sexta-feira, 13 de maio de 2022

O Brasil sobre Trilhos

 

O Brasil sobre Trilhos

(“Brazil on Rails” - This text is written in a way to ease comprehensive electronic translation)

 

Klaus H, G, Rehfeldt

 

São raros os momentos que indicam com tanta clareza a necessidade de uma mudança de rumo e, ao mesmo tempo, nunca ficou tão clara a vulnerabilidade da economia brasileira em decorrência de um sistema de transporte quase exclusivamente centrado no modal rodoviário.

O petróleo é commodity global e, assim, obedece em suas negociações a regras globais. Sendo assim, tentativas nacionais de corrigir excessos, seja de que natureza forem, em nada alteram os efeitos dessa realidade para o cidadão: ou ele paga mais impostos para financiar subvenções do governo, especialmente na existência de petrolíferas estatais, ou ele terá de enfrentar preços mais altos pelo produto transportado.

A partir de 1825, um novo meio de transporte passa a participar no transporte de pessoas e bens realizado até então somete por tração animal – o ferroviário como consequência da inovação da máquina a vapor. Rapidamente, o modal tornou-se um sucesso ao redor do mundo. Sete décadas depois, em 1896, foi comercializado o primeiro veículo rodoviário de transporte de carga, o caminhão, de operação mais ágil e flexível quando comparado com o ferroviário com infraestrutura de traçados imutáveis. Ao longo do tempo, os dois sistemas de transporte, especialmente o de carga, desenvolveram-se em direções próprias. Enquanto o caminhão, numa ampla paleta de tamanhos, capacidades e especificidades, ocupou praticamente todos os nichos do transporte terrestre, o trem abandou lentamente seu objetivo tradicional de atender o maior número possível de localidades, estabelecendo-se no transporte de longas distâncias.

A partir da industrialização do Brasil, da qual a indústria automotiva foi componente central, o então existente sistema ferroviário, precário, territorialmente disperso e economicamente inviável, foi desativado. Em épocas recentes, surgiram projetos ambiciosos de implantação de uma ampla e integrada rede ferroviária no país. Uma nação de grande extensão territorial e cuja economia se baseia fortemente na exportação de commodities esses projetos dispensam maiores justificativas, sabendo-se que o custo do transporte ferroviário representar apenas cerca de 30% do custo do rodoviário.

Falta tirar esses projetos do âmbito das promessas eleitorais. Hoje, o transporte de carga é uma questão central na economia do Brasil. Ferrovias não significam o esvaziamento do transporte rodoviário, mas sim, a complementação racional dos sois modais. É inconcebível um transporte de carga de longa distância por veículos cujo peso tara perfaz 25% ou mais da carga transportada.

A importância de uma rede férrea para nossa nação fica clara quando vemos, por exemplo, a extensão e sua relação com a área territorial de alguns países:

Est. Unidos (9,827 milhões km2) - 294 mil km; China (9,597 milhões km2) - 124 mil km; Alemanha (0,357 milhões km2) - 44 mil km; Brasil (8,512 milhões km2) - 30 mil km. O déficit brasileiro, portanto, é assustador – e não temos Montanhas Rochosas, nem o deserto de Gobi a cruzar.

Não há como negar a prioridade gritante da execução dos projetos estagnados. Prioridade significa considerar que os recursos destinados a Fundo Eleitoral de 2022 seriam suficientes para a construção de cerca de 800 km de linha férrea, o que equivale praticamente à construção do conjunto da Ferrovia do Frango (Itajaí – Dionísio Cerqueira) e da Ferrovia Interportos (Itapoá – Imbituba) em Santa Catarina. Aliás, outros países entendem seu sistema ferroviário perfeitamente viável como iniciativa privada.     

Por fim cabe mencionar os ganhos ambientais e que não são poucos quando consideramos a queima de milhões de litros de combustível fóssil sendo substituída por energia elétrica, no caso específico do Brasil, amplamente de fontes renováveis e com projetos cada vez menos agressivos à natureza. Em estágio posterior poderá se pensar na complementação do sistema para o transporte de passageiros, idem de longa distância.

 

 

 


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