quinta-feira, 2 de maio de 2019

Serviço Público Alhures



Serviço Público Alhures

Klaus H. G. Rehfeldt

Há alguns meses fiz uma viagem de trem de Paris para Rostock (Alemanha), acompanhado por minha esposa e meu cunhado. O trajeto previa duas baldeações em Frankfurt/Main e Hamburgo, respectivamente. Já altas horas da noite, no trecho entre Frankfurt e Hamburgo, o trem parou em determinada estação e estranhamos a demora incomum dessa parada de aproximadamente vinte minutos. Decorrido esse tempo, recebemos uma comunicação pelo alto-falante interno do vagão de que havia um problema técnico no percurso previsto, o que obrigaria um desvio por outra rota e resultaria num atraso de cerca de uma hora na chegada em Hamburgo. Poucos minutos depois, um funcionário da estrada de ferro (Deutsche Bahn) entregou um envelope a cada passageiro, pedindo que o formulário contido no mesmo fosse preenchido e enviado ao endereço já aposto. Perguntei a finalidade disso e ele me respondeu gentilmente: “O senhor vai receber um dinheirinho pelo atraso”.
Já algum tempo de volta em cada, quase me tinha esquecido do episódio quando encontrei o tal envelope. O formulário pedia apenas os dados pessoais dos passageiros, um endereço bancário e um xerox das passagens. Segui as instruções e levei o envelope ao correio, achando que talvez nem valesse a pena, pois a taxas bancárias possivelmente não deixariam restar algum valor palpável.
Aproximadamente dois meses depois apareceu um crédito na minha conta para o qual não encontrei explicação. Mais um mês passou e chegou uma carta, que aparentemente passou primeiro por outros destinos. Era da Deutsche Bahn, pedindo desculpas pelo transtorno havido na viagem e restituindo parte da passagem paga; exatamente 42% do total do valor pago. Obviamente houve o desconto de ditas taxas.
Sim, senhoras e senhores, isto existe! 

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