A Era do ‘WhatsApp’
(‘The 'WhatsApp' Era’ -
This text is written in a way to ease
comprehensive electronic translation)
Klaus H. G. Rehfeldt
Durante milhares,
dezenas, centenas de milhares de anos, toda a comunicação era de boca a boca. E
o que não era comunicado ou transmitido perdeu-se para sempre. A primeira
grande revolução na participação do outro numa mensagem, num aviso, ou num
registro passou a ser a gravada, seja cunhada em pedra ou tábuas de barro, ou
realmente escrito em papiros – e, talvez, outras formas que não se preservaram.
Mas, de qualquer forma, tais recursos eram do domínio de poucos e reservados a
uma elite oficial e eclesiástica. Em outra alternativa, o mensageiro era o
transmissor de notícias e mensagens a distância, às vezes, longa distância – e
coitado dele quando a notícia era ruim. Na verdade, até hoje, mensagens
altamente reservadas são transmitidas por ‘courier’.
Segue um
longo período da escrita em papel, que ganhou expressão a partir da antiga
Grécia e existe até hoje. Por fim, já na era moderna, vivemos a chegada da
telefonia e a radiodifusão. A comunicação a distância por meios elétricos e
eletrônicos tinha nascido. Poucas pessoas, porém, hoje de idade avançada,
conheceram o telefone e o rádio em sua infância e juventude. Caíram as distâncias
na comunicação e uma única voz passou a alcançar milhões de ouvintes.
O próximo
passo, a cibernética, e, não demorou muito, surgiram as plataformas das assim
chamadas redes sociais. A comunicação para massas passou à comunicação entre
massas. Dezenas, centenas, milhares de pessoas conseguem agrupar-se em torno de
qualquer assunto ou objetivo.
Tecnicamente,
as redes sociais funcionam muito bem, mas, em tudo criado pelo homem, nada é
perfeito – como ele mesmo. A possibilidade de comunicação global entre oito
bilhões de pessoas passou de algo visionário a até duas décadas atrás para uma
realidade. O seu próximo amigo virtual pode ser seu vizinho do andar superior
ou estar vivendo em Samarqanda, no Uzbequistão. E se hoje apresenta
imperfeições, a inteligência artificial promete corrigi-las – quase –
totalmente.
Politicamente,
é a democracia por excelência, na suposição de que não haja intervenções, seja
a que interesses sirvam, ou de que origem forem. Permite a manifestação livre
de todos para todos, seja de maneira civilizada, seja de forma ofensiva, até
agressiva. E fica a marca, a qualidade da manifestação identifica o autor, mas,
assim é a humanidade. A palavra expressa não volta para a boca – a imagem está
criada.
A
realidade atual é outra. “Sei lá, se é verdade, mas gostei; toca pra frente! ” No
mínimo, uma leviandade, pior quando a mentira evidente ou desinformação for intencional.
As redes sociais permitiram a subtração da identidade da mensagem, notícia ou
informação. Talvez seja a razão porque o WhatsApp jamais teve, ou então perdeu
expressividade em muitos países, com Estados Unidos e Japão, entre outros.
Quando
temos redes sociais notoriamente impregnadas por inverdades e distorções de
fatos - seja dita a verdades, nem todas; talvez nem a maioria -, obviamente as mesmas perdem um de seus aspectos mais importantes: o de um
canal de comunicação confiável de amplitude em casos de emergências públicas
(vide a recente enchente no Rio Grande do Sul). Atos e abusos levianos, até
irresponsáveis, tornaram as redes sociais inviáveis para quaisquer fins de
utilidade pública. Por falta de confiabilidade perdeu-se um valioso instrumento
para tais situações.
Se as
redes sociais trouxeram imensas facilidades de comunicação e a aproximação
entre as pessoas, ao mesmo tempo produziram avalanches de informações que
invadem nossas vidas sem qualquer filtro ou instrumento seletivo entre o falso
e o verdadeiro, entre o bem-intencionado e a má-fé.
Daí a
pergunta: qual será o futuro das redes sociais? Essencialmente, o futuro das
redes sociais depende de sua credibilidade, ou seja, da credibilidade dos seus
usuários e de das suas contribuições. Afinal, a médio e longo prazo, ninguém
aceita ser ludibriado. Afinal, por mais que a ilusão agrade, no momento
decisivo, o homem prefere pisar em chão real e firme.
Por enquanto o "me engana que eu gosto" está levando expressiva vantagem sobre a confiabilidade e a verdade confirmada.
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