quarta-feira, 22 de abril de 2020

Os Desiguais.



Os Desiguais.

(‘The Unequals’ – This text is written in a manner to ease comprehensive electronic translations.)

Klaus H. G. Rehfeldt

Ultimamente, a desigualdade é recorrente em estudos publicados, na mídia e nas redes sociais, com e sem objetivos políticos, com e sem isenção. Embora possa ter várias facetas e formas de se manifestar, o foco principal está na desigualdade socioeconômica. Fato unânime é a caracterização das camadas menos providas de recursos como sendo aquelas que abrigam os desiguais. É uma acepção sem qualquer questionamento. Os desiguais são os noventa por cento da população que dispõem, por exemplo, de apenas cerca da metade das riquezas de uma sociedade ou nação.
Se, no entanto, avaliamos Beethoven ou Verdi e os milhões compositores menos dotados e músicos ao redor do globo, Santos Dumont ou os irmãos Wright e os milhares de construtores de carruagens e carroças da época, Bill Gates e outros milhões de desenvolvedores de tecnologia da informação, ou, ainda, Jeff Bezos ou Jack Ma com seus novos canais de comercialização e milhões de comerciantes tradicionais, impõe-se uma pergunta: quem são os desiguais? Obviamente as pessoas citadas pela simples constatação lógica de eles não encontrarem, ou haver apenas muito poucos iguais a eles. Os iguais, ou semelhantes, são os outros bilhões. (Há também os desiguais do mal, cujos nomes n~]ao merecem ser mencionados.)
E mais: pioneiros são, em geral, os primeiros, e consequentemente os maiores beneficiários de sua coragem e seu empenho – e dos ganhos de seu prodígio. E é bom que os tenhamos sempre.
Talentos excepcionais (de exceção) criam produtos excepcionais com efeitos excepcionais. São aqueles dotados de mais sensibilidade artística, de espirito inventivo mais desenvolvido, de maior perspicácia tecnológica, de maior tino comercial, destaque que caracterizam sua desigualdade.
Com os faróis apontados para as pessoas que de alguma maneira se destaquem do resto da população desaparecem na sombra os resultados que beneficiam toda a humanidade. O compositor, apesar do prazer pessoal sentido no seu trabalho, cria uma obra para ser apreciada pelos outros, o inventor gera maiores facilidades de vida para toda a humanidade, e o empresário, definitivamente, não guarda sacos de dinheiro no porão, mas investe estimulando a prosperidade comum, especialmente numa economia em que o dinheiro é mercadoria.
Beethoven forneceu matéria prima a músicos, salas de concerto e as indústrias de produção musical e de instrumentos musicais. A invenção da aeronave dispensa elucidações, como também os benefícios proporcionados pela criação de sistemas de software. O mesmo ocorre com os investimentos realizados com lucros gerados nas transações econômicas decorrentes da simples existência de riquezas.
Falando especificamente dos desiguais em termos de recursos materiais, é preciso alertar para o fato, de que a ‘desigualdade’ não é um fenômeno estático, mas um processo dinâmico temporal. Em outras palavras, No mundo digital, de mercados globalizados, os desiguais, e os resultados de suas desigualdades, disparam na frente do resto da população em velocidades crescentes, o que, obviamente, aumenta rapidamente o distanciamento entre a ponta e a base da pirâmide de distribuição de riquezas. Além disso é preciso observar que riquezas materiais tendem, a partir de certo ponto, reproduzir-se numa dinâmica própria e sem quaisquer esforço adicionais, apenas obedecendo a conduções adequadas na movimentação dos recursos, ou seja, não se trata necessariamente de ganância desenfreada. Obras filantrópicas desses desiguais provam isso.
Não se trata aqui da defesa de um capitalismo desacerbado, muito menos do desprezo da gravidade do infortúnio das populações menos prósperas ou mais carentes. Mas é importante frisar que, mesmo com chances iguais de estudo e de preparação para a vida, sempre haverá uma minoria de pessoas significativamente mais dotadas e mais hábeis que outras com óbvias consequências econômicas e sociais mais favoráveis. Fica a questão final: sob o vigor de um sistema tributário justo e adequado, cabe à sociedade tolher o desenvolvimento dessas diferenças individuas, ou inibir o aflorar dos resultados que daí brotam com a finalidade de estabelecer uma igualdade para baixo, ou devemos tolerar, ou até estimular, o livre desabrochar de talentos cujos sucessos e produtos acabam por beneficiar, talvez primordialmente de forma indireta, toda a sociedade. O trem não se move sem a máquina.       

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