Cadê os Velhinhos?
‘Where are the Oldies?’ - This text was written
in a way to ease comprehensive electronic translations.)
Klaus H. G. Rehfeldt
Vez por outra aparece
na mídia social uma relação anacrônica de objetos de produtos que faziam parte
da nossa vida – nossa, para os idosos –, da geração anterior às dos atuais
jovens e adultos.
Depois de
séculos de poucas mudanças dos meios e utensílios para as mais diversas
finalidades para os objetos e processos do cotidiano presente, o último século
foi de fato revolucionário em termos de aperfeiçoamentos, aprimoramentos e
inovações nas disponibilidades de consumo. O avanço tecnológico está impondo
renovações e substituições antes dos bens e serviços terem esgotado sua vida
útil. Os produtos tornam-se tecnologicamente obsoletos enquanto ainda estão
funcionalmente perfeitos.
Consequência
direta são maneiras renovadas de conduzir a vida no ambiente de recursos – e
condicionantes – de uma vida em permanente mutação, sem em busca de facilitar
os mais diversos aspectos da vadia. Os modi
vivendi mudam a cada instante, as vezes lenta, outras vezes abruptamente. E
há um preceito inflexível: o mundo moderno não admite uma vida nos moldes de
décadas atrás.
Num olhar
para trás percebem-se distâncias enormes entre os padrões de vida de apenas um
século atrás e o presente. São mudanças de qualidade e são muitas, algumas
profundas, outras menos importantes, algumas sutis, outras nem tanto:
- a conversa saÍa da boca,
não dos dedos;
- a palavra era levada
pessoalmente à casa do destinatário, ou então por carta ou telegrama,
eventualmente por telefone;
- as notícias chegavam
apenas no dia seguinte (ou mais tarde ainda), o que lhes tirava parte do
impacto;
- na igreja, os homens
sentavam num lado da igreja e as mulheres no outro, e o padre rezava a missa de
costas para os fiéis – e em latim;
- os pais eram chamados
de senhor e senhora pelos filhos, aliás, os professores também;
- os alunos iam a pé,
ou de ônibus, para a escola e os livros (da FTD!) passavam dos filhos mais
velhos para os mais novos – como acontecia com roupas e sapatos;
- os automóveis tinham
absoluta preferência;
- o único serviço
público ou privado utilizado era a energia elétrica (onde havia);
- o jogo de sala era
incluída no testamento;
- homem de cabelo
comprido ou de calça vermelha, impensável;
- almoçar ou jantar
fora de casa significava um evento especial; ...
- ah, e ainda não
existia a pílula anticoncepcional.
Além
disso, a estrutura familiar incluía três gerações; avó, avô, ou ambos, moravam
com um dos filhos até sua despedida final. Como, então, a mulher ainda não
estava tão intensivamente envolvida em carreiras profissionais, ela cuidava das
tarefas domésticas e os velhinhos passavam o dia sentados num sofá ou numa
cadeira de balanço – sem objetivo, sem utilidade. Mas, se você hoje pergunta a
quem viveu todas estas realidades o que melhorou ou piorou desde então, uma
resposta é quase unânime: o mundo era mais legível, mais compreensível.
Já, há
algum tempo, o idoso tenta, e com bastante empenho e sucesso, livrar-se desse
estereótipo. Não sem a ajuda de recursos da vida moderna, ele busca cada vez
mais viver sua autonomia. Ele, ou ela, mora sozinho, tem seu computador, seu
telefone celular que, obviamente, não domina em toda extensão de suas
capacidades, porque não, seu carro na garagem – e um ticket de cruzeiro
marítimo no bolso. E lá adiante, as opções de uma florescente indústria de casas
de acolhimento de idoso está esperando de braços abertos. A própria indústria
de construção civil, hoje está focada em moradias para a família nuclear – casa
e, no máximo, dois filhos.
Foram, ou
ainda são mudanças de livre escolha? Não, não foram. Elas foram claramente impostas
pelos avanços técnicos que, ao longo do último século, invadiram consequentemente
todas as facetas de nossas vidas, do utensílio doméstico, passando pela
comunicação, à medicina, recursos sem os quais a autonomia adquirida seria
impensável. E o idoso soube se beneficiar e adaptar às novas realidades –
certamente nem sempre sem reservas e restrições. Afinal, ele deu origem a uma
nova categoria na sociedade, que nem nome ainda tem.
O idoso,
ou a idosa, deixou de aguardar sua morte para prolongar sua vida.
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