sexta-feira, 1 de novembro de 2019

Vida Eterna?



Vida Eterna?
(Eternal Life? - This text was written in a way to ease electronic translations.)

Klaus H. G. Rehfeldt

Recentemente, a revista Veja publicou um artigo sob o título “Em Busca da Vida Eterna”. Ali elencou uma série de pesquisas médicas realizadas nas mais diversas universidades mundo afora, destinadas a prevenir ou corrigir deficiências físicas e mentais, sejam elas de origem natural pelo próprio envelhecimento do organismos, sejam por razões patológicas. Um verdadeiro festival de ciborguisação. Não há dúvida que se trata de pesquisas sérias e com resultados confiáveis, especialmente concernindo casos específicos. Até onde tais intervenções são aplicáveis de forma concomitante, ou mesmo que sucessivamente em várias partes e funções do nosso organismo, ficará para outro plano de investigação médica científica. O otimismo, porém, impressiona e toda iniciativa para melhorar ou preservar condições de saúde é merecedora de aplausos.
            A vida e sua duração, entretanto, exigem outras considerações e abordagens. Sob o aspecto biológico existe uma predeterminação na natureza inerente a cada espécie diretamente ligada à sua constituição fisiológica e seu ambiente vivencial. Entre todas as espécies da fauna conhecidas, apenas o homem sofreu mudanças realmente radicais ao longo de sua história (em escala infinitamente menor, alguns animais domesticadas). Como nesse caso se trata de uma evolução qualitativamente positiva, envolvendo diversos fatores de melhora das condições de vida, seria no mínimo ingênuo ou míope não admitir que isso possa ter influenciado a duração de vida da espécie humana.
Existe uma diferença entre limite biológico de idade e expectativa de vida. Desde quando existem registros mais numerosos sobre longevidades atingidas ao longo dos últimos dois milênios, as mesmas giram em torno dos 100 anos. O que tem mudados é o número de pessoas que, não por último pelos avanças da medicina, se aproximam – e cada vez mais – dessa idade limite, aumentando sua expectativa de vida. É preciso atentar, porém, que nessa grandeza trata-se de uma média estatística influenciada, também positivamente, pela queda drástica dos índices de mortandade infantil durante as últimas décadas.
Por outro lado, uma vida eterna generalizada envolveria uma questão demográfica importante. A cada cerca de 30 anos nasce uma nova geração em número aproximadamente igual à anterior. Na hipótese da vida eterna, não havendo mortes na ponta dos idosos, isso significaria um aumento populacional em progressão geométrica, ou seja, ao cabo de 100 anos teríamos uma população cerca de dez vezes maior que a atual – algo em torno de 70 bilhões de habitantes com uma consequência fatídica: muito antes de chegar nesse ponto, os jovens eliminariam os velhos para não morrer de fome. Adeus, vida eterna.


2 comentários:

  1. É triste ter que admitir esta dura realidade. Mas creio que outros fatos, não mais agradáveis, aconteceriam antes que uma geração simplesmente extinguisse a anterior.

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