Polarização Política.
(“Political
Polarization” - This text is written in a way to ease comprehensive
electronic translation)
Klaus H. G. Rehfeldt
A polarização política
é um fenômeno típico de democracias, especialmente aquelas de regime presidencial.
Enquanto nos formatos parlamentaristas todas as linhas ideológicas concorrem
para os cargos eletivos, inclusive os de primeiro ministro, ou equivalente, o
presidencialismo acaba por dividir o eleitorado em dois campos, mormente nas
eleições de segundo turno.
Teoricamente
não há nada de mal nisso. A democracia baseia-se na admissão do confronto
pacífico, civilizado e construtivo de ideários distintos e pressupõe como
natural que haja, de caso em caso, maiorias vencedoras e minorias perdedoras
nessa confrontação de propostas e netas de governo. Da mesma forma constituem-se
as respectivas situação e oposição. Nesse contexto, o desempenho de cada
governo ou de realidades sociais, econômicas ou políticas permitem e legitimam
alternâncias de poder nos momentos oportunos.
A prática
atual, entretanto, nem sempre se apresenta tão harmoniosa e tranquila.
Especialmente partidos nos extremos do espectro de ideologias e de orientações
políticas tendem a defender posições mais radicalizadas e de intolerância. As
consequências disso são, em graus diversos, todo tipo de excessos
comportamentais nos planos interpessoais e intergrupais. Nessa mesma linha observam-se
agravamentos acentuados nos objetivos e nas estratégias em campanhas
eleitorais. Táticas de desconstrução de adversários – vistos como inimigos, de
discursos de ódio e excessos de toda ordem prevalecem sobre a racionalidade que
se espera daqueles que governam, ou propõem-se a governar uma nação com a responsabilidade
adicional de ser exemplo e referência para um povo.
Esses
alheamentos nada democráticos tornam-se especialmente graves quando seus
promotores, inclusive o próprio estado, conseguem contaminar parte da população
com campanhas desinformativas, difamatórias, e impregnadas de ódio e de falsos
fantasmas e temores, sem qualquer consistência política construtiva. Nesse quadro, polarizações políticas numa sociedade são capazes de
induzir as pessoas abrirem mão de sua racionalidade, sua coerência e do próprio
bom senso a bem de idolatrias desarrazoadas e inconsequentes, tudo isso numa
inadvertida ou ingênua ausência de questionamento de ilusões implantadas.
Na dinâmica do
sistema democrático, as alternâncias de poder entre posições ideológicas
extremadas podem ser altamente prejudiciais, senão traumáticas para uma
sociedade. O que devia ser a simples prevalência da vontade da maioria sobre os
anseios da minoria, ganha dimensões de vitória e derrota de combatentes em
conflito aberto. A história nos ensinou que a evolução requer um equilíbrio
entre continuidade de ruptura, essa, porém, sem o sacrifício do passado. No
entanto observam-se nessas alternâncias drásticas uma forte tendência para a
descontinuidade, senão reversão, de programas iniciados por governos anteriores,
seja por rigidez de um ideário político, seja por mera autoafirmação.
Hoje é comum,
principalmente nas numerosas socialdemocracias, observar-se a tendência de uma
aproximação de objetivos políticos nos da direita e da esquerda. À parte das particularidades
de cada nação, os objetivos políticos, dentro são praticamente os mesmos, o que
diverge são os caminhos propostos para atingi-los. Enquanto, a esquerda busca a
prosperidade das classes menos favorecidas, a direita almeja uma maior
população economicamente forte. Basta encontrar uma política de convergência,
talvez ao custo de identidades ideológicas.
A
polarização política, nós e eles, jamais deve ser objetivo de um governo. Povos
divididos, não importa por quais razões, são povos condenados à autodestruição
de suas tradições e de seus valores coletivos e, consequentemente, de um futuro
construído sobre a consciência e a vontade nacionais.
Estamos com certeza vivenciando um caso típico.
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