Alternativas
(“Alternatives” – This text has been written in such a way as to facilitate translations
by electronic means)
Klaus H. G. Rehfeldt
Não
existem pessoas perfeitas, existem as menos imperfeitas. Não existe cultura
perfeita, existem as menos imperfeitas. Nossa civilização é o resultado de
infinitos acertos e erros. Não existem milagres, existem prodígios resultantes
de esforços bem-sucedidos. Existem êxitos e fracassos, e só.
Não
existem governos perfeitos, nem passados, nem o presente, nem futuros – e nem
governados. E os passados são história, que podem servir de lição. O passado se
desfaz, não se refaz; só restam as essências. O passado é feito de acertos e
erros, mas está concluído e seus protagonistas fizeram o que fizeram, de certo
e de errado, deixando marcas positivas e negativas, deixando exemplos bons ou
inaceitáveis. Erros e acertos produzem seus efeitos imediatos, mas também
lançam suas projeções sobre o futuro – e cada momento tem seu futuro.
Uma
sociedade compõe-se de indivíduos por natureza com características física e
mentalmente distintas, mas dispostas a conviver para que a somatória das
individualidades gere benefícios inalcançáveis pelo homem solitário. Resulta
daí um conjunto de pessoas que naturalmente oferecem e defendem alternativas
para a solução de seus problemas, e são quase forçados a encontrar fórmulas
para harmonizar sua coexistência – desde tempos muito antigos.
Essas
premissas não deixam dúvidas quanto ao descabimento de quaisquer intolerâncias
ou incomplacências, nem admitem espaços para sectarismos, discriminação ou
radicalismo. Obviamente excluem-se aqui as ‘imperfeições’ incompatíveis com a
vida em sociedade e definidas como crimes.
Somos,
sim, uma sociedade imperfeita, e boa parte das nossas imperfeições resulta da
escolha ‘imperfeita’ entre as alternativas existentes. Diante disso, seria
ilusório pensar que essa sociedade pudesse ter uma organização política
perfeita, um fato, aliás, apontado pelos próprios políticos, entre eles alguns
de projeção mundial. E cabe lembrar que os regimes atualmente vistos ao redor
do mundo resultam de contínuas tentativas de corrigir modelos políticos considerados
imperfeitos em cada momento, e de atender a sempre novas necessidades e
realidades.
O
jogo da democracia é a opção pela alternativa de cada ideário. Seu princípio é
simples: dar voz a todos e vez à maioria. E nessa escolha por opção jamais
houve, nem haverá unanimidade. Portanto, em todas as eleições democráticas há
ganhadores e perdedores – tanto entre ofertantes de alternativas (candidatos),
quanto optantes (eleitores). Na sociedade moderna, o respeito à vontade da
maioria é um status absolutamente racional e de maturidade política, onde não
deviam caber soberba, nem rancores, no máximo satisfação ou insatisfação.
Se
não houver essa racionalidade e maturidade corre-se o risco de cair numa
situação de cisão da população para ‘nós’ e ‘eles’, como tem se observado em
várias ocasiões recentes de diversos países em decorrência de eleições de
segundo turno para cargos executivos, especialmente quando os resultados giram
próximos dos 50%. Sabendo que toda cisão enfraquece uma sociedade, esse talvez
seja um dos pontos mais nevrálgicos nas democracias modernas.
Portanto,
a divisão de uma sociedade em campos opostos jamais poderá ser uma alternativa
de governo ou governantes, e caso isso ocorra por algum acirramento de posições
políticas, religiosas ou raciais, a harmonização e unificação da sociedade
deveria ser a primeira prioridade. A maior fonte de orgulho de um povo devem
ser a paz interna e sua unidade em busca de bem-estar e prosperidade da nação.
Feliz
o Brasil que não sofre disputas externas, e pode destinar todas suas energias à
alternativa de um abraço nacional.
Nenhum comentário:
Postar um comentário