Os Desiguais.
(‘The Unequals’ – This text is written in a manner to ease
comprehensive electronic translations.)
Klaus H. G. Rehfeldt
Ultimamente, a desigualdade é recorrente em
estudos publicados, na mídia e nas redes sociais, com e sem objetivos políticos,
com e sem isenção. Embora possa ter várias facetas e formas de se manifestar, o
foco principal está na desigualdade socioeconômica. Fato unânime é a
caracterização das camadas menos providas de recursos como sendo aquelas que
abrigam os desiguais. É uma acepção sem qualquer questionamento. Os desiguais
são os noventa por cento da população que dispõem, por exemplo, de apenas cerca
da metade das riquezas de uma sociedade ou nação.
Se, no
entanto, avaliamos Beethoven ou Verdi e os milhões compositores menos dotados e
músicos ao redor do globo, Santos Dumont ou os irmãos Wright e os milhares de
construtores de carruagens e carroças da época, Bill Gates e outros milhões de
desenvolvedores de tecnologia da informação, ou, ainda, Jeff Bezos ou Jack Ma com
seus novos canais de comercialização e milhões de comerciantes tradicionais,
impõe-se uma pergunta: quem são os desiguais? Obviamente as pessoas citadas
pela simples constatação lógica de eles não encontrarem, ou haver apenas muito
poucos iguais a eles. Os iguais, ou semelhantes, são os outros bilhões. (Há
também os desiguais do mal, cujos nomes n~]ao merecem ser mencionados.)
E mais:
pioneiros são, em geral, os primeiros, e consequentemente os maiores beneficiários
de sua coragem e seu empenho – e dos ganhos de seu prodígio. E é bom que os
tenhamos sempre.
Talentos
excepcionais (de exceção) criam produtos excepcionais com efeitos excepcionais.
São aqueles dotados de mais sensibilidade artística, de espirito inventivo mais
desenvolvido, de maior perspicácia tecnológica, de maior tino comercial,
destaque que caracterizam sua desigualdade.
Com os faróis
apontados para as pessoas que de alguma maneira se destaquem do resto da
população desaparecem na sombra os resultados que beneficiam toda a humanidade.
O compositor, apesar do prazer pessoal sentido no seu trabalho, cria uma obra
para ser apreciada pelos outros, o inventor gera maiores facilidades de vida
para toda a humanidade, e o empresário, definitivamente, não guarda sacos de
dinheiro no porão, mas investe estimulando a prosperidade comum, especialmente
numa economia em que o dinheiro é mercadoria.
Beethoven forneceu
matéria prima a músicos, salas de concerto e as indústrias de produção musical
e de instrumentos musicais. A invenção da aeronave dispensa elucidações, como
também os benefícios proporcionados pela criação de sistemas de software. O
mesmo ocorre com os investimentos realizados com lucros gerados nas transações
econômicas decorrentes da simples existência de riquezas.
Falando
especificamente dos desiguais em termos de recursos materiais, é preciso
alertar para o fato, de que a ‘desigualdade’ não é um fenômeno estático, mas um
processo dinâmico temporal. Em outras palavras, No mundo digital, de mercados
globalizados, os desiguais, e os resultados de suas desigualdades, disparam na
frente do resto da população em velocidades crescentes, o que, obviamente,
aumenta rapidamente o distanciamento entre a ponta e a base da pirâmide de
distribuição de riquezas. Além disso é preciso observar que riquezas materiais
tendem, a partir de certo ponto, reproduzir-se numa dinâmica própria e sem
quaisquer esforço adicionais, apenas obedecendo a conduções adequadas na
movimentação dos recursos, ou seja, não se trata necessariamente de ganância
desenfreada. Obras filantrópicas desses desiguais provam isso.
Não se trata
aqui da defesa de um capitalismo desacerbado, muito menos do desprezo da
gravidade do infortúnio das populações menos prósperas ou mais carentes. Mas é
importante frisar que, mesmo com chances iguais de estudo e de preparação para
a vida, sempre haverá uma minoria de pessoas significativamente mais dotadas e mais
hábeis que outras com óbvias consequências econômicas e sociais mais
favoráveis. Fica a questão final: sob o vigor de um sistema tributário justo e
adequado, cabe à sociedade tolher o desenvolvimento dessas diferenças
individuas, ou inibir o aflorar dos resultados que daí brotam com a finalidade de
estabelecer uma igualdade para baixo, ou devemos tolerar, ou até estimular, o
livre desabrochar de talentos cujos sucessos e produtos acabam por beneficiar,
talvez primordialmente de forma indireta, toda a sociedade. O trem não se move
sem a máquina.
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