quinta-feira, 29 de outubro de 2020

Alfabetização ou Competência Social

 

Alfabetização ou Competência Social?

 

Klaus H. G. Rehfeldt

 

Os tempos mudaram, o homem mudou e consequentemente mudaram os requisitos na preparação para a vida. Novos desafios vêm se impondo já há algum tempo sem, no entanto, com poucas respostas concretas. Acidentalmente, todo o sistema educacional sofreu severos impactos e rupturas devido à pandemia do covid-19. Resultaram disso muitas tentativas de ajuste, algumas com perspectiva de se perpetuarem. Percebe-se um certo esforço em adaptar métodos e estratégias de ensino aos requisitos impostos e às facilidades oferecidas pela moderna civilização digital. Nada ou muito pouco, porém, se vê no sentido de uma reorientação dos conteúdos ensinados.

Isso cria realidades absolutamente desfavoráveis à formação da criança. O extremamente fácil e espontâneo acesso à informação, por exemplo, semeia e desenvolve na criança um conhecimento impensável até na geração passada, de um lado sintonizado com o nível de compreensão e interesse individual, de outro, bastante difuso e desorganizado. Não se observa qualquer preocupação com o ordenamento desse conhecimento no atual sistema educacional. Inadequações dessa ordem alimentam cada vez mais respostas como, por exemplo, o home-schooling (no Brasil praticamente desconhecido, onde os próprios país, na disponibilidade da devida orientação, assumem o ensino dos filhos).

Igualmente nas últimas décadas, cresceu constantemente o número de famílias com o casal ocupado profissionalmente, resultando numa progressiva terceirização da função familiar – especialmente no aspecto da formação de caráter e adequação comportamental – para a escola sem que ela estivesse preparada para tal. As consequências disso não demoraram a aparecer. Problemas de conflito de convivência, como intolerância, falta de respeito com colegas e professores, bullyimg e outros entraram no cotidiano escolar – sem encontrar respostas satisfatórias.

Essas duas realidades conjugadas apontam para a necessidade do desenvolvimento de Competência Social como primeiro conteúdo na vida escolar da criança. A competência social da pessoa resulta da combinação da inteligência social, que consiste na leitura e compreensão o meio social, com a responsabilidade social, que constitui-se das respostas sociais que resultam dessa compreensão. Em outras palavras, aprimorar uma apropriada interação social.

O desenvolvimento da inteligência social é um processo natural na formação da personalidade da pessoa desde a infância e é especialmente estimulado no momento em que a criança é inserida em meios sociais mais amplos como a creche ou escola. Mas é um processo que pode ser influenciado positiva ou negativamente. Por exemplo, a criança nasce sem medos ou preconceitos. A criação do medo age positivamente na construção de cautelas, por outro lado, alimentação de preconceitos contribui, entre outros efeitos, para a segregação e exclusão de indivíduos ou grupos. Percebe-se claramente a conveniência – talvez a necessidade – de facilitar na criança uma leitura social apropriada.

Por seu lado, a responsabilidade social, diferentemente do empirismo observado em grande parte das práticas do meio empresarial, é a tradução dos resultados dessa leitura em atos e atitudes socialmente corretos, aceitáveis e facilitadores. Aspectos centrais na constituição de responsabilidades sociais são o aprimoramento de uma comunicação clara e autoconfiante (onde o exemplo do educador tem um papel importante), a aceitação do erro (próprio e alheio, tanto no aspecto da responsabilidade quanto no da lição e do aprendizado), o lidar com diferenças e as consequentes críticas positivas ou negativas, bem como a evitação de conflitos, ou a aceitação de mudanças. No caso do universo infantil é preciso respeitar e realimentar as motivações espontâneas e a imensa capacidade criativa inata à criança.

 

A construção de uma consistente competência social como ponto de partida na vida escolar certamente assegurará uma convivência menos conflituosa para educadores e educandos e, por conseguinte, um aprendizado mais racional, eficiente e proveitoso. A posterior alfabetização e as primeiras continhas, com toda certeza, serão mais produtivas.

 

Nota:  Maiores detalhes sobre Competência Social poderão ser encontrados no livro: Rehfeldt, Klaus H. G., ‘Competência Social – A interação bem sucedida’, Amazon/Kindle, e-book     

 

sexta-feira, 23 de outubro de 2020

Vacinas

 Vacinas

 

Klaus H. G. Rehfeldt

 

Quem não conhece o passado não compreende o presente, muito menos consegue projetar um futuro.

Vacinas não são novidade como podíamos imaginar. Acredita-se que os experimentos com essa técnica começaram na China (talvez na Índia) já em torno de 200 a.C. Médicos chineses selecionaram pessoas com casos leves de varíola para obter uma proteção imunizante, removendo nos infectados crostas das marcas da doença. Os pedaços foram moídos em pó e inseridos no nariz da pessoa a ser imunizada. Uma ‘vacina’ que nunca saiu da Ásia e se perdeu nos tempo.

Na medicina mais moderna, porém, os médicos na Europa viam-se até o século XIX geralmente impotentes contra as epidemias generalizadas e recorrentes. Uma dessas doenças infecciosas generalizadas era a varíola, que matou cerca de 30% dos afetados ou deixou os sobreviventes frequentemente desfigurados por cicatrizes. Por outro lado, percebeu-se cedo que pessoas uma vez infectadas se tornaram imunes contra novos contágios. Esse conhecimento e outras suspeitas na mesma direção se tornariam a base para todos os trabalhos futuros em busca de imunizações.

Tais esforços eram desenvolvidos por médicos que dedicaram longos e longos anos a estudos, pesquisas, reformulações e recomeços, enfrentando riscos e fracassos paricias até chegar a resultados positivos. Edward Jenner, Theodor C. Eulner, Louis Pasteur, Roberto Koch, para citar apenas alguns nomes, empenharam-se por décadas até vir seus esforços coroados de êxito com as respostas positivas em seus pacientes. Doenças como difteria, raiva, tuberculose, tétano, entre outras tantas, puderam então ser evitadas mediante imunizações prévias. Iniciarem-se vacinações em grande escala resultando na exterminação de muitos flagelos históricos.

Embora as pesquisas pessoais continuassem, como no caso de Jonas Salk e Albert Sabin na busca da vacina contra a paralisia infantil, surgiram no século XX os grandes laboratórios farmacêuticos. Esforços individuais, até então orientados principalmente pelo serviço à ciência e o bem estar humano, passaram a ser desenvolvidos no modelo de laboratório industrial de forma programada e estruturada com o fim primordial de gerar lucros. Com isso, não apenas medicamentos, mas também vacinas puderam ser criados, produzidos e testados em tempos mais curtos e em grandes quantidades. Embora algumas pesquisas virais, como a da imunização contra o ebola, continuem sem resultados satisfatórios a décadas, tecnologias avançadas permitem hoje a criação de vacinas em questão de meses, como no caso do imunizante contra a gripe H1N1, ou do covid-19, com 160 laboratórios em todo mundo se empenhando paralelamente na descoberta, criação e produção da vacina mais eficiente. Curiosamente, grandes indústrias farmacêuticas surgiram em épocas recentes exatamente em locais que, há milhares de anos, eram palco de trabalhos pioneiros nesse ramo, a Índia e a China.

Sempre houve ao longo da história resistências contra a aplicação de vacinas, provindo das mais diversas origens como igrejas ou convicções pessoais, mas também de próprias áreas médicas, ou oriundas da ignorância popular, como ocorrido em 1904 no Rio de Janeiro (a Revolta da Vacina) contra a vacina da varíola, ou ainda da incompreensível discriminação da origem de vacinas, priorizando posições ideológicas sobre questões de saúde da própria população. Entretanto, por conhecimento dos benefícios ou puro bom senso, a grande maioria das populações tem aderido à vacinações de toda ordem, em proteção própria e do próximo.  

sexta-feira, 16 de outubro de 2020

China

 China

 

(“China” – This text was written in a way to ease comprehensive electronic translations)

 

Klaus H. G. Rehfeldt

 

Muito se discuta sobre o poder econômico e político da China na atualidade sob um aspecto central: a ameaça comunista que ela representa para o mundo. Uma argumentação, nem sempre baseado em maiores conhecimentos sobre esse pais.

A China já existiu como País do Meio nos tempos da guerra de Troia. Já fornecia seda para as damas do Império Romano através da Estrada da Seda de 6.400 quilómetros e viagens que levavam até dois anos. Existia na penumbra da história durante séculos até ser redescoberta com a expansão das rotas marítimas. Governos autocráticos fracos e corruptos permitiram uma colonização sui generis por parte da França, Inglaterra, Alemanha, dos Estados Unidos e do Japão. Enquanto persistia a nação politicamente independente, a ‘economia’ passou a ser realizada completamente por tais países, inclusive sob a legislação dos mesmos. Nos séculos 18 e 19, grandes partes do território chinês foram desmembradas e transformadas em territórios ultramarinos. Com direitos amputados no próprio país, a população, predominantemente agrícola, foi deixada numa pobreza extrema. Exemplo do grau de humilhação do povo chinês foi a praça no centro de Shanghai, frente ao Banco da China, ‘vedada a cachorros e chineses”.

 Com o fim da segunda guerra mundial e da ocupação japonesa surgiu um sentimento nacionalista forte e amplo. Novas lideranças políticas substituíram o regime imperial e na absoluta ausência de ativos públicos e privados, a venda do ideal comunista encontrou eco favorável no país e foi adotado como matriz política, até mesmo porque somente uma capitalização do estado oferecia chances de algum desenvolvimento. Não foi o modelo de comunismo russo envolvendo a demolição de uma estrutura social (embora precária), inexistente na China de então. Além disso, os causadores da situação calamitosa eram estrangeiros, o que muito contribuiu para um nacionalismo emergente, o que num regime socialista mais resultou em nacional-socialismo (o termo foi inviabilizado pela sua aplicação no Terceiro Reich) do que em comunismo na sua concepção clássica.

Levou algumas décadas para a constituição – com muito sacrifício para a população – de um capital de Estado suficientemente consistente para iniciar a realização de investimentos que permitissem uma nova realidade econômica direcionada para a formação de infraestruturas e a industrialização do país e que em curto espaço de tempo redundou num novo modelo de regime: uma nação, dois sistemas, onde o estado ‘comunista’ convive com uma economia de mercado, e isso com muito sucesso.

Há efetivas máculas inerentes a governos autoritários (violação de direitos humanos, intolerância a manifestações críticas, etc.) que merecem ser questionadas, mas o enfrentamento desses problemas é assunto estritamente interno da China.

O desconhecimento de todo esse passado e da história recente do país leva fatalmente a juízos falsos e conclusões equivocadas. Capitalismo e socialismo convergem cada vez mais para uma síntese social-capitalista. As economias capitalistas de mercado abrem-se cada vez mais para iniciativas em busca de melhorias sociais e regimes socialistas gradualmente incorporam princípios da livre iniciativa capitalista, e observa-se uma clara diluição nas frentes ideológicas.

Diferentemente da União Soviética na guerra fria, a China não tem qualquer interesse em ter o comunismo em sua agende de exportação. Seu único objetivo é firmar-se e expandir suas posições no mercado mundial e consolidar seu poder político, seguindo estratégias precisamente planejadas e executadas, sabidamente com muita frieza, energia e determinação. Atitudes consequentes sem concessões. “China first”, mas discretamente. Com condições geopolíticas para tal, o alcance de uma futura hegemonia mundial é mera consequência e segue a lei histórica da alternação dessa posição. No passado, tais mudanças eram causa ou consequência de conflitos bélicos, um cenário altamente improvável em nossos tempos. Alguém sempre estará na ponta. A forma de governo pouco influi nisso.

Fica evidente, assim, a inutilidade de querer refrear ou até impedir um processo evolutivo solidamente configurado. Ao contrário, cabe reconhecer essa realidade e estudar o quanto antes as formulas que permitam a melhor forma de convivência com novas realidades de política e economia internacional, garantindo progresso e prosperidade dentro da nova situação factual.

A China garantiu sua posição como player poderoso no mercado global com o qual a conciliação de interesses mútuos é essencial. O ‘nacional-comunismo chinês’ é antes de mais nada uma assunto interno da China. Divergências ideológicas são absolutamente secundárias, jamais devendo interferir num relacionamento respeitoso, pragmático e proveitosa entre as nações.          

 

segunda-feira, 12 de outubro de 2020

Demografia e Prosperidade

Demografia e Prosperidade

(‘Demographics and Prosperity’ - This text was written in a way to ease comprehensive electronic translations)

 

Klaus H. G. Rehfeldt

 

Durante muito tempo da civilização humana, preponderantemente agrícola, a prosperidade da família dependia fortemente do tamanho da família. A riqueza da família, mas também do grupo, consistia na grande quantidade de filhos, na verdade, acompanhada de expressivos índices de mortandade infantil. Em tempos em que toda a energia provinha das mão do homem, eventualmente reforçada com a tração animal, mesmo o trabalho infantil produzia mais do que consumia. As populações cresciam a taxas em torno de 3% ao ano devido a também elevadas taxas de mortandade na média idade decorrentes de epidemias, fenômenos naturais e guerras. Resultavam daí baixas expectativas de vida.

Essa realidade perdurou até a invenção de nova fontes de energia e o surgimento de mais avançadas modalidades de ganho do sustento com a figura do assalariado, de oportunidades e modos de vida, mas especialmente de uma profunda mudança nos padrões sanitários e medicinais. Observa-se uma radical evolução de recursos existenciais pela disponibilidade de meios para uma vida em crescente prosperidade. De geração a geração aumenta a prosperidade e a conjuntura caminha em direção ao consumismo.

O que não mudou foi o modelo familiar com numerosos filhos, agora com taxas mais reduzidas de mortandade infantil e absorção da disponibilidade de mão-de-obra pelas atividades industriais em plena expansão. O avanço tecnológico serviu de combustível para uma economia de consumo cada vez mais intenso e extenso.

A combinação de dois fatores, na verdade interligados, causaram uma ruptura na evolução demográfica até aqui observada: uma disposição inusitada na mulher em buscar uma melhor educação e vontade de participar ativamente no mercado de trabalho, e o surgimento da pílula que permitiu um planejamento familiar beneficiando essa iniciativa.

As consequência não demoraram a aparecer. No curto espaço de duas gerações, as netas de avós com 6 filhos tiveram somente 2 ou apenas 1 filho. Um estudo longitudinal em 195 países (praticamente a nível mundial) de 1950 a 2019 concluiu que a taxa média de fecundidade despencou de 4,7 para 2,4 filhos por mulher, e em quase metade desses países essa taxa caiu para menos de 2 filhos, ou seja, abaixo da taxa de reposição da população (Brasil, 1,7 filho por mulher).

Por outro lado aumentou a expectativa de vida média mundial desde 1960 de 52,6 para atuais 72 anos, com valor máxima de 83 anos no Japão (Brasil, 76 anos). No entanto, o aumento da expectativa de vida não resulta apenas do prolongamento da vida dos idosos, mas também a meia idade ganha em extensão, incrementando a produtividade de vida das pessoas.

É importante notar, porém, que ambas as evoluções têm limite: a taxa de fertilidade deverá se estabelecer ao redor de 1,5 filho por mulher, e a expectativa de vida (hoje já fortemente sustentada por meios medicinais) dificilmente deverá ir muito além dos 90 anos por simples determinação biológica. Quanto mais a humanidade se aproximar desses valores, maior será o restabelecimento de um equilíbrio entre nascimentos e mortes, porém, com clara e inexorável queda da população.

Isso é ruim? Tudo indica que não. Numa economia de consumo, obviamente um crescimento negativo da população obviamente se traduz em consumo menor de bens e serviços, mas também de recursos e matérias primas, consequentemente de produção menor e – redução da mão-de-obra. Essa redução, entretanto, será compensado tanto pela diminuição da população, quanto pela automação e robotização das atividades já em curso, embora não se saiba hoje em que grau tal compensação se dará.

Outrossim, a transferência de bens para gerações cada vez menores resulta em natural aumento de patrimônio. Enquanto tradicionalmente o patrimônio dos pais era retalhado na distribuição entre 4, 5 ou mais filhos, com uma taxa de fertilidade abaixo de dois filhos por mulher haverá uma concentração de patrimônio acumulado com o trabalho de gerações anteriores.

No plano coletivo, futuras gerações encontrarão uma já existente infraestrutura, beneficiando uma população cada vez menor, assim proporcionando maior conforto em usá-la. Isso terá efeitos expressivos, por exemplo, na educação e formação das próximas gerações, mas também na qualidade de vida geral.

A perspectiva é essa: viver no Brasil daqui a uma geração com talvez 10 milhões a menos de habitantes, mas com toda a riqueza construída nesse período e anteriormente. Uma projeção animadora!

 

sábado, 3 de outubro de 2020

Do Acaso ao Ocaso?

 Do Acaso ao Ocaso?

 

(‘From Chance to Doom?’ - This text was written in a way to ease comprehensive electronic translations)

 

Klaus H. G. Rehfeldt

 

Incontáveis acasos e caprichos da natureza encontram-se na origem das condições ‘geotípicas’ que fazem da Terra o que ela é – ou poderia ser. Acasos meramente cósmicos ou venturas do livro de Genesis, não importa, somos obrigados a concordar que nosso planeta possui características e particularidades extremamente complexas, abstrusas, específicas e improváveis de replicação nesse imenso universo, ainda mais cronologicamente coincidentes.

Aleatoriedades causadoras de outras casualidades. Entre incontáveis corpos celestes, encontramo-nos num planeta girando, por acaso cósmico, numa órbita razoavelmente precisa (sofremos um afastamento do sol de cerca de três metros por ano) que garante a manutenção da oscilação de temperatura numa minúscula faixa de poucas dezenas de graus (em constante relação mútua entre os hemisférios) num espectro possível do zero absoluto a 5.500 graus Celsius na superfície do sol, ou aos cerca 1032 graus Celsius na hora do Big Bang.

Faz parte desse acaso cósmico a própria massa exata necessária para segurar sua atmosfera numa densidade a permitir as condições climáticas em parâmetros restritos, como a limitadíssima faixa barométrica.

Nesse mesmo planeta, por um acaso químico-físico, entre inúmeros gases que possam formar qualquer atmosfera planetária, apenas uma sensível composição de 78,09% de nitrogênio, 20,95% de oxigênio, 0,93% de argônio, 0,039% de gás carbônico e pequenas quantidades de outros gases viabiliza e assegura a existência da flora e fauna existente. Um pequeno aumento da participação de oxigênio nessa atmosfera para 27% cobriria esse mundo de combustões espontâneas.

Entre inúmeras disponibilidades, possibilidades e eventualidades, por um acaso biológico, determinadas matérias orgânicos se combinaram para formar estruturas com vida temporária e a capacidade de sua reprodução. Por um acaso geográfico, os 70% de superfície de água asseguram o contínuo ciclo de circulação da água que mantém vivo o delicado e intrincado conjunto de fauna e flora, cuja subsistência resulta da delicada interdependência. Esses são apenas alguns de inúmeros acasos e eventualidades que compõem as propriedades e peculiaridades específicas do nosso mundo.

O maior acaso, no entanto, é o tênue equilíbrio interno e entre um enorme conjunto de fenômenos casuais, bem como a sintonia entre os mesmo. O acaso mais sério, por outro lado, seria o rompimento desse equilíbrio, seja por casuais mudanças de fatores ‘geotípicas’, seja pela ação ou contribuição irresponsáveis do maior predador sobre este planeta, cuja maioria vive numa redoma urbana de desato, indiferença e despreocupação com o mundo – talvez não por acaso – vivo e animado. O resultado seria uma aniquilação em série de todos acasos e suas consequências - um caos, o ocaso. E não haveria ninguém para redigir o epílogo ao livro de Genesis.