Perspectivas para o Consumo do Futuro
(“Prospects for Future
Consumption” - This text is written in a way to
ease comprehensive electronic translation)
Klaus H. G. Rehfeldt
Ao longo da história da
humanidade dos últimos milênios, a economia nunca evoluía linearmente. Depois da fixação na terra, da urbanização e
da constituição de nações, a economia de conquistas – territoriais e de
recursos – de persas, gregos e romanos, produzindo tributos e mão de obra
(energia) escrava, acabou num vazio econômico de séculos, marcado pelo esforço
individual de subsistência em regime de feudos e vassalos, com a igreja cristã
pregando a pobreza como virtude para chegar a vida eterna. A economia era
marcada pelo escambo, em seguida, da introdução de moeda de troca de ouro nas
sociedades urbanizadas.
Véu a
revolução industrial com a disponibilidade de novos bens consumíveis, acabando
na economia de consumo, fazendo dela seu esteio principal, e em vigor até hoje
- e com consequências dramáticas. Maior
capacidade de produção requer maiores mercados de consumo. Por outro lado, ao longo
da vida, existe uma evolução natural na capacidade de consumo, caraterizada por
um crescente poder de compra, acompanhando o aumento de prosperidade em função
de progressos pessoais e profissionais, resultando em aumento contínuo
individual. Outrossim, a mulher entrando no mercado trabalho foi, e continuará
sendo, um potencial adicional na compra de itens pessoais. Como
resultado, entre outros, o consumo desenfreado acaba por consumir enormes
recursos naturais num planeta finito, e quantidades imensas de resíduos e
desperdícios, orgânicos e inorgânicos, além de poluições de tola natureza – e
em toda a natureza, da atmosfera ao subsolo.
Diante disso, o que virá depois? Qual será o
consumo do futuro? Para isso parece importante ver o consumo do futuro por três
aspectos distintos: o como consumir, o conteúdo do consumo e as circunstâncias conjunturais.
Na verdade, todos eles já vêm lentamente delineando seu rumo futuro.
Qual será
então o comportamento do consumidor no futuro? Certamente ajuda observar a
evolução do consumo em sociedades onde o consumismo não apenas começou mais
cedo que no Brasil, mas também funcionou (ou ainda funciona) com maior
intensidade – e que já estão entrando numa retração (geralmente setorial) do
consumo. Especialmente, nessas economias já se percebe em consequência disso
uma tendência consumista que se ajusta e responde a novos tipos de tecnologia,
produtos sustentáveis e personalizados. Os consumidores procuram receber experiências
perfeitas, produtos ecologicamente compatíveis, bem como ofertas personalizadas
que atendem às suas necessidades, valores e expectativas particulares.
Quanto ao
conteúdo do consumo porvir, sem dúvida, devemos esperar que o ‘consumo pelo
consumo’, p.ex., a compra por impulso, do perfeitamente dispensável, ou como
adequação a modismos extravagantes (com muita técnica estimulados pelos
mercados), não terá futuro. Continuará,
evidentemente, aquele em atendimento às necessidades básicas para garantir uma
existência decente e confortável. Em outras palavras, haverá um deslocamento do
desnecessário para o essencial.
Por outro lado, a tendência de ‘menos objetos, mais serviços’
já está claramente presente. O orçamento doméstico restringe cada vez mais a
compra de produtos fora das necessidades básica, destinando crescentes valores
ao uso de prestação de serviços, da frequência a restaurantes à utilização de
veículos por aplicativo e a viagens de cruzeiro. Prova disso é, já agora, a
substituição no trabalho da
indústria como maior empregador pela área de serviços. Outra particularidade observa-se
no aumento da busca pelo conhecimento e do saber. A educação deixou de
limitar-se ao preparo para a vida e profissional de crianças e jovens para ser
objeto de aprimoramento durante toda a vida. Seniores em bancos de escola ou
universidade deixam de ser algo extraordinário.
Com relação a fatores conjunturais, especialmente com foco em
aspectos demográficos, observam-se dinâmicas importantes, moldadoras do consumo
futuro. Especialmente, duas mudanças nessa área merecem uma atenção especial.
Há várias décadas (no Brasil desde a virada do século) registra-se uma sensível
redução na taxa de fertilidade das mulheres, resultando numa gradual queda na reposição
populacional. E essa dinâmica, com o passar do tempo, projetar-se-á para idades
maiores, afetando negativamente todo o mercado de consumo.
Numa outra dimensão, desde meados do século XIX, a expectativa
de vida estás tendo um aumento contínuo e significativo. Entretanto, a pessoa
idosa costuma reduzir seu consumo gradativamente para o essencial, no restante
se limitando à manutenção de seu status
quo. Todavia, essa população terá uma necessidade maior de contratar
serviços, de saúde a cuidador. Essa mudança, entretanto, parece não ser de
duração indefinida, pois os seres vivos não são eternos, mas têm tempo de vida
limitado.
Outro processo demográfico em curso é a fragmentação da
grande família para a família nuclear. Para o consumo, isso significa mais
unidades familiares, demandando maior número de móveis, utensílios e aparelhos
domésticos – inclusive um novo padrão de moradia.
Tudo isso exigirá que os mercados produtivo e de consumo substituam o habitual crescimento linear por uma flexibilidade capaz de uma constante adaptação aos contínuos efeitos dessas dinâmicas - dentro de uma economia que promete ser cada vez mais circular (reutilização, reciclagem, reparação e renovação de produtos e materiais).
Resumindo,
diante das considerações acima, há a certeza de que o consumo do futuro não
continuará o mesmo, mas passará para outra fase. Tudo indica, que novos
valores, novas aspirações, novas constelações familiares e novo recursos
tecnológicos devem mudar, talvez profundamente, o comportamento de consumo. O
prazer da vida pelo prazer de viver, a certeza da mudança do ter para o ser,
possivelmente introduzirão um novo minimalismo sustentado em high-tech. Os
mercados terão de repensar suas estratégias e suas políticas, enfim, o cerne de
seus negócios.
Aguardemos.
Nossa Mãe Terra ficará profundamente agradecida.
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