Demografia e Prosperidade
(‘Demographics and Prosperity’ - This text was written in a way to
ease comprehensive electronic translations)
Klaus H. G. Rehfeldt
Durante
muito tempo da civilização humana, preponderantemente agrícola, a prosperidade
da família dependia fortemente do tamanho da família. A riqueza da família, mas
também do grupo, consistia na grande quantidade de filhos, na verdade,
acompanhada de expressivos índices de mortandade infantil. Em tempos em que
toda a energia provinha das mão do homem, eventualmente reforçada com a tração
animal, mesmo o trabalho infantil produzia mais do que consumia. As populações
cresciam a taxas em torno de 3% ao ano devido a também elevadas taxas de
mortandade na média idade decorrentes de epidemias, fenômenos naturais e guerras.
Resultavam daí baixas expectativas de vida.
Essa realidade perdurou até a invenção de
nova fontes de energia e o surgimento de mais avançadas modalidades de ganho do
sustento com a figura do assalariado, de oportunidades e modos de vida, mas
especialmente de uma profunda mudança nos padrões sanitários e medicinais. Observa-se
uma radical evolução de recursos existenciais pela disponibilidade de meios
para uma vida em crescente prosperidade. De geração a geração aumenta a
prosperidade e a conjuntura caminha em direção ao consumismo.
O que não mudou foi o modelo familiar com
numerosos filhos, agora com taxas mais reduzidas de mortandade infantil e
absorção da disponibilidade de mão-de-obra pelas atividades industriais em
plena expansão. O avanço tecnológico serviu de combustível para uma economia de
consumo cada vez mais intenso e extenso.
A combinação de dois fatores, na verdade
interligados, causaram uma ruptura na evolução demográfica até aqui observada:
uma disposição inusitada na mulher em buscar uma melhor educação e vontade de
participar ativamente no mercado de trabalho, e o surgimento da pílula que
permitiu um planejamento familiar beneficiando essa iniciativa.
As consequência não demoraram a aparecer. No
curto espaço de duas gerações, as netas de avós com 6 filhos tiveram somente 2
ou apenas 1 filho. Um estudo longitudinal em 195 países (praticamente a nível
mundial) de 1950 a 2019 concluiu que a taxa média de fecundidade despencou de
4,7 para 2,4 filhos por mulher, e em quase metade desses países essa taxa caiu
para menos de 2 filhos, ou seja, abaixo da taxa de reposição da população
(Brasil, 1,7 filho por mulher).
Por outro lado aumentou a expectativa de vida
média mundial desde 1960 de 52,6 para atuais 72 anos, com valor máxima de 83
anos no Japão (Brasil, 76 anos). No entanto, o aumento da expectativa de vida
não resulta apenas do prolongamento da vida dos idosos, mas também a meia idade
ganha em extensão, incrementando a produtividade de vida das pessoas.
É importante notar, porém, que ambas as
evoluções têm limite: a taxa de fertilidade deverá se estabelecer ao redor de
1,5 filho por mulher, e a expectativa de vida (hoje já fortemente sustentada
por meios medicinais) dificilmente deverá ir muito além dos 90 anos por simples
determinação biológica. Quanto mais a humanidade se aproximar desses valores,
maior será o restabelecimento de um equilíbrio entre nascimentos e mortes,
porém, com clara e inexorável queda da população.
Isso é ruim? Tudo indica que não. Numa
economia de consumo, obviamente um crescimento negativo da população obviamente
se traduz em consumo menor de bens e serviços, mas também de recursos e
matérias primas, consequentemente de produção menor e – redução da mão-de-obra.
Essa redução, entretanto, será compensado tanto pela diminuição da população,
quanto pela automação e robotização das atividades já em curso, embora não se
saiba hoje em que grau tal compensação se dará.
Outrossim, a transferência de bens para
gerações cada vez menores resulta em natural aumento de patrimônio. Enquanto
tradicionalmente o patrimônio dos pais era retalhado na distribuição entre 4, 5
ou mais filhos, com uma taxa de fertilidade abaixo de dois filhos por mulher
haverá uma concentração de patrimônio acumulado com o trabalho de gerações
anteriores.
No plano coletivo, futuras gerações encontrarão
uma já existente infraestrutura, beneficiando uma população cada vez menor, assim
proporcionando maior conforto em usá-la. Isso terá efeitos expressivos, por
exemplo, na educação e formação das próximas gerações, mas também na qualidade
de vida geral.
A perspectiva é essa: viver no Brasil daqui a
uma geração com talvez 10 milhões a menos de habitantes, mas com toda a riqueza
construída nesse período e anteriormente. Uma projeção animadora!
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