segunda-feira, 15 de agosto de 2022

Únicos, Mas não Eternos.

 

Únicos, Mas não Eternos.

 

(“Unique, But not Eternal” - An Increasing Phenomenon” - This text is written in a way to ease comprehensive electronic translation)

 

Klaus  H. G. Rehfeldt

 

 

Desde seu surgimento sobre a Terra - a cerca de 8 bilhões de anos - há uma constante interação e interferência mútua entre a vida e o meio ambiente. A flora em abundância ou escassez causa condições climáticas específicas que, por sua vez, ocasionam mudanças geográficas e consequentes efeitos sobre ecossistemas. Florestas tornam-se savanas, ou essas, desertos – e vice-versa. Da mesma forma, a presença, ou não, bem como a respectiva densidade populacional de espécies da fauna são capazes de interferir em equilíbrios da flora, então resultando na vulnerabilidade, e eventual extinção, de determinadas espécies, ou em adaptações e mutações de ajuste a novas realidades ambientais. Meio ambiente, clima e formas de vida e espécies vivas encontram-se em permanente interatividade.

            Nessas condições, a vida nunca mais deixou de existir e resistiu em algumas de suas formas, mesmo em períodos dos mais adversos, seja por frio intenso em eras glaciais, seja por calor excessivo em outros momentos. Fatores dessa ordem geraram necessidades de resistência e de adaptações e as daí decorrentes mutações em espécies, tanto da flora como da fauna. As ramificações de formas de vida e as múltiplas derivações em subespécies e novas espécies sob condições ambientais distintas são prova disso. Tais processos, ao longo dos bilhões de anos, deram origem a inúmeras variações nas categorias e classes de seres vivos existentes em cada momento dessa história fantástica. Assim, também a extinção de espécies, inclusive por mudanças climáticas ou ambientais, faz parte desse processo evolutivo. Constantes desequilíbrios resultaram em continuas correções mútuas na superfície do nosso planeta.

            Esse progresso da vida sugere que, em algum momento a cerca de 4 bilhões de anos atrás, uma forma de primata ancestral, em meios ambientais distintos, tenha dado num longo seguimento de ajustes a condições distintas de vida origem a uma separação em duas espécies, resultando no futuro chipanzé – ou bonobo – e no futuro homo, até hoje com identidade de 99% em suas sequências de DNA. O significado desse valor ganha expressão quando sabemos que a sequência de DNA humano coincide em 90% com o do porco, e 40%, do tomate. Existem inúmeros paralelos para tal evolução, como, por exemplo, a lenta separação dos ancestrais de ursos e lobos. Mutações mínimas no genoma tem efeitos significativos.

Desafios existenciais distintos estimularam o desenvolvimento de habilidades diferentes e específicas. Evolução é aprimoramento genético num espaço de tempo. A ascensão para um cardápio misto de vegetal e animal tem contribuído para uma constituição bucal favorável à melhoria na comunicação através de articulações sonoras que deram origem à fala. Essa, por sua vez, favoreceu um processo de socialização. Por sua vez, a socialização facilitou o surgimento de mitos comuns, uma caraterística que acompanha o homem até a atualidade.

A comunicação combinada com a capacidade de assimilação de conhecimentos acabou resultado na descoberta da energia extracorporal – a energia que projetou o homo para uma civilização em continuado desenvolvimento, uma civilização cada vez mais afastada de sua origem, e cada vez mais dependente de suas criações, seus artifícios e suas sofisticações tecnológicas.

A espécie homo chegou a um ponto crucial: o conhecimento das leis da física, incluindo a criação de energia artificial, que pode ser adicionada à própria, limitada especificamente a cada ser. Química – o dom sobre as matérias deste planeta. Cibernética – o domínio sobre a informação. Inteligência Artificial - ..., sempre com verso da moeda, a característica única na natureza de destruir seu semelhante e a si mesmo.

O homo sapiens resultou da diversificação das espécies numa dialética de causa e efeito, uma resultante entre infinitas possibilidades de que a natureza dispõe. Duzentos anos de tecnologia são apenas 0,0000025% da existência e evolução de vida em sua superfície. E a natureza continua seu rumo, ninguém sabe para qual amanhã e em qual direção, com ou sem o homo sapiens – cuja presença neste planeta é de apenas 0,004% de sua massa biológica.

No entanto, tornamo-nos o ser mais poderoso na Terra, mas ao mesmo tempo o mais vulnerável, totalmente dependente dos artifícios e das circunstâncias que criamos para nossa garantia de vida com saúde, em segurança e prosperidade. Sem uma elaborada estrutura de mecanização, digitalização e industrialização da agricultura ao lado do uso de dezenas de milhões de toneladas de adubos artificial no cultivo de nossas terras aráveis seria impossível alimentar a atual população deste planeta. Sem a disponibilidade de todo um requintado arcabouço medicinal, seja farmacológico, seja profilático ou terapêutico, voltaríamos para uma expectativa média de vida de 40 anos. Por outro lado, estamos entrando num processo de atrofiamento: nosso acuidade de olfato e audição já perderam muito de sua capacidade original, e simplesmente não somos mais capazes de caminhar longas distâncias.

Paralelo a essa crescente dependência dos recursos da ciência e tecnologia aumentam os riscos inerentes a tais avanços. Um colapso no sistema de intercomunicação dos sistemas de satélites artificias resultaria na morte da maioria das populações urbanas em menos de duas semanas, por simples falta de abastecimento.  Apenas os povos indígenas ao redor do mundo sobrariam incólumes. Este é o preço de uma vida próspera e saudável de alguns e nem tão prospera, nem tão saudável de muitos outros.

Somos eternos? Certamente não na forma moldada por esta existência semiartificial e semissintética que criamos e que hoje condiciona nossa vida. Resta uma pergunta: basta agradecer ou apelar ao Criador deste universo, ou precisamos respeitar mais – muito mais – Sua criação?

 

 

 

 

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