Censo 2022
(“Census 2022” - This text is written in a way to ease comprehensive
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Klaus H. G. Rehfeldt
O crescimento, em todos
os sentidos, incorporou-se na genética humana. Especialmente os últimos séculos
foram marcados pelo ânimo, senão a obsessão do crescimento: aumento de riqueza,
aumento de poder, aumento de importância, tudo isso no ambiente pessoal, mas
igualmente na esfera coletiva. Ser numeroso tornou-se poder político, econômico
e bélico de uma sociedade, orgulho nacional. O sempre mais, os números
crescentes são uma meta fixa na nossa civilização. O menos significa fracasso e
perda em qualquer plano.
Enquanto
populações crescentes, uma força de trabalho mais poderosa, mais alunos nas
escolas para um futuro maior, prédios maiores em cidades maiores nós dão a
sensação de sucesso, a perspectiva do menos gera desconforto, gera dúvida, gera
receio de carência.
No
entanto, estamos diante de um futuro com sinal negativo na demografia conforme
revela o censo de 2022. O Brasil apresenta atualmente um crescimento
populacional anual de apenas 0,52%. Mas esse aumento tem uma única causa, a
constante elevação da expectativa de vida. As pessoas vivem mais e permanecem
mais tempo nas estatísticas. Focando a outra ponta da população, registramos um
crescimento negativo desde a virada do milênio, quando a taxa de fertilidade da
mulher brasileira, em declínio desde os aos de 1960, começou a cair para abaixo
de 2,1 filho, índice crítico a partir do qual não há mais reposição da
população.
Se desde
aquele momento, a taxa de fertilidade (hoje de 1,6 filho por mulher) tivesse se
mantido constante em 2,1 filhos, a população atual, em vez de 203 milhões de
brasileiros, seria de 236 milhões. Isso significa que já acumulamos um déficit de
pessoas até 23 anos de 33 milhões de habitantes.
Essencialmente
resultado de um fato em si positivo, a emancipação da mulher, os efeitos –
irreversíveis no médio prazo – apontam em várias direções. Se por um lado
existe a ameaça da perda do bônus demográfico (população produtiva maior que a
improdutiva formada por menores de idade e idosos) com previsíveis problemas de
custeio das estruturas assistenciais, por outro haverá uma crescente
desnecessidade de investimentos em infraestrutura – menos escolas, menor custo
com saúde pública, administração pública, transporte público etc., mas também
menor consumo de energia, de bens – de camisetas e alimentos a automóveis e moradias
(incluindo suas matérias primas) – e de serviços.
O Brasil
não é um caso isolado, outros países, especialmente europeus e asiáticos vivem
a mesma realidade. A diferença é que na maioria deles, diferentemente do
Brasil, esse processo iniciou quando já se encontravam em situação econômica
bastante próspera. Isso, obviamente, é uma vantagem sob o aspecto da
concentração de renda através da transmissão intergerações de patrimônio
(gerações menores herdam patrimônios – públicos e privados – de seus
antecedentes mais numerosos).
Diferentemente
das nações com desenvolvimento de ponta, há no caso brasileiro uma expressiva
reserva de patrimônio: uma substancial parcela da população apenas parcialmente
– se tanto – integrada ativamente na economia do país. A riqueza de uma
sociedade é produzida por seus membros, desde que esses estejam devidamente
qualificados. E aqui se encontra a resposta a eventuais pessimismos oriundos do
mencionado encolhimento demográfico: a integração de um potencial humanos de cerca
de um quinto da população no contingente produtivo da nação através de
qualificação para o moderno mercado de trabalho. Em outras palavras: educação,
mas educação de qualidade. Essa parece ser a única saída salutar para superar
os efeitos preocupantes decorrentes de uma futura perda do bônus demográfica –
desde que iniciada imediatamente.
Sem
dúvida, a nova dinâmica demográfica exigirá uma revisão de prioridades, tanto
na esfera pública, quanto nos diversos setores da economia, bem como nos
aspectos sociais de um povo multicultural. A pergunta que se impõe: como será a
vida de uma população dos anos 1990 ou 80 com a infraestrutura e tecnologia do
século 21? Certamente não será um mundo de perdas ou privações.
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