diferenças e, dando lugar à relevância dos valores do outro. Isso, seguramente reduzirá a receptividade para fenômenos com racismo, xenofobia e outras hostilidades intra-sociais.
- Até que grau podemos contar com a ciência diante repentinas situações emergenciais? A inteligência científica tem suas normas e seus protocolos a serem atendidos; a inteligência social, no entanto, reage quase instantaneamente, resultando em atos de responsabilidade social imediatos, flexíveis e ajustáveis. O covid-19 mostrou que o bom-senso emergencial pode ser mais eficaz que a esperança por respostas da ciência. A lição que fica: inteligência artificial sim, para um futuro próspero e confortável, a redenção social, entretanto, está na essência humana, na garantia da coexistência.
- A economia voltará a uma normalidade? Certamente voltará, como sempre voltou depois de revezes históricos, que, aliás, nunca chegaram a um colapso absoluto. A questão é qual será essa normalidade. Ela certamente excluirá os excessos e as sofisticações de modernos conceitos econômicos e administrativos como o just-in-time global, cadeias de produção de grandes ramificações (o grupo Siemens alemão possui hoje 90 mil subfornecedores localizados ao redor do mundo), Teremos, sem dúvida, maiores reservas intermediárias, mas, por outro lado, sensíveis desconcentrações com consequentes retornos à produção local, com óbvias reestruturações dos mercados, incluindo reflexos sobre o de trabalho. A própria economia de consumo deverá entrar discussões mais conclusivas.
- O vírus acelerou mudanças que na verdade já despontaram no horizonte? A felicidade em pedestal de prosperidade material vem sendo questionada há tempos. A repentina e explosiva aparição de uma desgraça de âmbito mundial, destruindo vidas e valores materiais, não deverá passar sem deixar reflexões sobre nossos valores, nosso estilo de vida, ambições e projetos, enfim, um novo modelo existencial.
Além desses enfoques, muitas outras questões, como a banalização da vida, o populismo político, a mobilidade abusiva, por exemplo, ganharão respostas, talvez inusitadas. .
Não sabemos se nos encontramos ainda no começo, no meio ou já próximo da superação desta provação. Mas ela passará. Entende-la não como o fim, mas como um novo começo fará toda a diferença – agora e depois!
Acredito na perspectiva de um mundo mais humano!