Fake News, a Indústria da Mentira
(“Fake News, the Industry of Lies” – This text has been written in such a way as to
facilitate translations by electronic means)
Klaus H. G. Rehfeldt
A mentira faz parte do comportamento humano desde quando
um indivíduo da espécie homo teve consciência do bem e do mal. Ela está
presente no cotidiano seja na vida privada, nas atividades profissionais, ou
seja, na política. Especialmente nessa última, a mentira grassa de maneira
devastadora. Ao ponto de, em certa ocasião, o ministro de propaganda do Terceiro
Reich, Josef Goebbels, afirmar publicamente que “uma mentira repetida por
várias vezes acaba tornar-se uma verdade”; a história provou o contrário, e a
verdade foi desastrosa.
Por mais absurda que seja, essa
frase fez escola e tornou-se motivo para os mais diversos empenhos de atingir
objetivos inalcançáveis, ou muito difíceis de ser conseguidos através da
verdade. O que no plano interpessoal pode ser bastante espontâneo e inócuo, na
área comercial e política são trabalhos altamente profissionais, muito bem
direcionados e muito bem remunerados. São experts, muitas vezes sem quaisquer logos
comerciais, cores políticas ou bandeiras nacionais, e sem vínculos ou
compromisso com causas ou objetivos, verdades ou fake news (notícia falsa, notícia mentirosa, inverídica), que concebem,
planejam e executam a divulgação de mensagens ou campanhas de desinformação e falsidades
– eventualmente em âmbito global. Invólucros sensacionalistas e/ou catastrofistas
ajudam na divulgação do material, hoje beneficiando-se das mídias sociais, para
cujo acesso basta um telefone celular.
Por um lado, populações incautas
e menos instruídas tendem a receber mensagens fake news sem restrições, nem perguntas. Os efeitos são
essencialmente dois: o assunto é esquecido em menos de 24 horas, ou, se a
memória for mais longa, os anúncios – mormente os bombásticos – acabam por não
se concretizar e daí geram decepção ou frustração. Por outro lado, pessoas
simpatizantes com o teor da notícia, não questionando se é fake news, ou não são
destinatários valiosos de informações influenciadoras, pois percebendo-se confirmados
em suas convicções, costumam ser redistribuidores de mensagens, sem qualquer
questionamento da veracidade – ou mesmo sabendo não ser. A credulidade alheia
sempre foi o lucro dos espertos. De qualquer maneira, seja despertando ilusões,
satisfações ou massagem de egos, ou seja, gerando desconfiança, incredulidade e
angústia, os efeitos são, em geral, extremamente efêmeros.
Ainda poucas pessoas têm
conhecimento sobre deep fake, ou
seja, uma ferramenta de inteligência artificial que, bastando ter uma imagem da
pessoa, coloca qualquer discurso em sua boca, com toda dinâmica facial –
inclusive com sotaque estrangeiro -, sem que o receptor da mensagem perceba a
fraude. Isso, aplicado na média social, torna-a totalmente inconfiável. Isso
devolve a média social às suas origens, um meio recreativo descompromissado.
Hoje, sem dúvida, existem formas
e maneiras de verificação da veracidade dessa ou daquela mensagem. A mesma
tecnologia que beneficia a circulação de notícias permite verificar sua
autenticidade. Basta um pouco de desempenho, sem qualquer grau de dificuldade. Isso
significa que, qualquer cidadão consegue fazer qualquer sondagem ou busca de
origem. Daí resultam dois “encaminhando” (aquele apócrifo esconderijo de
autoria), o verdadeiro ou a fake news
com seus respectivos autores. Obviamente, cada um tem o direito de defender
suas causas e dispõe do arbítrio de como fazê-lo. Mas fica a pergunta: uma
causa nobre precisa de fake news para
sua divulgação?
Entretanto, as fake news, especialmente nas redes
sociais, parecem estar com os dias contadas. Estamos na primeira infância da inteligência
artificial (IA) e a mesma tecnologia usada na produção de fake news certamente não demorará de aparecer com um aplicativo que
automática e instantaneamente fará a verificação da veracidade da mensagem. Restará
a memória das imagens e fontes do mundo fake.
Há mentira pública para o Bem?
Afinal, causas nobres defendidas
por fake News, no mínimo, perdem o
brilho, em geral, sua autenticidade.
Perfeito.
ResponderExcluirAs "populações incautas e menos instruídas" deveriam ser levadas a meditar sobre este assunto como, digamos, uma lição de casa.
Mas o que na vida comum se observa é um alto grau de preguiça mental e uma inércia quanto a manutenção de valores morais e éticos.