sábado, 6 de junho de 2020

A Inovação, de Perene a Natimorta



A Inovação, de Perene a Natimorta


(‘Innovation, from Prennenial to Stillborn‘ - This text was written in a way to ease comprehensive electronic translations.)

Klaus H. G. Rehfeldt

Uma interminável sequência de descobertas e inovações tem caracterizada a existência do homem sobre a Terra desde o tempo da pedra lascada. Ao longo de dezenas, centenas de milhares de anos, ferramentas rudes e armas simples foram aperfeiçoados enquanto o homem avançava sobre os continentes, enfrentando novos climas, novos biomas e encontrando novas fontes de recursos naturais. A lentidão com que as invenções aconteciam fica evidenciada com o espaço de tempo de cerca de 5.000 anos que transcorreram entre as primeiras formas de escrita e a imprensa inventada por Gutemberg. Mesmo em tempos mais recentes, as invenções ocorreram em ritmo extremamente moroso: a adaptação do aproveitamento do vento através das velas de embarcações para uso em moinhos de vento levou cerca de 800 anos.
Entre as incontáveis inovações com o fim de tornar a vida humana mais segura e confortável, algumas tiveram impactos revolucionários e resultados que dinamizaram e mudaram o curso da história. A roda, o arado, o papel, a tipografia, a máquina a vapor, o telégrafo, a calculadora analógica, o automóvel, a lâmpada elétrica e o computador talvez sejam as mais importantes. Todos estes inventos, ou suas versões aperfeiçoadas, fazem parte da nossa vida até hoje. Um fator marcante na sequência dessas inovações é o progressivo encurtamento de intervalos entre seus surgimentos.
Significativo nessa aceleração é que os milênios ou séculos que inicialmente separaram uma invenção da outra reduziram-se a gerações até, em seus últimos eventos, acabaram a concentrar-se no espaço de uma única geração. A adaptação a novos condicionantes e padrões de vida que transcorria lentamente na passagem de civilizações inteiras, depois ao longo de várias gerações, ultimamente exigem que as mesmas pessoas precisam ajustar-se em diversos momentos de sua vida a novos conhecimentos e inusitados paradigmas de comportamento.
Especialmente, desdobramentos de invenções anteriores, às vezes de antigos conhecimentos em modernos contextos técnicos, econômicos e sociais, brotam a cada instante, contribuindo para novas facilidades – reais e imaginárias – da vida, obviamente com novos requisitos cognitivos e habilidades para o usuário – e novos custos. Nossa atual economia de consumo gira em torno desse fenômeno de permanentes invenções, reinvenções e reformatações.
Mas, a velocidade com que surgem – e desaparecem – novos inventos e seus efeitos abriga uma armadilha; a saturação do interesse e um consequente indiferença. As montadoras de automóveis têm as gavetas cheias de patentes de inovações que aplicam lentamente em seus novos modelos, evitando excessos de inovações. Elon Musk, dono da Tesla, SpaceX e outros empreendimentos de ponta, não registra mais patentes de suas invenções pelo simples fato das mesmas serem superadas tão rapidamente que qualquer cópia chega tarde e desatualizada ou superada ao mercado.
Smartphone, smartwatch, smart-qualquer-coisa, a próxima versão é projetada enquanto a anterior ainda está sendo lançada. A moderna invenção: prólogo e epílogo no mesmo parágrafo, na mesma frase, na mesma concepção, na mesma ideia.
   

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