Vida Eterna?
(Eternal Life?
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Klaus H. G. Rehfeldt
Recentemente,
a revista Veja publicou um artigo sob o título “Em Busca da Vida Eterna”. Ali
elencou uma série de pesquisas médicas realizadas nas mais diversas universidades
mundo afora, destinadas a prevenir ou corrigir deficiências físicas e mentais,
sejam elas de origem natural pelo próprio envelhecimento do organismos, sejam
por razões patológicas. Um verdadeiro festival de ciborguisação. Não há dúvida
que se trata de pesquisas sérias e com resultados confiáveis, especialmente
concernindo casos específicos. Até onde tais intervenções são aplicáveis de
forma concomitante, ou mesmo que sucessivamente em várias partes e funções do
nosso organismo, ficará para outro plano de investigação médica científica. O
otimismo, porém, impressiona e toda iniciativa para melhorar ou preservar
condições de saúde é merecedora de aplausos.
A vida e sua duração, entretanto,
exigem outras considerações e abordagens. Sob o aspecto biológico existe uma
predeterminação na natureza inerente a cada espécie diretamente ligada à sua
constituição fisiológica e seu ambiente vivencial. Entre todas as espécies da
fauna conhecidas, apenas o homem sofreu mudanças realmente radicais ao longo de
sua história (em escala infinitamente menor, alguns animais domesticadas). Como
nesse caso se trata de uma evolução qualitativamente positiva, envolvendo
diversos fatores de melhora das condições de vida, seria no mínimo ingênuo ou
míope não admitir que isso possa ter influenciado a duração de vida da espécie
humana.
Existe uma
diferença entre limite biológico de idade e expectativa de vida. Desde quando
existem registros mais numerosos sobre longevidades atingidas ao longo dos
últimos dois milênios, as mesmas giram em torno dos 100 anos. O que tem mudados
é o número de pessoas que, não por último pelos avanças da medicina, se
aproximam – e cada vez mais – dessa idade limite, aumentando sua expectativa de
vida. É preciso atentar, porém, que nessa grandeza trata-se de uma média
estatística influenciada, também positivamente, pela queda drástica dos índices
de mortandade infantil durante as últimas décadas.
Por outro
lado, uma vida eterna generalizada envolveria uma questão demográfica
importante. A cada cerca de 30 anos nasce uma nova geração em número
aproximadamente igual à anterior. Na hipótese da vida eterna, não havendo
mortes na ponta dos idosos, isso significaria um aumento populacional em
progressão geométrica, ou seja, ao cabo de 100 anos teríamos uma população cerca
de dez vezes maior que a atual – algo em torno de 70 bilhões de habitantes com
uma consequência fatídica: muito antes de chegar nesse ponto, os jovens eliminariam
os velhos para não morrer de fome. Adeus, vida eterna.
É triste ter que admitir esta dura realidade. Mas creio que outros fatos, não mais agradáveis, aconteceriam antes que uma geração simplesmente extinguisse a anterior.
ResponderExcluirWho want to live forever? I want.
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