A Semana de Quatro Dias (de Trabalho)
(“The Four-(Work-)Day-Week” - This text is written in a way to ease comprehensive
electronic translation)
Klaus H. G. Rehfeldt
(Também
acessível no blog: kl-rehfeldt.blogspot.com)
“Vivemos para trabalhar ou trabalhamos para viver?” Nem um, nem outro, mas ambos.
Trabalhar
apenas quatro dias por semana torna os funcionários mais felizes, saudáveis e
igualmente produtivos, é o que sugerem estudos e projetos-piloto. Evidentemente,
há muita discussão entre defensores e opositores a essa ideia, seja a validade,
o modelo, ou a extensão da medida.
Os resultados
de um estudo da Grã-Bretanha parecem promissores: 61 empresas testaram a semana
de quatro dias durante seis meses. 56 delas querem ficar com ele por enquanto.
Os funcionários estão mais equilibrados, mais saudáveis e a produtividade até
aumentou. Na Alemanha, depois que, entre outros, o sindicato alemão IG Metall
vem pedindo uma semana de quatro dias para a indústria siderúrgica há algum
tempo, está sendo lançado um projeto-piloto. A semana de quatro dias deve ser
testada em mais de 50 empresas.
Na
Bélgica, a semana de quatro dias já está consagrada em lei desde o final de 2022.
Ali, os funcionários podem completar suas horas de trabalho semanais em quatro
dias. Dependente do contrato de trabalho, o número de horas pode ser reduzido
contra uma dedução salarial, ou não. Por outro lado, a Islândia vem realizando
projetos-piloto e estudos desde 2015, nos quais as horas de trabalho foram
reduzidas. Cerca de 90% da população ativa já reduziu o horário de trabalho.
Desde o
início de 2024, 21 companhias brasileiras estão participando de um projeto
piloto, que estabelece o modelo 100-80-100: os profissionais recebem 100% do
salário, trabalhando 80% do tempo e mantendo 100% de produtividade.
Existem
duas variantes básicas para a semana de quatro dias. Na primeira, o colaborador
completa seu volume de trabalho, numa semana de 40 horas, em apenas quatro
dias, a jornada de trabalho podendo ser estendida de oito para até dez horas.
Na segunda variante, o empregado trabalha um dia a menos com a mesma duração e
a sexta-feira (ou outro dia útil) é livre. Existem modelos em que o colaborador
recebe o mesmo salário de antes, apesar da redução da jornada de trabalho. No
entanto, há também a opção pela qual ele renuncie a parte do salário para ter
um dia de folga.
E quais
são as vantagens de uma semana de quatro dias? De acordo com os resultados de estudos
e experiências, a semana de quatro dias leva a funcionários mais motivados, o
modelo privilegia as empresas que o adotam para possíveis candidatos de emprego
e melhora o equilíbrio entre vida profissional e pessoal. Os funcionários
relatam uma sensível melhora de sua qualidade de vida pessoal e familiar.
Mas
também há desvantagens. Em princípio, no modelo da semana de quatro dias com
jornada de oito horas, as maiores dificuldades consistem na eficiente
distribuição da disponibilidade de colaboradores numa semana útil (de vida
ativa e consumo) de cinco, seis ou sete dias, p. ex. no comércio, na hotelaria
ou na prestação de serviços (de vida ativa e consumo). Quando, no entanto, as
40 horas por semana são comprimidas em quatro dias (10 horas por dia), isso
pode levar maior desgaste físico e mental, que podem rapidamente ter
consequências para a produtividade e a saúde do colaborador.
Diante de
tudo isso, a pergunta que se impõe é se a semana de quatro dias passará a ser o
futuro padrão de trabalho. Diferentemente da Bélgica, de uma maneira geral, os
países ainda estão longes de alguma forma de oficialização desse modelo de
trabalho. Por um lado, uma semana de
quatro dias é mais difícil de implementar em alguns setores, como p.ex.
comércio de varejo ou logística, do que em outros. Por outro, é mais fácil com
trabalhos de escritório e em algumas áreas industriais. Atualmente, fica ao
critério dos empregadores oferecer aos colaboradores novos modelos de tempo de
trabalho, seja em termos de tempo, seja com relação ao local (home office).
Especialmente
ramos de negócio em fase de reestruturação, p. ex. devido a mudanças de
mercado, poderiam incluir com mais o modelo de quatro dias. Não raro, novas
tecnologias resultam em menos mão de obra – ou em menos horas de trabalho.
Já houve
tempos quando as jornadas de trabalho de dez, até doze horas, ou então a semana
de seis dias de trabalho eram a norma. Depois da semana de cinco dias, o novo
modelo de quatro dias parece apenas um passo a mais numa contínua evolução de
melhorias de condições de trabalho – e de qualidade de vida.
Não
podemos deixar de trabalhar sob risco de sérios problemas físicos e mentais, e,
a partir de determinado ponto, o trabalho pode converter-se de obrigação
estafante em vontade pessoal – talvez, prazer.
Mais tecnologia leva a menos horas de trabalho manual bruto. Ou outras atividades repetitivas.
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