sábado, 9 de novembro de 2024

Hegemonias Não São Eternas

 

Hegemonias Não São Eternas

 

(“Hegemonies Are Not Eternal” - This text is written in a way to ease comprehensive electronic translation)

 

Klaus H. G. Rehfeldt

 

Hegemonias vem e vão. Supremacias vem e vão. Isso é uma constante histórica da humanidade desde quando estruturada em sociedades organizadas. Há milhares de anos, prosperidades regionais fizerem surgir sociedades fortes com potencial de expansão territorial e consequentes domínios de povos próximos menos afortunados. Sem esquecer evoluções civilizatórias no mundo asiático, conhecemos as primeiras estruturas estatais política e economicamente fortes surgidas no 4º milênio a.C. na Mesopotâmia, depois no Egito ao longo do rio Nilo (mas, menos notavelmente, também na costa do Pacífico sul-americano).

 

Um marco na história antiga foi o surgimento do Império Romano, que acabou por impor seu crescente poder militar, político, mas também cultural no sul e sudeste europeu, no Oriente Médio, ao redor do Mar Mediterrâneo e em terras germânicas. Durou de 27 a.C. a 1453 d.C. — um total de 1.480 anos para depois implodir.

 

Nos séculos XII e início do XIII, de origem asiática, o Oriente Médio, mas principalmente a Europa, foram alvos da expansão do Império Mongol, que, em seus avanços bélicos, chegou a formar o maior império contíguo da história, cobrindo 27,3 milhões de quilômetros quadradas de terra. O império teve 110 milhões de pessoas entre 1270 e 1309. Acabou sendo um império insustentável em sua época e desapareceu do mapa.

 

Depois de um vácuo secular, embora e paralelamente à expansão do cristianismo como fator de determinação civilizatória em terras europeias, o Império Otomano estabeleceu uma supremacia política e religiosa no espaço mediterrâneo, chegando ao seu auge entre os séculos 16 e 17 d.C., cobriu partes de três continentes para então lentamente sucumbir.

 

Com as iniciativas desbravadoras hispânicas, e portuguesas, dos séculos XVI e XVII, as supremacias territoriais começaram a ter origem europeia. Os continentes, americano, africano e asiático eram imensos, praticamente sem oferecer resistência à ocupação – e subjugação. Entretanto, depois de apenas o Império Hispânico, em seu auge, atingir uma soma de territórios de 13,7 milhões de quilômetros quadrados no final do século XVIII, iniciou-se um gradual declínio com um recuo final aos domínios limitados à atual península hispânica. – Impérios vem e vão.

 

As mesmas precondições favoráveis deram origem à quase simultânea construção do Império Britânico. Esse tornou-se o maior império da história, dominando quase um quarto do planeta. Motivado pelas explorações portuguesas e hispânicas, seu início deu-se no final do século XVI. O Império Britânico impôs a sua supremacia política, económica e militar ao redor do mundo, principalmente depois da derrota de Napoleão em 1814 e até ao início do século XX.

 

Em seu auge em 1920, o Império Britânico cobria 35,5 milhões de quilômetros quadradas, o que representava quase um quarto da área terrestre do mundo, e no qual “o sol não se punha”. Em 1913, o Império Britânico controlava 412 milhões de pessoas, o que representava 23% da população mundial na época. No entanto, ele começou a declinar após as duas guerras mundiais, quando a Grã-Bretanha ficou enfraquecida e endividada. A Grã-Bretanha também perdeu parte do seu poderio económico face a concorrentes como os Estados Unidos e a Alemanha. – Foi uma transição sem traumas nacionais.

E foram exatamente os Estado Unidos, como os grandes vencedores da Segunda Guerra Mundial, que assumiram uma nova liderança socioeconômica, política e cultural no mundo, apenas contestada pelo regime ideologicamente oponente da União Soviética ao longo de quase cinco décadas de Guerra Fria até a implosão do mundo comunista. A hegemonia norte-americana estendeu-se, direta ou indiretamente, pelos cinco continentes. Não foi uma supremacia territorial, mas um forte domínio – senão dependência – econômico, às vezes, político, especialmente sobre os países do assim chamado Terceiro Mundo. Uma hegemonia praticamente global.

 

Todavia, ao longo da história dos últimos milênios, nenhuma supremacia, hegemonia ou liderança conseguiu ser eterna. Assim e por enquanto, lenta, mas continuamente, outro candidato a líder econômico mundial já está se destacando – a China. Achando um compromisso entre uma doutrina político socialista e uma economia de mercado, ao longo dos últimos 40 anos avançou de um PIB de 190 bilhões de dólares, ou seja, insignificantes 6,5% dos 2,9 trilhões de dólares dos Estados Unidos em 1980, para atuais 18,3 trilhões de dólares, significando quase dois terços dos 29,17 trilhões estadunidenses. Um avanço, sem dúvida, espetacular, e, embora de impulso mais reduzido, promete continuidade. Ao lado de outros atores relevantes, outros aspectos determinantes: sua capacidade tecnológica e seu mercado de consumo interno, que é quatro vezes maior que o norte-americano.

 

A liderança econômica dos Estado Unidos está ameaçada? A lógica histórica e as evidências dizem que sim, e a admissão não será fácil no mundo da informação global. E acabará ali? Certamente não tão breve. A Índia está revelando progressos expressivos. E, quem sabe, ainda existe o continente africano. Hegemonias não são eternas. 

          

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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