Do Acaso ao Ocaso?
(‘From Chance to Doom?’ - This text was written in a way to ease comprehensive electronic
translations)
Klaus H. G. Rehfeldt
Incontáveis acasos e caprichos da natureza
encontram-se na origem das condições ‘geotípicas’ que fazem da Terra o que ela
é – ou poderia ser. Acasos meramente cósmicos ou venturas do livro de Genesis,
não importa, somos obrigados a concordar que nosso planeta possui
características e particularidades extremamente complexas, abstrusas,
específicas e improváveis de replicação nesse imenso universo, ainda mais
cronologicamente coincidentes.
Aleatoriedades causadoras de outras casualidades.
Entre incontáveis corpos celestes, encontramo-nos num planeta girando, por
acaso cósmico, numa órbita razoavelmente precisa (sofremos um afastamento do
sol de cerca de três metros por ano) que garante a manutenção da oscilação de
temperatura numa minúscula faixa de poucas dezenas de graus (em constante
relação mútua entre os hemisférios) num espectro possível do zero absoluto a 5.500
graus Celsius na superfície do sol, ou aos cerca 1032 graus Celsius
na hora do Big Bang.
Faz parte desse acaso cósmico a própria massa exata
necessária para segurar sua atmosfera numa densidade a permitir as condições
climáticas em parâmetros restritos, como a limitadíssima faixa barométrica.
Nesse mesmo planeta, por um acaso químico-físico,
entre inúmeros gases que possam formar qualquer atmosfera planetária, apenas
uma sensível composição de 78,09% de nitrogênio,
20,95% de oxigênio,
0,93% de argônio,
0,039% de gás carbônico e
pequenas quantidades de outros gases viabiliza e assegura a existência da flora
e fauna existente. Um pequeno aumento da participação de oxigênio nessa
atmosfera para 27% cobriria esse mundo de combustões espontâneas.
Entre inúmeras disponibilidades, possibilidades e
eventualidades, por um acaso biológico, determinadas matérias orgânicos se
combinaram para formar estruturas com vida temporária e a capacidade de sua
reprodução. Por um acaso geográfico, os 70% de superfície de água asseguram o
contínuo ciclo de circulação da água que mantém vivo o delicado e intrincado
conjunto de fauna e flora, cuja subsistência resulta da delicada
interdependência. Esses são apenas alguns de inúmeros acasos e eventualidades que
compõem as propriedades e peculiaridades específicas do nosso mundo.
O maior acaso, no entanto, é o tênue equilíbrio interno e
entre um enorme conjunto de fenômenos casuais, bem como a sintonia entre os
mesmo. O acaso mais sério, por outro lado, seria o rompimento desse equilíbrio,
seja por casuais mudanças de fatores ‘geotípicas’, seja pela ação ou
contribuição irresponsáveis do maior predador sobre este planeta, cuja maioria
vive numa redoma urbana de desato, indiferença e despreocupação com o mundo –
talvez não por acaso – vivo e animado. O resultado seria uma aniquilação em
série de todos acasos e suas consequências - um caos, o ocaso. E não haveria
ninguém para redigir o epílogo ao livro de Genesis.
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