quarta-feira, 22 de janeiro de 2025

O Planeta que Poderíamos Precisar

 

O Planeta que Poderíamos Precisar

 

(“The Planet We Could Need” - This text is written in a way to ease comprehensive electronic translation)

 

Klaus H. G. Rehfeldt

 

Desconhecemos quantos planetas existem no universo, nem do que são feitos – mas são milhões. Diante disso, a pergunta se existe outro planeta igual à nossa Terra não quer calar. E muito provavelmente jamais será respondida. Semelhante não serve, tem que ser praticamente igual. E veremos porquê.

 

A começar, o tamanho desse planeta não deveria ser muito diferente da Terra. Do contrário, todos os seres vivos teriam sérios problemas de gravidade excessivamente forte ou fraca.

 

A meses, décadas, anos luz de distância precisamos de uma flora e fauna, da qual faríamos parte, minimamente compatível com nossas necessidades básicas, e que possam nos suprir de proteínas, vitaminas e sais minerais. Mas isso exige certas condições indispensáveis, ou, pelo menos, suficientemente disponíveis.

 

A primeira preocupação quanto às condições mínimas para a existência humana é a presença de água. Entretanto, água não é igual a água. Conforme a química do solo de onde ela vem, quando não é água de precipitação, pode torná-la inviável para o consumo, ou eventualmente requer sofisticados – e onerosos – processos para deixa-la potável. Portanto, o planeta que poderíamos precisar requer não apenas ‘água’ mas também uma química de solo compatível, pois, dos 118 elementos químicos conhecidos no nosso planeta qualquer um deles, raro aqui, lá pode ser abundante e condicionar a água eventualmente existente.

 

Em volta da parte sólida do plante será preciso haver uma atmosfera na forma de uma camada de gases fundamental para a vida nesse planeta. Para tanto precisaria haver acima de tudo oxigênio m combinação com valor de água e outros gases. Além disso haveria necessidade de um gás protetor contra radiações cósmicas como a ultravioleta, no nosso caso o ozônio.            

 

O oxigênio, na qualidade de um elemento, é imutável. Entretanto, para assegurar a vida humana (e de toda a fauna e flora) ele precisa estar presente na quantidade certa na atmosfera (21%) com tolerância mínima positiva e negativa. Afinal, com toda a tecnologia genética, nossos bebês não nascem com tubo de oxigênio nas costas e máscara. Além disso, ficaria a dúvida sobre quais gases comporiam os restantes 79%.

 

Mas, além da composição de gases na atmosfera, um dos principais requisitos, se não o principal, são os limites térmicos. Numa escala de temperaturas desde o zero absoluto – menos 273º C – a outro extremo, que na verdade é uma temperatura positiva aberta, passando por milhares de graus, apenas uma faixa minúscula serve para a existência de vida como a conhecemos, ou seja, de –30o a 40º C a +30o a 40º C. Qualquer temperatura abaixo ou acima dessa faixa como constante torna qualquer forma de vida impossível em estado natural. Por outro lado, a pressão atmosférica que é igual a um no nível do mar da Terra, no planeta que poderíamos precisar não poderia ser maior que dois, sob risco de sérios problemas para o corpo humano.

 

Nesse ponto é importante frisar que cada uma dessas condições é decisivas e que não existe nenhuma compensação mútua entre elas. A invalidade de qualquer uma inviabiliza um futuro alternativo para o homem.  

  

Sabemos que havia vida na Terra com condições atmosféricas bastante diferentes. Isso inclui a espessura da camada de ozônio. Entretanto as mudanças e mutações registradas até chegar nas condições atuais processaram-se com extrema lentidão, permitindo que flora e fauna de adequassem. 

 

Suponhamos que tenhamos encontrado o planeta que poderíamos precisar, porém ainda falta o fator temporal. Afinal, existe vida na forma de flora e fauna somente nos últimos 8% da existência da Terra. Entretanto, a vida evoluída só está presente aqui no último cerca de meio milhão de anos na história do nosso planeta – 0,001 por cento dessa existência.

 

E isso evidencia a necessidade de muita coincidência temporal para evitar uma tentativa de colonização do planeta que poderíamos precisar na época dos dinossauros ou, pior, em condições de vida ainda primitiva naquele ambiente.

 

Concluindo, a ‘mosca’ do alvo ficou muitíssimo pequeno. Praticamente todos os itens acima, isoladamente, são indispensáveis em sua presença e suas dimensões, sob risco de tornar inaceitáveis as condições de vida humana. Por outro lado, manter toda uma população, gerações a fora, num permanente encapsulamento tecnológico, individual e ambiental, seria economicamente inviável e representaria uma carga física e psicológica possivelmente mortífera.

 

Na verdade, pelo menos a médio prazo, a busca por esse planeta torna-se desnecessária devido a uma mudança doméstica da Terra. Depois de um crescimento populacional quase explosivo em épocas recentes, atualmente quase um quinto das nações registram queda em sua população, inclusive a China, que sozinha responde por 16% da população global. E, nessa tendência, a cada ano serão mais alguns.

 

Podemos então esquecer a busca pelo planeta que poderíamos precisar? Sim, não houvesse a curiosidade que trouxe o homem aos níveis civilizatório e de conhecimento técnico atual – salvo um colapso ecológico de única responsabilidade do homem.

 

 

Um comentário:

  1. Muito bom, completo e abrangente. Não teria nada relevante a acrescentar.
    Resumindo, o melhor que podemos fazer é não destruirmos o nosso planetinha "perfeito".

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