Hegemonias Não São
Eternas
(“Hegemonies Are Not
Eternal” - This text is written in a way to ease
comprehensive electronic translation)
Klaus H. G. Rehfeldt
Hegemonias vem e vão.
Supremacias vem e vão. Isso é uma constante histórica da humanidade desde
quando estruturada em sociedades organizadas. Há milhares de anos,
prosperidades regionais fizerem surgir sociedades fortes com potencial de
expansão territorial e consequentes domínios de povos próximos menos
afortunados. Sem esquecer evoluções civilizatórias no mundo asiático,
conhecemos as primeiras estruturas estatais política e economicamente fortes
surgidas no 4º milênio a.C. na Mesopotâmia, depois no Egito ao longo do rio
Nilo (mas, menos notavelmente, também na costa do Pacífico sul-americano).
Um marco
na história antiga foi o surgimento do Império Romano, que acabou por impor seu
crescente poder militar, político, mas também cultural no sul e sudeste
europeu, no Oriente Médio, ao redor do Mar Mediterrâneo e em terras germânicas.
Durou de 27 a.C.
a 1453 d.C. — um total de 1.480 anos para depois implodir.
Nos séculos XII e início do XIII, de origem
asiática, o Oriente Médio, mas principalmente a Europa, foram alvos da expansão
do Império Mongol, que, em seus avanços bélicos, chegou a formar o maior
império contíguo da história, cobrindo 27,3 milhões de quilômetros quadradas de
terra. O império teve 110 milhões de pessoas entre 1270 e 1309. Acabou sendo um
império insustentável em sua época e desapareceu do mapa.
Depois de um vácuo secular, embora e paralelamente
à expansão do cristianismo como fator de determinação civilizatória em terras
europeias, o Império Otomano estabeleceu uma supremacia política e religiosa no
espaço mediterrâneo, chegando ao seu auge entre os séculos 16 e 17 d.C., cobriu
partes de três continentes para então lentamente sucumbir.
Com as
iniciativas desbravadoras hispânicas, e portuguesas, dos séculos XVI e XVII, as
supremacias territoriais começaram a ter origem europeia. Os continentes,
americano, africano e asiático eram imensos, praticamente sem oferecer
resistência à ocupação – e subjugação. Entretanto, depois de apenas o Império
Hispânico, em seu auge, atingir uma soma de territórios de 13,7 milhões de
quilômetros quadrados no final do século XVIII, iniciou-se um gradual declínio
com um recuo final aos domínios limitados à atual península hispânica. –
Impérios vem e vão.
As mesmas precondições favoráveis deram origem
à quase simultânea construção do Império Britânico. Esse tornou-se o maior império da história,
dominando quase um quarto do planeta. Motivado pelas explorações
portuguesas e hispânicas, seu início deu-se no final do século XVI. O
Império Britânico impôs a sua supremacia política, económica e militar ao redor
do mundo, principalmente depois da derrota de Napoleão em 1814 e até ao início
do século XX.
Em seu auge em 1920,
o Império Britânico cobria 35,5 milhões de quilômetros quadradas, o que
representava quase um quarto da área terrestre do mundo, e no qual “o sol não
se punha”. Em 1913, o Império Britânico controlava 412 milhões de pessoas, o
que representava 23% da população mundial na época. No entanto, ele começou a
declinar após as duas guerras mundiais, quando a Grã-Bretanha ficou
enfraquecida e endividada. A Grã-Bretanha também perdeu parte do seu
poderio económico face a concorrentes como os Estados Unidos e a Alemanha. –
Foi uma transição sem traumas nacionais.
E foram exatamente os Estado Unidos, como os
grandes vencedores da Segunda Guerra Mundial, que assumiram uma nova liderança
socioeconômica, política e cultural no mundo, apenas contestada pelo regime
ideologicamente oponente da União Soviética ao longo de quase cinco décadas de
Guerra Fria até a implosão do mundo comunista. A hegemonia norte-americana
estendeu-se, direta ou indiretamente, pelos cinco continentes. Não foi uma
supremacia territorial, mas um forte domínio – senão dependência – econômico,
às vezes, político, especialmente sobre os países do assim chamado Terceiro
Mundo. Uma hegemonia praticamente global.
Todavia, ao longo da história dos últimos milênios,
nenhuma supremacia, hegemonia ou liderança conseguiu ser eterna. Assim e por
enquanto, lenta, mas continuamente, outro candidato a líder econômico mundial
já está se destacando – a China. Achando um compromisso entre uma doutrina
político socialista e uma economia de mercado, ao longo dos últimos 40 anos
avançou de um PIB de 190 bilhões de dólares, ou seja, insignificantes 6,5% dos 2,9
trilhões de dólares dos Estados Unidos em 1980, para atuais 18,3 trilhões de
dólares, significando quase dois terços dos 29,17 trilhões estadunidenses. Um
avanço, sem dúvida, espetacular, e, embora de impulso mais reduzido, promete
continuidade. Ao lado de outros atores relevantes, outros aspectos determinantes:
sua capacidade tecnológica e seu mercado de consumo interno, que é quatro vezes
maior que o norte-americano.
A liderança econômica dos Estado Unidos está
ameaçada? A lógica histórica e as evidências dizem que sim, e a admissão não
será fácil no mundo da informação global. E acabará ali? Certamente não tão
breve. A Índia está revelando progressos expressivos. E, quem sabe, ainda
existe o continente africano. Hegemonias não são eternas.
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