O Planeta que Poderíamos
Precisar
(“The Planet We Could
Need” - This text is written in a way to ease
comprehensive electronic translation)
Klaus H. G. Rehfeldt
Desconhecemos quantos
planetas existem no universo, nem do que são feitos – mas são milhões. Diante
disso, a pergunta se existe outro planeta igual à nossa Terra não quer calar. E
muito provavelmente jamais será respondida. Semelhante não serve, tem que ser praticamente
igual. E veremos porquê.
A
começar, o tamanho desse planeta não deveria ser muito diferente da Terra. Do
contrário, todos os seres vivos teriam sérios problemas de gravidade excessivamente
forte ou fraca.
A meses,
décadas, anos luz de distância precisamos de uma flora e fauna, da qual faríamos
parte, minimamente compatível com nossas necessidades básicas, e que possam nos
suprir de proteínas, vitaminas e sais minerais. Mas isso exige certas condições
indispensáveis, ou, pelo menos, suficientemente disponíveis.
A
primeira preocupação quanto às condições mínimas para a existência humana é a
presença de água. Entretanto, água não é igual a água. Conforme a química do
solo de onde ela vem, quando não é água de precipitação, pode torná-la inviável
para o consumo, ou eventualmente requer sofisticados – e onerosos – processos para
deixa-la potável. Portanto, o planeta que poderíamos precisar requer não apenas
‘água’ mas também uma química de solo compatível, pois, dos 118 elementos
químicos conhecidos no nosso planeta qualquer um deles, raro aqui, lá pode ser
abundante e condicionar a água eventualmente existente.
Em volta
da parte sólida do plante será preciso haver uma atmosfera na forma de uma camada de gases fundamental para a vida nesse
planeta. Para tanto precisaria haver acima de tudo oxigênio m combinação
com valor de água e outros gases. Além disso haveria necessidade de um gás
protetor contra radiações cósmicas como a ultravioleta, no nosso caso o ozônio.
O oxigênio,
na qualidade de um elemento, é imutável. Entretanto, para assegurar a vida
humana (e de toda a fauna e flora) ele precisa estar presente na quantidade
certa na atmosfera (21%) com tolerância mínima positiva e negativa. Afinal, com
toda a tecnologia genética, nossos bebês não nascem com tubo de oxigênio nas
costas e máscara. Além disso, ficaria a dúvida sobre quais gases comporiam os
restantes 79%.
Mas, além
da composição de gases na atmosfera, um dos principais requisitos, se não o principal, são os limites
térmicos. Numa escala de temperaturas desde o zero absoluto – menos 273º C – a
outro extremo, que na verdade é uma temperatura positiva aberta, passando por
milhares de graus, apenas uma faixa minúscula serve para a existência de vida
como a conhecemos, ou seja, de –30o a 40º C a +30o a 40º
C. Qualquer temperatura abaixo ou acima dessa faixa como constante torna
qualquer forma de vida impossível em estado natural. Por outro lado, a pressão
atmosférica que é igual a um no nível do mar da Terra, no planeta que
poderíamos precisar não poderia ser maior que dois, sob risco de sérios
problemas para o corpo humano.
Nesse ponto é importante frisar que cada uma dessas condições é
decisivas e que não existe nenhuma compensação mútua entre elas. A invalidade
de qualquer uma inviabiliza um futuro alternativo para o homem.
Sabemos
que havia vida na Terra com condições atmosféricas bastante diferentes. Isso
inclui a espessura da camada de ozônio. Entretanto as mudanças e mutações
registradas até chegar nas condições atuais processaram-se com extrema
lentidão, permitindo que flora e fauna de adequassem.
Suponhamos
que tenhamos encontrado o planeta que poderíamos precisar, porém ainda falta o
fator temporal. Afinal, existe vida na forma de flora e fauna somente nos
últimos 8% da existência da Terra. Entretanto, a vida evoluída só está presente
aqui no último cerca de meio milhão de anos na história do nosso planeta – 0,001
por cento dessa existência.
E isso evidencia
a necessidade de muita coincidência temporal para evitar uma tentativa de
colonização do planeta que poderíamos precisar na época dos dinossauros ou,
pior, em condições de vida ainda primitiva naquele ambiente.
Concluindo,
a ‘mosca’ do alvo ficou muitíssimo pequeno. Praticamente todos os itens acima,
isoladamente, são indispensáveis em sua presença e suas dimensões, sob risco de
tornar inaceitáveis as condições de vida humana. Por outro lado, manter toda
uma população, gerações a fora, num permanente encapsulamento tecnológico,
individual e ambiental, seria economicamente inviável e representaria uma carga
física e psicológica possivelmente mortífera.
Na
verdade, pelo menos a médio prazo, a busca por esse planeta torna-se
desnecessária devido a uma mudança doméstica da Terra. Depois de um crescimento
populacional quase explosivo em épocas recentes, atualmente quase um quinto das
nações registram queda em sua população, inclusive a China, que sozinha
responde por 16% da população global. E, nessa tendência, a cada ano serão mais
alguns.
Podemos
então esquecer a busca pelo planeta que poderíamos precisar? Sim, não houvesse
a curiosidade que trouxe o homem aos níveis civilizatório e de conhecimento
técnico atual – salvo um colapso ecológico de única responsabilidade do homem.
Muito bom, completo e abrangente. Não teria nada relevante a acrescentar.
ResponderExcluirResumindo, o melhor que podemos fazer é não destruirmos o nosso planetinha "perfeito".