A Transição Demográfica
(“The Demographic
Transition” - This text is written in a way to
ease comprehensive electronic translation)
Klaus H. G. Rehfeldt
Há uma razão pela qual
insisto nessa temática: não se trata mais de uma perspectiva, mas de uma situação
factual, e não se veem quaisquer medidas por parte das autoridades
governamentais, nem de líderes dos mais diversos setores no sentido de encarar
essa realidade ou leva-la em consideração em suas ponderações conjunturais
presentes ou futuras.
O que
parecia uma remota possibilidade, até devido a estimativas muito longe da
realidade por parte do IBGE, surgiu agora com realidade surpreendente, senão
alarmante. De repente, comunidades, mas também cidades de porte, até estados,
se veem projetadas para realidades inesperadas pelos resultados do censo 2022.
Populações locais ou regionais abaixo do imaginado deixaram de ser exóticos.
O
crescimento populacional negativo está presente há algum tempo em vários países
ao redor do mundo. Obviamente não é um fenômeno que se processa repentina e
uniformemente numa nação. Em geral, regiões econômica e socialmente mais fracas
aceleram e intensificam os efeitos de uma queda geral da taxa de fertilidade.
No caso
brasileiro, o processo de reversão demográfica foi, durante décadas, compensado
por um aumento expressivo da expectativa de vida. Porém, os aumentos de até ao
redor de 5 anos nessa nas décadas de 1970/80 não passam hoje de 2 meses por ano,
com tendência decrescente. Em algum momento, a expectativa de vida, por
condicionantes biológicos, atingirá um patamar de constância.
Na ponta
oposta da escala etária encontramos outra vertente em direção a uma inversão no
crescimento demográfico. Enquanto a ´população até 30 anos de idade perfazia
49,9% da população de 190 milhões de brasileiros em 2010, isso são cera de 95
milhões de pessoas, em 2022 essa porcentagem caiu para 43,3%, agora sobre 203
milhões de habitante, ou seja, 88 milhões, portanto, 7 milhões a menos. E a
cada ano serão menos. São perdas populacionais reais! Para a economia, menos
sujeitos produtivos, , menos consumidores.
Segundo o
censo 2022, os estados de Rio Grande do Sul, Rondônia, Bahia, Rio de Janeiro, e
Alagoas encontram-se hoje em situação de estagnação ou já entraram em
crescimento negativo. E o próprio IBGE prevê a entrada no crescimento
populacional negativo da nação para a década de 2030.
São dados
que definitivamente não podem mais ser ignorados. É verdade, trata-se de uma
dinâmica demográfica jamais experimentada, salvo em momentos transitórios de
catástrofes das mais diversas naturezas. Agora não, estamos diante de uma
situação sem perspectiva de reversão no curto e médio prazo.
Os
reflexos serão de grande amplitude – aliás, já estão sendo. Isso exige
respostas definitivas – não paliativas – e afinadas com um futuro jamais experimentado
na humanidade. Haverá carência de força de trabalho, como atualmente
experimentada em países europeus em situação demográfica semelhante, embora atenuada
por contínuos avanços em automação e robotização, haverá menos consumidores,
haverá reflexos significativos nos mercados e sistemas financeiros, e tais mutações
não admitem soluções temporárias que cedo ou tarde se esgotam.
Será
preciso construir um novo modelo econômico. Por enquanto, a falta de
crescimento, senão estagnação ou até crescimento negativo de consumidores, por
exemplo, não representa uma pressão maior sobre as normais taxas de inflação.
Mas estamos diante de um fator deflacionário, embora de progressão lenta e permanente,
porém de longo prazo e sem maiores variações conjunturais. Assim, essa pressão
deverá aumentar, acabando em deflação definitiva, o que significa que
compensações pontuais, como, por exemplo, incentivos à indústria automotiva têm
efeito meramente paliativo, mas sem eficácia definitiva.
Ainda não
estamos na situação do Japão, que está preocupado com o baixo contingente de
jovens que possam prestar o serviço militar dentro dos próximos anos, mas chegou
a hora de deixar de ignorar a nova realidade demográfica. O fim próximo do
longo tempo de crescimento da humanidade exige profundas revisões econômicas,
políticas e sócias. Muito embora seja difícil desenhar as consequências de uma
sociedade ou uma nação em processo de redução populacional, desde já essa
imagem deverá estar presente nos planejamentos e nas decisões de médio e longo
prazo, seja na esfera privada, seja na governamental. Certamente não poderão
ser medidas balsâmicas, por outro lado seguramente serão inusitadas e ainda
precisarão ganhar sua validade para constar dos livros futuros de teoria
econômica.
Veja também o livro “O Brasil de Menos Gente”, Rehfeldt,
K., e-book da ed. amazon, 2018.
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