Homo Migrans
(“Homo Migrans” - This text is written in a way to ease
comprehensive electronic translation)
Klaus H. G. Rehfeldt
Migrar é uma
caraterística de grande número de espécies da nossa fauna. São migrações
periódicas determinadas pelas estações do ano e pela busca de alimento em
épocas de escassez, e outras de caráter permanente na forma de expansão de
habitat em direção do desconhecido. O homem faz parte desse segundo grupo.
A partir de sua provável origem no centro-leste africano expandiu –se
por todo continente africano, para em seguida movimentar-se em direção à Ásia,
Europa, Oceania e América (através do Estreito de Berimg). Foi um processo que
decorreu de fatos concretos como o aumento de sua população e do crescente
domínio de armas e utensílios, mas também por fatores próprios da espécie como
fantasia, curiosidade e determinação de alguns indivíduos. Em geral tratava-se
da ocupação de espaços adjacentes em ritmo extremamente lento de poucos
quilômetros por ano. Outras vezes, o avanço podia ser mais longo em
consequência de fenômenos catastróficos como secas, enchentes ou mera escassez
de comida. Não sabemos até que ponto existia uma necessidade de simplesmente avançar
ou de procurar por algum lugar ideal, um Jardim do Éden.
Em momentos posteriores, as migrações deixaram de consistir em apenas expandir-se
sobre terras virgens e assumiram o caráter de conquista de terras já ocupadas
pelo homem, seja do homem de Neandertal pelo sapiens, seja de terras eurasianas
por povos asiáticos já na Era Cristã. Na história mais recente, novas migrações
maciças de conquista deram-se na medida em que novas terras foram colonizadas,
como, por exemplo, os Continentes Africano e Americano, subjugando as
populações indígenas.
Um aspecto, porém, é onipresente em todas as migrações, sejam elas de
mera ocupação de espaços vazios, seja de forma violenta: o risco do perigo do incógnito.
Travessias de cadeias de montanhas, de desertos, de rios ou banhados, mas
também faunas floras desconhecidos cobravam seu preço em bens e vidas. Quando,
então, eram movimentos de conquista de territórios já ocupados pelo homem, a
morte estava sempre presente. Mesmo o próprio percurso migratório nesses casos cobrava
seus tributos. Milhares de migrantes pereceram antes de chegar a seus destinos
em naufrágios, ou epidemias a bordo dos veleiros e navios a vapor nos séculos
18 e 19. E chegando lá, os migrantes tiveram de enfrentar os habitantes
originais do novo mundo, ou a cobiça de semelhantes em terras sem lei. É
difícil afirmar até onde esses migrantes, aliciados ou não, rinham conhecimento
desses perigos e riscos, mas certamente não devem tê-los totalmente ignorados.
Mas, e é isso que conta, a grande maioria das pessoas que se empenharam nessa
aventura, de uma ou de outra forma, foi bem-sucedida – e serviu de estímulos a novos
movimentos. Foram milhões de destinos tomados nas próprias mãos, para o bem e
para o mal, e mudados por esperanças inquebrantável e decisões corajosas.
A disposição para migra em busca de uma vida melhor em outras plagas
sempre fez, e continua fazendo parte da natureza humana. E nos dias atuais, a
fantasia e a imaginação deram lugar à certeza da existência e da localização
das terras “onde correm leite e mel”. Diferentemente a tempos passados, hoje não
existem mais destinos incertos, mas sim, lugares atraentes. O migrante se
coloca a caminho com um destino certo e pré-escolhido, e ao desejo de uma vida
melhor soma-se o sonho pelo ambiente de vida como o vê nas imagens de Abu Dhabi,
Singapura ou Copenhague.
Em sua essência, os motivos materiais e imateriais que mobilizaram as
pessoas dispostas a procurar a prosperidade não mudaram ao longo dos milhares e
milhares de anos. Mudaram as rotas e as condições das migrações, Da mesma maneira,
o perfil do migrante mantem as mesmas características centrais que o distinguem
da pessoa sedentária e conformada com sua sorte. O que aumentou e no mundo da
internet está ao alcance de todos é a consciência das enormes diferenças
sociais e econômicas entre as sociedades ricas e pobres e das oportunidades daí
deduzíveis. Possíveis programas de investimentos e transferências de recursos
internacionais para os países de origem das migrações podem eventualmente
aliviar pressões migratórias sobre as nações mais ricas e estáveis, mas jamais conseguirão
evita-las. Sempre haverá pessoas com iniciativa e determinadas, inconformadas
com sua sorte, mas esperançosas, e suficientemente corajosas para não desistir
de seus sonhos.
Enquanto atualmente levas expressivas de migrantes tentam forçar as
fronteiras da Europa e da América do Norte, desponta no horizonte uma nova
razão para que as pessoas se coloquem em movimento em direção a novos destinos,
desta vez à procura de refúgio. A concretizarem-se a perspectivas consequentes
das mudanças climáticas em curso, como um aquecimento global e uma elevação dos
níveis dos mares, certamente locais afastados do litoral por um lado, e em
zonas de clima temperado ou austral passarão a ser atraentes. Groenlândia,
Alasca, Patagônia, Sibéria e várias outras regiões, por outro, poderão entrar
nos radares dos migrantes do futuro. O futuro contará.
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