quarta-feira, 15 de janeiro de 2025

Perspectivas para o Consumo do Futuro

 

Perspectivas para o Consumo do Futuro

 

(“Prospects for Future Consumption” - This text is written in a way to ease comprehensive electronic translation)

 

Klaus H. G. Rehfeldt

 

Ao longo da história da humanidade dos últimos milênios, a economia nunca evoluía linearmente.   Depois da fixação na terra, da urbanização e da constituição de nações, a economia de conquistas – territoriais e de recursos – de persas, gregos e romanos, produzindo tributos e mão de obra (energia) escrava, acabou num vazio econômico de séculos, marcado pelo esforço individual de subsistência em regime de feudos e vassalos, com a igreja cristã pregando a pobreza como virtude para chegar a vida eterna. A economia era marcada pelo escambo, em seguida, da introdução de moeda de troca de ouro nas sociedades urbanizadas.

 

Véu a revolução industrial com a disponibilidade de novos bens consumíveis, acabando na economia de consumo, fazendo dela seu esteio principal, e em vigor até hoje - e com consequências dramáticas. Maior capacidade de produção requer maiores mercados de consumo. Por outro lado, ao longo da vida, existe uma evolução natural na capacidade de consumo, caraterizada por um crescente poder de compra, acompanhando o aumento de prosperidade em função de progressos pessoais e profissionais, resultando em aumento contínuo individual. Outrossim, a mulher entrando no mercado trabalho foi, e continuará sendo, um potencial adicional na compra de itens pessoais. Como resultado, entre outros, o consumo desenfreado acaba por consumir enormes recursos naturais num planeta finito, e quantidades imensas de resíduos e desperdícios, orgânicos e inorgânicos, além de poluições de tola natureza – e em toda a natureza, da atmosfera ao subsolo.  

    

Diante disso, o que virá depois? Qual será o consumo do futuro? Para isso parece importante ver o consumo do futuro por três aspectos distintos: o como consumir, o conteúdo do consumo e as circunstâncias conjunturais. Na verdade, todos eles já vêm lentamente delineando seu rumo futuro.

 

Qual será então o comportamento do consumidor no futuro? Certamente ajuda observar a evolução do consumo em sociedades onde o consumismo não apenas começou mais cedo que no Brasil, mas também funcionou (ou ainda funciona) com maior intensidade – e que já estão entrando numa retração (geralmente setorial) do consumo. Especialmente, nessas economias já se percebe em consequência disso uma tendência consumista que se ajusta e responde a novos tipos de tecnologia, produtos sustentáveis e personalizados. Os consumidores procuram receber experiências perfeitas, produtos ecologicamente compatíveis, bem como ofertas personalizadas que atendem às suas necessidades, valores e expectativas particulares.

 

Quanto ao conteúdo do consumo porvir, sem dúvida, devemos esperar que o ‘consumo pelo consumo’, p.ex., a compra por impulso, do perfeitamente dispensável, ou como adequação a modismos extravagantes (com muita técnica estimulados pelos mercados), não terá futuro. Continuará, evidentemente, aquele em atendimento às necessidades básicas para garantir uma existência decente e confortável. Em outras palavras, haverá um deslocamento do desnecessário para o essencial.

 

Por outro lado, a tendência de ‘menos objetos, mais serviços’ já está claramente presente. O orçamento doméstico restringe cada vez mais a compra de produtos fora das necessidades básica, destinando crescentes valores ao uso de prestação de serviços, da frequência a restaurantes à utilização de veículos por aplicativo e a viagens de cruzeiro. Prova disso é, já agora, a substituição no        trabalho da indústria como maior empregador pela área de serviços. Outra particularidade observa-se no aumento da busca pelo conhecimento e do saber. A educação deixou de limitar-se ao preparo para a vida e profissional de crianças e jovens para ser objeto de aprimoramento durante toda a vida. Seniores em bancos de escola ou universidade deixam de ser algo extraordinário.

 

Com relação a fatores conjunturais, especialmente com foco em aspectos demográficos, observam-se dinâmicas importantes, moldadoras do consumo futuro. Especialmente, duas mudanças nessa área merecem uma atenção especial. Há várias décadas (no Brasil desde a virada do século) registra-se uma sensível redução na taxa de fertilidade das mulheres, resultando numa gradual queda na reposição populacional. E essa dinâmica, com o passar do tempo, projetar-se-á para idades maiores, afetando negativamente todo o mercado de consumo.

 

Numa outra dimensão, desde meados do século XIX, a expectativa de vida estás tendo um aumento contínuo e significativo. Entretanto, a pessoa idosa costuma reduzir seu consumo gradativamente para o essencial, no restante se limitando à manutenção de seu status quo. Todavia, essa população terá uma necessidade maior de contratar serviços, de saúde a cuidador. Essa mudança, entretanto, parece não ser de duração indefinida, pois os seres vivos não são eternos, mas têm tempo de vida limitado.

 

Outro processo demográfico em curso é a fragmentação da grande família para a família nuclear. Para o consumo, isso significa mais unidades familiares, demandando maior número de móveis, utensílios e aparelhos domésticos – inclusive um novo padrão de moradia.

 

Tudo isso exigirá que os mercados produtivo e de consumo substituam o habitual crescimento linear por uma flexibilidade capaz de uma constante adaptação aos contínuos efeitos dessas dinâmicas - dentro de uma economia que promete ser cada vez mais circular (reutilização, reciclagem, reparação e renovação de produtos e materiais).

 

Resumindo, diante das considerações acima, há a certeza de que o consumo do futuro não continuará o mesmo, mas passará para outra fase. Tudo indica, que novos valores, novas aspirações, novas constelações familiares e novo recursos tecnológicos devem mudar, talvez profundamente, o comportamento de consumo. O prazer da vida pelo prazer de viver, a certeza da mudança do ter para o ser, possivelmente introduzirão um novo minimalismo sustentado em high-tech. Os mercados terão de repensar suas estratégias e suas políticas, enfim, o cerne de seus negócios.

 

Aguardemos. Nossa Mãe Terra ficará profundamente agradecida. 

 

 

 

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