Serviço Público Alhures
Klaus
H. G. Rehfeldt
Há alguns meses fiz uma viagem de trem de Paris para Rostock
(Alemanha), acompanhado por minha esposa e meu cunhado. O trajeto previa duas
baldeações em Frankfurt/Main e Hamburgo, respectivamente. Já altas horas da
noite, no trecho entre Frankfurt e Hamburgo, o trem parou em determinada
estação e estranhamos a demora incomum dessa parada de aproximadamente vinte
minutos. Decorrido esse tempo, recebemos uma comunicação pelo alto-falante
interno do vagão de que havia um problema técnico no percurso previsto, o que
obrigaria um desvio por outra rota e resultaria num atraso de cerca de uma hora
na chegada em Hamburgo. Poucos minutos depois, um funcionário da estrada de
ferro (Deutsche Bahn) entregou um envelope a cada passageiro, pedindo que o
formulário contido no mesmo fosse preenchido e enviado ao endereço já aposto. Perguntei
a finalidade disso e ele me respondeu gentilmente: “O senhor vai receber um dinheirinho
pelo atraso”.
Já algum tempo de volta em cada, quase me tinha esquecido do
episódio quando encontrei o tal envelope. O formulário pedia apenas os dados
pessoais dos passageiros, um endereço bancário e um xerox das passagens. Segui
as instruções e levei o envelope ao correio, achando que talvez nem valesse a
pena, pois a taxas bancárias possivelmente não deixariam restar algum valor palpável.
Aproximadamente dois meses depois apareceu um crédito na minha
conta para o qual não encontrei explicação. Mais um mês passou e chegou uma
carta, que aparentemente passou primeiro por outros destinos. Era da Deutsche
Bahn, pedindo desculpas pelo transtorno havido na viagem e restituindo parte da
passagem paga; exatamente 42% do total do valor pago. Obviamente houve o
desconto de ditas taxas.
Sim, senhoras e senhores, isto existe!
País de primeiro mundo não é pais de quinto mundo...como o nosso.
ResponderExcluir