China
(“China” – This
text was written in a way to ease comprehensive electronic translations)
Klaus H. G. Rehfeldt
Muito
se discuta sobre o poder econômico e político da China na atualidade sob um
aspecto central: a ameaça comunista que ela representa para o mundo. Uma
argumentação, nem sempre baseado em maiores conhecimentos sobre esse pais.
A China já existiu como País do Meio nos
tempos da guerra de Troia. Já fornecia seda para as damas do Império Romano
através da Estrada da Seda de 6.400 quilómetros e viagens que levavam até dois
anos. Existia na penumbra da história durante séculos até ser redescoberta com
a expansão das rotas marítimas. Governos autocráticos fracos e corruptos permitiram
uma colonização sui generis por parte
da França, Inglaterra, Alemanha, dos Estados Unidos e do Japão. Enquanto
persistia a nação politicamente independente, a ‘economia’ passou a ser
realizada completamente por tais países, inclusive sob a legislação dos mesmos.
Nos séculos 18 e 19, grandes partes do território chinês foram desmembradas e
transformadas em territórios ultramarinos. Com direitos amputados no próprio
país, a população, predominantemente agrícola, foi deixada numa pobreza
extrema. Exemplo do grau de humilhação do povo chinês foi a praça no centro de
Shanghai, frente ao Banco da China, ‘vedada a cachorros e chineses”.
Com o
fim da segunda guerra mundial e da ocupação japonesa surgiu um sentimento
nacionalista forte e amplo. Novas lideranças políticas substituíram o regime
imperial e na absoluta ausência de ativos públicos e privados, a venda do ideal
comunista encontrou eco favorável no país e foi adotado como matriz política, até
mesmo porque somente uma capitalização do estado oferecia chances de algum desenvolvimento.
Não foi o modelo de comunismo russo envolvendo a demolição de uma estrutura
social (embora precária), inexistente na China de então. Além disso, os
causadores da situação calamitosa eram estrangeiros, o que muito contribuiu para
um nacionalismo emergente, o que num regime socialista mais resultou em
nacional-socialismo (o termo foi inviabilizado pela sua aplicação no Terceiro
Reich) do que em comunismo na sua concepção clássica.
Levou algumas décadas para a constituição –
com muito sacrifício para a população – de um capital de Estado suficientemente
consistente para iniciar a realização de investimentos que permitissem uma nova
realidade econômica direcionada para a formação de infraestruturas e a industrialização
do país e que em curto espaço de tempo redundou num novo modelo de regime: uma
nação, dois sistemas, onde o estado ‘comunista’ convive com uma economia de
mercado, e isso com muito sucesso.
Há efetivas máculas inerentes a governos
autoritários (violação de direitos humanos, intolerância a manifestações
críticas, etc.) que merecem ser questionadas, mas o enfrentamento desses
problemas é assunto estritamente interno da China.
O desconhecimento de todo esse passado e da
história recente do país leva fatalmente a juízos falsos e conclusões
equivocadas. Capitalismo e socialismo convergem cada vez mais para uma síntese
social-capitalista. As economias capitalistas de mercado abrem-se cada vez mais
para iniciativas em busca de melhorias sociais e regimes socialistas gradualmente
incorporam princípios da livre iniciativa capitalista, e observa-se uma clara
diluição nas frentes ideológicas.
Diferentemente da União Soviética na guerra
fria, a China não tem qualquer interesse em ter o comunismo em sua agende de
exportação. Seu único objetivo é firmar-se e expandir suas posições no mercado
mundial e consolidar seu poder político, seguindo estratégias precisamente
planejadas e executadas, sabidamente com muita frieza, energia e determinação. Atitudes
consequentes sem concessões. “China first”, mas discretamente. Com condições
geopolíticas para tal, o alcance de uma futura hegemonia mundial é mera
consequência e segue a lei histórica da alternação dessa posição. No passado,
tais mudanças eram causa ou consequência de conflitos bélicos, um cenário
altamente improvável em nossos tempos. Alguém sempre estará na ponta. A forma
de governo pouco influi nisso.
Fica evidente, assim, a inutilidade de querer
refrear ou até impedir um processo evolutivo solidamente configurado. Ao
contrário, cabe reconhecer essa realidade e estudar o quanto antes as formulas
que permitam a melhor forma de convivência com novas realidades de política e
economia internacional, garantindo progresso e prosperidade dentro da nova
situação factual.
A China garantiu sua posição como player
poderoso no mercado global com o qual a conciliação de interesses mútuos é
essencial. O ‘nacional-comunismo chinês’ é antes de mais nada uma assunto
interno da China. Divergências ideológicas são absolutamente secundárias,
jamais devendo interferir num relacionamento respeitoso, pragmático e proveitosa
entre as nações.
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