O Suicidio
das Redes Sociais
(‘The Suicide of Social Medias’ – This text was written in a way to ease comprehensive electronic
translations.)
Klaus H. G. Rehfeldt
Era um encanto na comunicação
interpessoal. A comunicação em tempo real, sem custo, sem “Caro Senhor...”,
“Prezada Tia...” e outras formalidades flui fácil, basta um “oi” ou ”olá”. A
leveza da forma, combinada com a amenidade dos conteúdos, tornam a participação
prazerosa e divertida. Lembretes de aniversário ou compromissos, misturados com
receitas de bolo, anedotas, curiosidades e até esquesitices, despertam os mais
diversos interesses, atrativos e fascínios. Fotos, vídeos e versos completam o
cenário.
Algumas
mais cedo, outras mais tarde, as pessoas ativas nas redes sociais descobriram
que, sem maior esforço, tinham conquistado palcos e auditórios – e muito mais
aplausos do que críticas. Mas, emerge um problema: como preencher esse palco e
abastecer o público continuamente com matéria nova, e como manter e aumentar as
‘curtidas’ e os ‘compartilhamentos’?
A
resposta era fácil de encontrar: mensagens mais sensacionais, mais bombásticas,
mais catastróficas – e nem sempre verdadeiras. Nasceu a fake news, embora o batismo pelo presidente Trump tenha demorado alguns
anos. E na falta de material próprio, existe o ‘encaminhado’ – sem critério,
sem verificação de fonte ou de veracidade.
A
infeliz e condenável divisão política da nação em ‘nós’ e ‘eles’ proporciona e
reforça uma nova dimensão à mídia social – xingamentos, baixaria, injúrias, ofensas
e difamações que ‘nós’ jamais dirigiríamos a ‘eles’ em contato pessoal Só falta a bruxartia (será que falta?). O que
deveria ser uma discussão civilizada e democrática sobre diferenças descambou
para o ódio ‘encaminhado’ e anônimo. Fanatismos cegos produzem postagens
inconsequentes e frequentemente inverídicas que, quando questionadas, são, por
falta de argumentos, respondidos com grosserias. Ao lado disso e operando de
maneira semelhante, as redes sociais transformam-se em plataformas para a
divulgação de teorias de conspiração.
O
que era inicialmente um meio de entretenimento, de diversão e de comunicação
fácil, eficiente e sem complicações torna-se um campo de batalha de ideologias,
de fake news irresponsáveis e de
exteriorização de baixezas e futilidades absolutamente desprezíveis. Um stress
total.
São
cada vez mais raras hoje as contribuições e postagens de cunho realmente
social, interessantes, construtivas, genuinamente curiosas e divertidas. Deram
espaço à radicalização, confrontação e segregação. Fato é que tais manifestações
não condizem com a postura da maioria das pessoas, que preferem um clima mais
harmonioso, mais tolerante e mais social.
Resultam
daí algumas perguntas e respostas razoavelmente presumíveis:
-
Pode se esperar uma mudanças nesses comportamentos desvirtuados? Não há sinais
nessa direção.
-
As pessoas costumam torturar-se voluntariamente com aquilo que as desagrada? O
masoquismo é fenômeno raro.
-
Há algum aspecto positivo na evolução qualitativa das postagens?
Definitivamente não, com tendência a piorar.
Diante
disso, a conclusão parece bastante clara. As redes sociais merecem cada vez
menos fé. Consequentemente, as redes sociais atualmente em uso tenderão a auto-extinguir-se, ou, no máximo, prevalecer entre os
apreciadores de baixo padrão e baixo calão. A constante queda de ‘curtidas’ dá
uma mensagem clara; outro indicador é a ausência, há muito tempo, de anúncios
pelas redes de novos usuários. Tudo indica que as atuais redes sociais serão
outro fenômeno digital de curta duração.
É verdade, vamos aguardar o que o futuro nos reserva...
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