segunda-feira, 24 de julho de 2023

O Novo Normal

 

O Novo Normal

(“The New Normality“ - This text is written in a way to ease comprehensive electronic translation)

 

Klaus H. G. Rehfeldt

 

Tudo que é habitual, conhecido e de fácil compreensão e resposta significa conforto e segurança e uma das realidades mais enraizadas em nossas mentes é uma dinâmica demográfica de continuo crescimento. Comunidades e cidades crescentes, escolas cada vez maiores, novas edificações, novas infraestruturas, sempre mais empresas cada vez maiores, ininterruptamente mais veículos nas estradas, índices econômicos, sociais e populacionais em expansão. É o status quo, normalidade tranquilizante. O contrário é praticamente inimaginável, inconcebível.

 

E então, repentinamente, vêm as confirmações de mudanças para realidades jamais experimentadas pela humanidade: cada vez mais ilhas demográficas, regionais ou nacionais, já se encontram em crescimento populacional zero ou crescimento negativo, ou, então, potencialmente a caminho disso. Na verdade, já existem a bastante tempo indícios e situações isoladas de crescimentos populacionais cada vez menores, em alguns casos sem crescimento ou até em declínio que, de maneiras geral, eram inocente, conveniente ou estrategicamente ignoradas, e continuam senso – uma reação natural na falta de respostas, talvez difíceis, mas necessárias.

 

Fato é que, segundo o Censo 2022, descobrimos que nós brasileiros nos encontramos numa nova realidade demográfica. Os índices de crescimento da população caem vigorosamente desde o censo de 2000. Enquanto o período de 2000 a 2010 registrou um crescimento médio de 1,29% ao ano (0,97% em 2010), esse valor baixou para 0,54% no período entre 2010 e 2022, o menor crescimento registrado desde 1872. A projeção desses dados permite concluir que o crescimento específico ao ano 2022 se situe em torno de 0,3%, um acréscimo de 3 - talvez apenas 2 - pessoas para cada grupo de 1.000 por ano – praticamente uma situação de crescimento zero. De fato, é um absoluto novum na história da demografia.

 

Caraterística central da demografia são as constantes mudanças que condicionam seus parâmetros e resultados. Outro indício é a lentidão com que essas mudanças se processam – salvo em momentos históricos de catástrofes, guerras ou epidemias. Na verdade, são mudanças pouco perceptíveis no curto prazo, por exemplo o de uma geração. A consequente falta de urgência faz que praticamente ninguém se vê numa obrigação iminente de buscar respostas, ou seja, a postergação é mais fácil – e nem, sequer, percebida. Assim, mesmo sinais evidentes são ignorados. 

 

Essa atitude, em inglês chamada de ‘ddd – deny, delay, do nothing’ (negue, retarde, não faça nada), envolve um risco sério: ser surpreendido com as consequências quando essas já atingiram proporções de maior gravidade.

 

Sem dúvida, o novo normal já começou. Um observador mais atento perceberá mais leitos de maternidade desocupados, mais bancos vazios nas salas do ensino fundamental, e mesmo entrando na faixa etária dos adolescentes já há sinais claros de retração nos habituais índices positivos. O que prejudica a nitidez desse quadro são as diferenças regionais. Enquanto há cidades médias, especialmente nas regiões de desenvolvimento agropecuário, com crescimento de mais de 50% dos habitantes, capitais como Salvador, Natal, Belém e Porto Alegre tiveram reduções populacionais acima de 5% nos últimos 12 anos.

 

Típico desse ‘novo normal’ por falta reprodutiva é a dinâmica progressiva, acompanhando o avançar das faixas etárias. Apenas como um exemplo que requer uma resposta específica: todas as populações de crianças e pessoas jovens liberam mão de obra a elas dedicadas de alguma maneira, enquanto aumenta a necessidade de atendimentos a idosos.

 

A nova normalidade exigirá estabelecer novas dimensões e dinâmicas econômicas, sociais e, acima de tudo, de políticas públicas. Medidas paliativas, como incentivos ao consumo onde não há consumidores, e que apenas antecipam consumos futuros e que faltarão mais tarde, não resolverão.

 

Queiramos, ou não, precisamos produzir respostas. E para tal devemos superar vacilações, receios, medos, indecisões. E cada situação em particular exigirá medidas específicas. Mesmo sendo um futuro inusitado, certas reações e projeções econômicas e sociais são perfeitamente previsíveis e, afinal, não estamos sozinhos nesse barco. Embora os contextos conjunturais de outros países na mesma situação sejam diferentes, a essência de seu ‘novo normal é e será a mesma.

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