sábado, 13 de abril de 2024

Alternativas

 

Alternativas

(“Alternatives” – This text has been written in such a way as to facilitate translations by electronic means)

 

Klaus H. G. Rehfeldt

 

Não existem pessoas perfeitas, existem as menos imperfeitas. Não existe cultura perfeita, existem as menos imperfeitas. Nossa civilização é o resultado de infinitos acertos e erros. Não existem milagres, existem prodígios resultantes de esforços bem-sucedidos. Existem êxitos e fracassos, e só.

Não existem governos perfeitos, nem passados, nem o presente, nem futuros – e nem governados. E os passados são história, que podem servir de lição. O passado se desfaz, não se refaz; só restam as essências. O passado é feito de acertos e erros, mas está concluído e seus protagonistas fizeram o que fizeram, de certo e de errado, deixando marcas positivas e negativas, deixando exemplos bons ou inaceitáveis. Erros e acertos produzem seus efeitos imediatos, mas também lançam suas projeções sobre o futuro – e cada momento tem seu futuro.

Uma sociedade compõe-se de indivíduos por natureza com características física e mentalmente distintas, mas dispostas a conviver para que a somatória das individualidades gere benefícios inalcançáveis pelo homem solitário. Resulta daí um conjunto de pessoas que naturalmente oferecem e defendem alternativas para a solução de seus problemas, e são quase forçados a encontrar fórmulas para harmonizar sua coexistência – desde tempos muito antigos.

Essas premissas não deixam dúvidas quanto ao descabimento de quaisquer intolerâncias ou incomplacências, nem admitem espaços para sectarismos, discriminação ou radicalismo. Obviamente excluem-se aqui as ‘imperfeições’ incompatíveis com a vida em sociedade e definidas como crimes.

Somos, sim, uma sociedade imperfeita, e boa parte das nossas imperfeições resulta da escolha ‘imperfeita’ entre as alternativas existentes. Diante disso, seria ilusório pensar que essa sociedade pudesse ter uma organização política perfeita, um fato, aliás, apontado pelos próprios políticos, entre eles alguns de projeção mundial. E cabe lembrar que os regimes atualmente vistos ao redor do mundo resultam de contínuas tentativas de corrigir modelos políticos considerados imperfeitos em cada momento, e de atender a sempre novas necessidades e realidades.    

O jogo da democracia é a opção pela alternativa de cada ideário. Seu princípio é simples: dar voz a todos e vez à maioria. E nessa escolha por opção jamais houve, nem haverá unanimidade. Portanto, em todas as eleições democráticas há ganhadores e perdedores – tanto entre ofertantes de alternativas (candidatos), quanto optantes (eleitores). Na sociedade moderna, o respeito à vontade da maioria é um status absolutamente racional e de maturidade política, onde não deviam caber soberba, nem rancores, no máximo satisfação ou insatisfação.

 

Se não houver essa racionalidade e maturidade corre-se o risco de cair numa situação de cisão da população para ‘nós’ e ‘eles’, como tem se observado em várias ocasiões recentes de diversos países em decorrência de eleições de segundo turno para cargos executivos, especialmente quando os resultados giram próximos dos 50%. Sabendo que toda cisão enfraquece uma sociedade, esse talvez seja um dos pontos mais nevrálgicos nas democracias modernas.

Portanto, a divisão de uma sociedade em campos opostos jamais poderá ser uma alternativa de governo ou governantes, e caso isso ocorra por algum acirramento de posições políticas, religiosas ou raciais, a harmonização e unificação da sociedade deveria ser a primeira prioridade. A maior fonte de orgulho de um povo devem ser a paz interna e sua unidade em busca de bem-estar e prosperidade da nação.

Feliz o Brasil que não sofre disputas externas, e pode destinar todas suas energias à alternativa de um abraço nacional.         

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