O Novo Normal
(“The New Normality“ - This text is written in a way to ease comprehensive
electronic translation)
Klaus H. G. Rehfeldt
Tudo que é habitual,
conhecido e de fácil compreensão e resposta significa conforto e segurança e
uma das realidades mais enraizadas em nossas mentes é uma dinâmica demográfica
de continuo crescimento. Comunidades e cidades crescentes, escolas cada vez
maiores, novas edificações, novas infraestruturas, sempre mais empresas cada
vez maiores, ininterruptamente mais veículos nas estradas, índices econômicos,
sociais e populacionais em expansão. É o status
quo, normalidade tranquilizante. O contrário é praticamente inimaginável,
inconcebível.
E então,
repentinamente, vêm as confirmações de mudanças para realidades jamais
experimentadas pela humanidade: cada vez mais ilhas demográficas, regionais ou
nacionais, já se encontram em crescimento populacional zero ou crescimento
negativo, ou, então, potencialmente a caminho disso. Na verdade, já existem a bastante
tempo indícios e situações isoladas de crescimentos populacionais cada vez
menores, em alguns casos sem crescimento ou até em declínio que, de maneiras
geral, eram inocente, conveniente ou estrategicamente ignoradas, e continuam
senso – uma reação natural na falta de respostas, talvez difíceis, mas
necessárias.
Fato é
que, segundo o Censo 2022, descobrimos que nós brasileiros nos encontramos numa
nova realidade demográfica. Os índices de crescimento da população caem
vigorosamente desde o censo de 2000. Enquanto o período de 2000 a 2010
registrou um crescimento médio de 1,29% ao ano (0,97% em 2010), esse valor
baixou para 0,54% no período entre 2010 e 2022, o menor crescimento registrado
desde 1872. A projeção desses dados permite concluir que o crescimento
específico ao ano 2022 se situe em torno de 0,3%, um acréscimo de 3 - talvez apenas 2 - pessoas
para cada grupo de 1.000 por ano – praticamente uma situação de crescimento
zero. De fato, é um absoluto novum na
história da demografia.
Caraterística
central da demografia são as constantes mudanças que condicionam seus
parâmetros e resultados. Outro indício é a lentidão com que essas mudanças se
processam – salvo em momentos históricos de catástrofes, guerras ou epidemias. Na
verdade, são mudanças pouco perceptíveis no curto prazo, por exemplo o de uma
geração. A consequente falta de urgência faz que praticamente ninguém se vê
numa obrigação iminente de buscar respostas, ou seja, a postergação é mais
fácil – e nem, sequer, percebida. Assim, mesmo sinais evidentes são ignorados.
Essa
atitude, em inglês chamada de ‘ddd – deny, delay, do nothing’ (negue, retarde,
não faça nada), envolve um risco sério: ser surpreendido com as consequências
quando essas já atingiram proporções de maior gravidade.
Sem
dúvida, o novo normal já começou. Um observador mais atento perceberá mais
leitos de maternidade desocupados, mais bancos vazios nas salas do ensino
fundamental, e mesmo entrando na faixa etária dos adolescentes já há sinais
claros de retração nos habituais índices positivos. O que prejudica a nitidez
desse quadro são as diferenças regionais. Enquanto há cidades médias,
especialmente nas regiões de desenvolvimento agropecuário, com crescimento de
mais de 50% dos habitantes, capitais como Salvador,
Natal, Belém e Porto Alegre tiveram
reduções populacionais acima de 5% nos últimos 12 anos.
Típico desse ‘novo normal’ por falta
reprodutiva é a dinâmica progressiva, acompanhando o avançar das faixas
etárias. Apenas como um exemplo que requer uma resposta específica: todas as
populações de crianças e pessoas jovens liberam mão de obra a elas dedicadas de
alguma maneira, enquanto aumenta a necessidade de atendimentos a idosos.
A nova normalidade exigirá estabelecer novas
dimensões e dinâmicas econômicas, sociais e, acima de tudo, de políticas
públicas. Medidas paliativas, como incentivos ao consumo onde não há
consumidores, e que apenas antecipam consumos futuros e que faltarão mais
tarde, não resolverão.
Queiramos,
ou não, precisamos produzir respostas. E para tal devemos superar vacilações,
receios, medos, indecisões. E cada situação em particular exigirá medidas específicas. Mesmo sendo um futuro inusitado, certas reações e
projeções econômicas e sociais são perfeitamente previsíveis e, afinal, não
estamos sozinhos nesse barco. Embora os contextos conjunturais de outros países na
mesma situação sejam diferentes, a essência de seu ‘novo normal é e será a mesma.
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