segunda-feira, 29 de abril de 2024

Do Terror ao Bicho-Papão

 

Do Terror ao Bicho-Papão

(“From Terror to Boogeyman” – This text has been written in such a way as to facilitate translations by electronic means)

 

Klaus H. G. Rehfeldt

 

Ideias socialistas são bastante antigas e podem ser observadas desde a Revolução Francesa de 1789. Naquele momento, a Revolução Industrial já está tomando vulto em alguns países com todos os conhecidos abusos sofridos pelos trabalhadores sujeitos às regras (ou a falta delas) do capitalismo emergente. É o período do socialismo primitivo ou socialismo utópico quando se busca um Estado ideal e justo, mas também já idealizando as primeiras formas de propriedade comum.

 

A partir do Manifesto Comunista de 1848 e o livros ‘O Capital’, de K. Marx (por sinal escrito na Inglaterra, naquele momento o centro da Revolução Industrial e seus abusos), ficou consolidado e delineado o ideário comunista, passando a servir de referência a um socialismo mais radical. Por mais que essa ideologia fosse banida pelos governos da época, tanto autocráticos, quanto democráticos, ela encontrou receptividade, e também em virtude desse banimento, ganhou resiliência.

 

Veiou a Revolução Russa de 1917, que não foi uma revolução comunista, mas anti-tzarista, porém, o vácuo de poder que ela causou foi sangrentamente ocupado pelas forças comunistas existentes no país. E a Rússia, em seguida União Soviética (URSS), tornou-se o primeiro país identificado com o comunismo. Vitoriosa na Segunda Guerra Mundial, a URSS anexou praticamente todos os países em sua periferia territorial. A mesma ideologia passou a ser adotada pela China, e posteriormente por Cuba, Congo, Correia do Norte, parte do Vietnam, entre outros, porém nunca de forma democrática, mas como resultado de golpes de estado ou  revoluções, sempre apoiados, inclusive militarmente, pela União Soviética ou a China.   

 

O mundo dividiu-se em dois sistemas político-econômico, o capitalista, em geral democrático, e o comunista, sempre autocrático. O único equilíbrio entre os dois blocos foi o bélico, e esse custou muito caro à URSS com sua economia sempre problemática. Os planos quinquenais da economia soviética fracassaram um após o outro a ponto de repetidas vezes a URSS teve de importar trigo e outros commodities dos Estado Unidos e outros países capitalistas. Sendo um sistema político imposto que não admitia contestação, sempre foi um regime bastante brutal, e nunca fora amplamente sustentado pelo povo. Havia, naturalmente, uma significativa parcela da população simpatizante da ideologia marxista, uma vez que para muitos habitantes em países comunistas houve uma efetiva melhora em seu padrão de vida (mesmo longe daquele dos países capitalistas), mas apenas o rigor - muitas vezes terror – do sistema garantia sua própria subsistência. A mão de ferro era onipresente. Via de regra, especialmente os primeiros momentos da instauração de governos comunistas eram extremamente violentos, usando o terror como meio de submissão.

 

Essa realidade ficou inequivocamente evidente quando, em 1989 caiu pacificamente o Muro de Berlin e em 1991 se dissolveu repentina e quase silenciosamente a União Soviética. Nesses momentos ficou claro que o comunismo não conseguiu se impor como forma de governo exitoso – estava falido. O regime comunista, auto-definodo como progressista (em oposição aos conversadores) deixou poucos progressos, salvo em tecnologias bélicas.

 

Como as ex-repúblicas soviéticas não tiveram qualquer experiência em regimes democráticos tornarem-se presa fácil de poderes autocráticos. No entanto, nenhum desses países voltou a ser comunista, até em alguns casos temos hoje governos conservadores Da mesma forma, nenhum país adotou a ideologia marxista como regime político nas últimas seis décadas.

 

Em nenhum país onde governara, o regime comunista foi a livre escolha do povo (eleições com resultados acima de 95% a favor de candidatos comunistas obviamente não eram limpas), e os poucos países que ainda se dizem comunistas são ditaduras que colocaram o comunismo em suas bandeiras, mas ao mesmo tempo praticam economias de mercado, ou, como Cuba, que vende seu 'comunismo' como atração turística; a China inventou a esdrúxula definição de ‘um país, dois sistemas’.

 

Em síntese, o ideário comunista foi uma resposta utópica a uma realidade de um emergente capitalismo muitas vezes selvagem da incipiente Revolução Industrial, em nada comparável com o capitalismo moderno, cada vez mais em harmonia com regimes políticos socialdemocratas. O colapso sem retorno dessa utopia mostra claramente que o comunismo não cabe nem em governos, nem na cabeça dos cidadãos comuns da atualidade.


Fazit: O comunismo implodiu definitivamente há uma geração atrás, e desde então ninguém, por mais aloprado o saudosista fosse, tentou reerguê-lo.

 

Resta, porém, um papel ao comunismo: servir de bicho-papão como importante anti-herói em campanhas políticas. Sempre haverá pessoas e agrupamentos simpatizantes dos ideais marxistas, da mesma forma como outros pensamentos inusitados e sua presença faz parte da diversidade do pensamento humano. Cada povo tem seus bichos-papão e seus respectivos interessados que os mantêm vivos. Por sorte, bicho-papão é coisa de cabeça e a razão costuma vencer.

 

 

 

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