sábado, 3 de outubro de 2020

Do Acaso ao Ocaso?

 Do Acaso ao Ocaso?

 

(‘From Chance to Doom?’ - This text was written in a way to ease comprehensive electronic translations)

 

Klaus H. G. Rehfeldt

 

Incontáveis acasos e caprichos da natureza encontram-se na origem das condições ‘geotípicas’ que fazem da Terra o que ela é – ou poderia ser. Acasos meramente cósmicos ou venturas do livro de Genesis, não importa, somos obrigados a concordar que nosso planeta possui características e particularidades extremamente complexas, abstrusas, específicas e improváveis de replicação nesse imenso universo, ainda mais cronologicamente coincidentes.

Aleatoriedades causadoras de outras casualidades. Entre incontáveis corpos celestes, encontramo-nos num planeta girando, por acaso cósmico, numa órbita razoavelmente precisa (sofremos um afastamento do sol de cerca de três metros por ano) que garante a manutenção da oscilação de temperatura numa minúscula faixa de poucas dezenas de graus (em constante relação mútua entre os hemisférios) num espectro possível do zero absoluto a 5.500 graus Celsius na superfície do sol, ou aos cerca 1032 graus Celsius na hora do Big Bang.

Faz parte desse acaso cósmico a própria massa exata necessária para segurar sua atmosfera numa densidade a permitir as condições climáticas em parâmetros restritos, como a limitadíssima faixa barométrica.

Nesse mesmo planeta, por um acaso químico-físico, entre inúmeros gases que possam formar qualquer atmosfera planetária, apenas uma sensível composição de 78,09% de nitrogênio, 20,95% de oxigênio, 0,93% de argônio, 0,039% de gás carbônico e pequenas quantidades de outros gases viabiliza e assegura a existência da flora e fauna existente. Um pequeno aumento da participação de oxigênio nessa atmosfera para 27% cobriria esse mundo de combustões espontâneas.

Entre inúmeras disponibilidades, possibilidades e eventualidades, por um acaso biológico, determinadas matérias orgânicos se combinaram para formar estruturas com vida temporária e a capacidade de sua reprodução. Por um acaso geográfico, os 70% de superfície de água asseguram o contínuo ciclo de circulação da água que mantém vivo o delicado e intrincado conjunto de fauna e flora, cuja subsistência resulta da delicada interdependência. Esses são apenas alguns de inúmeros acasos e eventualidades que compõem as propriedades e peculiaridades específicas do nosso mundo.

O maior acaso, no entanto, é o tênue equilíbrio interno e entre um enorme conjunto de fenômenos casuais, bem como a sintonia entre os mesmo. O acaso mais sério, por outro lado, seria o rompimento desse equilíbrio, seja por casuais mudanças de fatores ‘geotípicas’, seja pela ação ou contribuição irresponsáveis do maior predador sobre este planeta, cuja maioria vive numa redoma urbana de desato, indiferença e despreocupação com o mundo – talvez não por acaso – vivo e animado. O resultado seria uma aniquilação em série de todos acasos e suas consequências - um caos, o ocaso. E não haveria ninguém para redigir o epílogo ao livro de Genesis.

 

 

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