Comunismo? Até Parece.
(“Communism?
As if.” - This text is written in a way to ease comprehensive
electronic translations)
Klaus
H. G. Rehfeldt
O
comunismo é uma concepção – entre outras – de como as pessoas poderiam ou
deveriam viver no futuro. O comunista acredita que seria mais justo se todas as
coisas importantes, especialmente recursos naturais, bens de produção e
distribuição, fossem bens coletivos. Então não haveria mais pobres, nem ricos e
nem guerras.
Trata-se uma forma utópica de estado na qual não há
propriedade privada e toda a propriedade pertence a todos sob a tutela do
estado. O conceito remonta aos escritos de Karl Marx e Friedrich Engels. No
entanto, os sistemas de estado e governo que emergiram de suas teorias, como a
União Soviética e as numerosas nações sob sua influência – ou domínio –
política e econômica revelaram-se como inviáveis e não conseguiram sobreviver.
Vale lembrar que nenhum desses regimes resultou de eleições livres, suas
implantações sempre resultando de movimentos revolucionários e nenhum deles
jamais funcionou em moldes efetivamente democráticos.
Atualmente, apenas
cinco países autodefinidos como comunistas permanecem. O maior deles é a China,
com 1,3 bilhão de habitantes,
que, no entanto, desde a década de 1980 tem perseguido uma política de reformas e
abertura. Sob a caracterização de ‘um país, dois sistemas’, a economia de mercado opera basicamente
de acordo com os métodos capitalistas. Politicamente cultiva-se a ideologia
comunista, que, porém, só serve para preservar a ditadura do Partido Comunista.
No seu vizinho, o Vietnã, com seu Partido Comunista
desde 1930 (ainda na luta contra o poder colonial da França), o Norte comunista
venceu o regime do Sul, apoiado pelos EUA, e desde 1975 governa o país
reunificado. A partir de 1986, reformas baseadas na economia de mercado
encontram-se em vigor.
O Laos, vizinho pobre do Vietnã, também ex-colônia francesa e
depois refúgio das forças comunistas vietnamitas, foi invadido pelo Vietnã,
sofrendo a instalação do regime comunista em 1975. Passou a viver as mesmas
reformas em direção à economia de mercado do Vietnã.
A também vizinha da China, Coreis do Norte, resultou da divisão da antiga Coreia, em 1948,
conforme os interesses geopolíticos dos Estados Unidos e da União Soviética.
Durante décadas viveu sob o guarda-chuva político e econômico da União
Soviética e da China. Em 2009, retirou todas as referências ao
comunismo de sua constituição, mas continua um regime unipartidário com o
Partido dos Trabalhadores, com raízes no antigo Partido Comunista. Apesar da riqueza mineral, o
país enfrenta vários problemas de ordem socioeconômica, buscando soluções na
adaptação à economia de mercado.
Único país comunista fora da Ásia, Cuba voltou-se para esse
regime depois da revolução de 1959 e buscou proteção econômica e
militar da União Soviética contra o vizinho capitalista, os Estados Unidos, que
anteriormente tinham grande influência na ilha. A partir de 2006, sob o comando
de Raul Castro, Cuba vem tentando reformas de liberação econômica para
impulsionar a economia doente do país.
Percebe-se claramente que todos os países mencionados,
originalmente de rígida estrutura política comunista, abriram mão da essência
socioeconômica desse ideário, unicamente preservando o regime político
unipartidário e totalitário, agora sem ideologia e travestido de democracia. Na
verdade, transformaram-se em ditaduras, até dinásticas, como na Coreia do
Norte, tentando competir na economia de mercado globalizada. A igualdade
econômica e social encontra-se concentrada na pobreza, exatamente aquela
população que o comunismo visava beneficiar.
200 anos após seu surgimento, os escritos de Karl Marx continuam
fundamentando princípios ideológicos, porém, com uma leitura de cunho
antirrevolucionário e, em busca de harmonização com realidades econômicas
atuais, sua atemporalidade ficará sacrificada.
O comunismo sucumbiu no confronto com o capitalismo, mas deu vida
ao seu filho menos radical e mais flexível: o socialismo em suas várias
nuances.
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