Únicos, Mas não
Eternos.
(“Unique, But not
Eternal” - An Increasing Phenomenon” - This text is written in a way to ease
comprehensive electronic translation)
Klaus H. G. Rehfeldt
Desde seu surgimento
sobre a Terra - a cerca de 8 bilhões de anos - há uma constante interação e
interferência mútua entre a vida e o meio ambiente. A flora em abundância ou
escassez causa condições climáticas específicas que, por sua vez, ocasionam
mudanças geográficas e consequentes efeitos sobre ecossistemas. Florestas
tornam-se savanas, ou essas, desertos – e vice-versa. Da mesma forma, a
presença, ou não, bem como a respectiva densidade populacional de espécies da
fauna são capazes de interferir em equilíbrios da flora, então resultando na
vulnerabilidade, e eventual extinção, de determinadas espécies, ou em
adaptações e mutações de ajuste a novas realidades ambientais. Meio ambiente,
clima e formas de vida e espécies vivas encontram-se em permanente interatividade.
Nessas condições, a vida nunca mais deixou de existir e
resistiu em algumas de suas formas, mesmo em períodos dos mais adversos, seja por
frio intenso em eras glaciais, seja por calor excessivo em outros momentos. Fatores
dessa ordem geraram necessidades de resistência e de adaptações e as daí
decorrentes mutações em espécies, tanto da flora como da fauna. As ramificações
de formas de vida e as múltiplas derivações em subespécies e novas espécies sob
condições ambientais distintas são prova disso. Tais processos, ao longo dos
bilhões de anos, deram origem a inúmeras variações nas categorias e classes de
seres vivos existentes em cada momento dessa história fantástica. Assim, também
a extinção de espécies, inclusive por mudanças climáticas ou ambientais, faz
parte desse processo evolutivo. Constantes desequilíbrios resultaram em
continuas correções mútuas na superfície do nosso planeta.
Esse progresso da vida sugere que, em algum momento a
cerca de 4 bilhões de anos atrás, uma forma de primata ancestral, em meios
ambientais distintos, tenha dado num longo seguimento de ajustes a condições
distintas de vida origem a uma separação em duas espécies, resultando no futuro
chipanzé – ou bonobo – e no futuro homo, até hoje com identidade de 99% em suas
sequências de DNA. O significado desse valor ganha expressão quando sabemos que
a sequência de DNA humano coincide em 90% com o do porco, e 40%, do tomate. Existem
inúmeros paralelos para tal evolução, como, por exemplo, a lenta separação dos
ancestrais de ursos e lobos. Mutações mínimas no genoma tem efeitos
significativos.
Desafios
existenciais distintos estimularam o desenvolvimento de habilidades diferentes
e específicas. Evolução é aprimoramento genético num espaço de tempo. A ascensão
para um cardápio misto de vegetal e animal tem contribuído para uma
constituição bucal favorável à melhoria na comunicação através de articulações
sonoras que deram origem à fala. Essa, por sua vez, favoreceu um processo de
socialização. Por sua vez, a socialização facilitou o surgimento de mitos
comuns, uma caraterística que acompanha o homem até a atualidade.
A
comunicação combinada com a capacidade de assimilação de conhecimentos acabou
resultado na descoberta da energia extracorporal – a energia que projetou o
homo para uma civilização em continuado desenvolvimento, uma civilização cada
vez mais afastada de sua origem, e cada vez mais dependente de suas criações,
seus artifícios e suas sofisticações tecnológicas.
A espécie
homo chegou a um ponto crucial: o conhecimento das leis da física, incluindo a
criação de energia artificial, que pode ser adicionada à própria, limitada
especificamente a cada ser. Química – o dom sobre as matérias deste planeta.
Cibernética – o domínio sobre a informação. Inteligência Artificial - ...,
sempre com verso da moeda, a característica única na natureza de destruir seu
semelhante e a si mesmo.
O homo
sapiens resultou da diversificação das espécies numa dialética de causa e
efeito, uma resultante entre infinitas possibilidades de que a natureza dispõe.
Duzentos anos de tecnologia são apenas 0,0000025% da existência e evolução de
vida em sua superfície. E a natureza continua seu rumo, ninguém sabe para qual
amanhã e em qual direção, com ou sem o homo sapiens – cuja presença neste
planeta é de apenas 0,004% de sua massa biológica.
No
entanto, tornamo-nos o ser mais poderoso na Terra, mas ao mesmo tempo o mais
vulnerável, totalmente dependente dos artifícios e das circunstâncias que criamos
para nossa garantia de vida com saúde, em segurança e prosperidade. Sem uma elaborada
estrutura de mecanização, digitalização e industrialização da agricultura ao
lado do uso de dezenas de milhões de toneladas de adubos artificial no cultivo
de nossas terras aráveis seria impossível alimentar a atual população deste
planeta. Sem a disponibilidade de todo um requintado arcabouço medicinal, seja
farmacológico, seja profilático ou terapêutico, voltaríamos para uma
expectativa média de vida de 40 anos. Por outro lado, estamos entrando num
processo de atrofiamento: nosso acuidade de olfato e audição já perderam muito de sua
capacidade original, e simplesmente não somos mais capazes de caminhar longas
distâncias.
Paralelo
a essa crescente dependência dos recursos da ciência e tecnologia aumentam os
riscos inerentes a tais avanços. Um colapso no sistema de intercomunicação dos
sistemas de satélites artificias resultaria na morte da maioria das populações
urbanas em menos de duas semanas, por simples falta de abastecimento. Apenas os povos indígenas ao redor do mundo sobrariam
incólumes. Este é o preço de uma vida próspera e saudável de alguns e nem tão
prospera, nem tão saudável de muitos outros.
Somos
eternos? Certamente não na forma moldada por esta existência semiartificial e
semissintética que criamos e que hoje condiciona nossa vida. Resta uma
pergunta: basta agradecer ou apelar ao Criador deste universo, ou precisamos
respeitar mais – muito mais – Sua criação?
Nenhum comentário:
Postar um comentário