quarta-feira, 29 de dezembro de 2021

O Potencial dos Desiguais

 

O Potencial dos Desiguais

 

(¨The Potential of the Unequal” - This text is written in a way to ease comprehensive electronic translation)

 

Klaus H. G. Rehfeldt

 

A desigualdade faz parte da natureza da humanidade, indivíduos diferentes fazem coisas diferentes ou as mesmas coisas de maneira diferente, evidentemente com resultados diferentes. É o livre arbítrio e seus efeitos. Na origem dessas diferenças estão potenciais físicos e mentais distintos; os humanos não são robôs com todas as suas capacidades pré-selecionadas a uniformes. Isso faz de cada pessoa um complexo de condições, capacidades e limitações próprias e únicas. E isso é imutável.

Somos, então, todos definitiva e imutavelmente desiguais, em causa e efeito. Assim, não cabe a pergunta, “quem é desigual?”  Nem a pergunta, “quem é mais, e quem é menos desigual?” Conclusão: um mundo de iguais é pura utopia e, contrário ao entendimento geral, os mais desiguais situam-se na fina ponta da pirâmide de renda, como unicórnios e outros super-ricos. Como qualquer sociedade que aceita o princípio da propriedade individual gera desigualdades, o desafio daí decorrente passa a ser: “como harmonizar as desigualdades, especialmente com relação aos desiguais de baixa ou nenhuma renda?” Nem comunismo, como ideal filosófico (mesmo anárquico), nem qualquer outra concepção de uniformização socioeconômica.

A desigualdade não inabilita, nem desqualifica. Portanto, a essência para uma harmonização, ou compatibilização consiste numa igualdade de chances desde o princípio da vida, mesmo que essas chances iguais sejam aproveitadas diferentemente pelos beneficiários. É uma responsabilidade sociedade, partindo, ou indiretamente de ações do Estado, ou direta e espontaneamente de seus membros. Porque ‘diretamente de seus membros’?

Vejamos uma sociedade fechada de, digamos, 100 mil pessoas. Dentro das nossas atuais realidades de economia de mercado, podemos presumir uma pirâmide populacional em que ao redor de cinco mil pessoas detém por volta de 50% da riqueza dessa sociedade, outras cerca de 60 mil pessoas são donos de 45% dessa riqueza, e para os restantes aproximadamente 35 mil pessoas ficam com os restantes 5%. Na ausência de qualquer milagre econômico, essa sociedade deverá crescer vegetativamente em função de aprimoramentos tecnológicos e o consequente aumento da produtividade (apenas da população economicamente ativa), mas sempre mantendo a proporcionalidade dessa estrutura – e sempre carregando o ônus da improdutividade de cerca de um terço da sua população com baixa ou nenhuma renda, mas com o custo das necessidades básicas (ensino, saúde, segurança etc.).

Supondo um PIB (Produto Interno Bruto) de I$ 200 milhões (I$ sendo uma moeda imaginária), teríamos um PIB per capita de I$ 2.000,00, o que, visto corretamente, não corresponde à realidade, pois, grosso modo, 35% da população praticamente não produzem. Por conseguinte, o PIB per capita dos 65% da população de fato economicamente ativa, seria de cerca de I$ 3,000,00.

A sempre almejada integração econômica e social dos cerca de um terço praticamente improdutivo da população, obviamente com os devidos investimentos realizados pela sociedade (iniciativa privada ou governo), aumentaria teoricamente e numa perspectiva máxima o PIB de toda a sociedade em I$ 90 milhões (30 mil vezes I$ 3.000,00) à economia. Com isso, o PIB per capita passaria de I$ 2.000,00 para efetivos I$ 3.000,00 – um aumento de 50%, e o PIB total da sociedade hipoyética passaria para I$ 300 milhões.

Não se pretende abordar aqui possíveis dimensões e resultados econômicos de tais investimentos. Ao mesmo tempo lembramos que a situação acima seria a melhor resposta teórica, na prática irrealizável. Outro fator a considerar é o prazo em que o processo de inserção seria possível. Todavia é incontestável que uma inserção dessa natureza não traria benefícios apenas à parte diretamente objetivada da população, mas, e em grau significativo, a toda a sociedade, a todas as camadas da pirâmide econômico-demográfica.

Dessa feita, apesar das desigualdades características da nossa espécie, basta a sociedade se empenhar para que todos, de alguma maneira, participem produtivamente em benefício próprio e com vantagem para todos. Nem todos os seus membros precisam ser gênios empreendedores ou fenômenos digitais, mas muitas capacidades estão certamente hibernando num mundo aparentemente desinteressante para a parte economicamente integrada da sociedade, bastam as chances

 

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