Abstenção do Voto – Um Fenômeno Crescente
(“Abstention from
Voting – An Increasing Phenomenon” - This text is written in a way to ease
comprehensive electronic translation)
Klaus H, G, Rehfeldt
Um problema marcante
das democracias ocidentais é a constante diminuição da participação nas
eleições. Esse fenômeno costuma regularmente causar comentários preocupados e
análises aprofundadas 'no dia seguinte' (ao de uma eleição), quando as
comissões partidárias tiraram suas conclusões – em sua maioria de natureza
pessoal – dos resultados eleitorais. Já em seguida, políticos e comentaristas
políticos retornam aos negócios como de costume. Nesse contexto, explicações
para as abstenções crescentes podem ir do simples desinteresse político ao
questionamento da legitimidade do sistema democrático.
Na grande
maioria dessas democracias – exceção feita a poucas como p. ex. Bélgica,
Áustria ou Brasil, o voto e facultativo. Isso significa que o eleitor se
manifesta nas urnas apenas quando pode ou quer, sem precisar justificar uma
eventual abstenção. Em decorrência disso, as razões para a abstenção preenchem
um amplo leque, que vai da preguiça ou o mau empo ao questionamento do próprio modelo
democrático, passando por conformismo (“meu voto nada significa e nada muda”),
resignação com a política, descrédito à classe política, ou, simplesmente,
porque nenhum candidato corresponde às expectativas do eleitor. Consequência
disso são taxas de abstenção, tidas como normais, em torno de 30%, podendo
chegar a 44% como nas eleições presidenciais do Japão em 2021, ou a 67%
observado nas eleições regionais da França em 2021. Isso faz o assunto suscitar
intensas investigações e tornar-se razão de muitos estudos de ciências sociais.
Tais
preocupações deviam ser desnecessárias no Brasil pelo simples fato do voto ser
obrigatório, admitindo apenas algumas situações bem definidas, como doença de
ausência do domicílio eleitoral. A prática, no entanto, é diferente. Para
começar, a multa para a abstenção não justificada é de R$ 3,50, o que equivale
à virtual inexistência de penalidade para essa contravenção.
Mas
existem outras explicações para uma crescente taxa de abstenção do voto no
Brasil, ou, pelo menos é definido como abstenção. Uma das razões é de simples
ordem burocrática. Os próprios órgão eleitorais têm consciência da
desatualização dos registros eleitorais, motivo pela qual promoveram um
recadastramento dos eleitores, mas não concluído por razões políticas
conhecidas. Outro aspecto central é o fato do voto ser facultativo para os
eleitores com idade a partir de 70 anos. E esse contingente de pessoas encontra-se
em constante crescimento, o que significa um crescente número de eleitores
eventuais, que, não votando, geram abstenções. Os dados são claros: em dois
períodos eleitorais, somando oito anos, a população brasileira de 70 e mais
anos de idade aumentou de 9,242 milhões em 2010 para 12,405 milhões em 2018, um
aumento expressivo de 34%. Isso significa que 3,163 milhões de eleitores
passaram da obrigatoriedade do voto para o status de facultativos. No mesmo lapso
de tempo, a população de eleitores cresceu apenas 6%.
Além
disso há aspectos como o crescente número de pessoas econômica, social e
politicamente excluídos e consequentemente desinteressadas ou impedidas de
votar, ou então o jeitinho brasileiro que permite, por exemplo, esquivar-se da
opção pelo candidato menos ruim de, mas parecem ser de menor importância.
Não há
como negar que possa haver suspeitas de que a abstenção de voto seja usada como
instrumento de fraude em eleições forjadas, todavia é sempre recomendável ter
os dados acima em mente
Sou contra o voto obrigatório. Se os políticos fossem sérios e responsáveis, o voto optativo representaria a opinião verdadeira de uma ampla parcela da sociedade.
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