sábado, 20 de junho de 2020

O Suicídio das Mídias Sociais



O Suicidio das Redes Sociais

(‘The Suicide of Social Medias’ – This text was written in a way to ease comprehensive electronic translations.)


Klaus H. G. Rehfeldt

Era um encanto na comunicação interpessoal. A comunicação em tempo real, sem custo, sem “Caro Senhor...”, “Prezada Tia...” e outras formalidades flui fácil, basta um “oi” ou ”olá”. A leveza da forma, combinada com a amenidade dos conteúdos, tornam a participação prazerosa e divertida. Lembretes de aniversário ou compromissos, misturados com receitas de bolo, anedotas, curiosidades e até esquesitices, despertam os mais diversos interesses, atrativos e fascínios. Fotos, vídeos e versos completam o cenário.
            Algumas mais cedo, outras mais tarde, as pessoas ativas nas redes sociais descobriram que, sem maior esforço, tinham conquistado palcos e auditórios – e muito mais aplausos do que críticas. Mas, emerge um problema: como preencher esse palco e abastecer o público continuamente com matéria nova, e como manter e aumentar as ‘curtidas’ e os ‘compartilhamentos’?
A resposta era fácil de encontrar: mensagens mais sensacionais, mais bombásticas, mais catastróficas – e nem sempre verdadeiras. Nasceu a fake news, embora o batismo pelo presidente Trump tenha demorado alguns anos. E na falta de material próprio, existe o ‘encaminhado’ – sem critério, sem verificação de fonte ou de veracidade.
A infeliz e condenável divisão política da nação em ‘nós’ e ‘eles’ proporciona e reforça uma nova dimensão à mídia social – xingamentos, baixaria, injúrias, ofensas e difamações que ‘nós’ jamais dirigiríamos a ‘eles’ em contato pessoal Só falta a bruxartia (será que falta?). O que deveria ser uma discussão civilizada e democrática sobre diferenças descambou para o ódio ‘encaminhado’ e anônimo. Fanatismos cegos produzem postagens inconsequentes e frequentemente inverídicas que, quando questionadas, são, por falta de argumentos, respondidos com grosserias. Ao lado disso e operando de maneira semelhante, as redes sociais transformam-se em plataformas para a divulgação de teorias de conspiração.
O que era inicialmente um meio de entretenimento, de diversão e de comunicação fácil, eficiente e sem complicações torna-se um campo de batalha de ideologias, de fake news irresponsáveis e de exteriorização de baixezas e futilidades absolutamente desprezíveis. Um stress total.
São cada vez mais raras hoje as contribuições e postagens de cunho realmente social, interessantes, construtivas, genuinamente curiosas e divertidas. Deram espaço à radicalização, confrontação e segregação. Fato é que tais manifestações não condizem com a postura da maioria das pessoas, que preferem um clima mais harmonioso, mais tolerante e mais social.
Resultam daí algumas perguntas e respostas razoavelmente presumíveis:
- Pode se esperar uma mudanças nesses comportamentos desvirtuados? Não há sinais nessa direção.
- As pessoas costumam torturar-se voluntariamente com aquilo que as desagrada? O masoquismo é fenômeno raro.
- Há algum aspecto positivo na evolução qualitativa das postagens? Definitivamente não, com tendência a piorar.
Diante disso, a conclusão parece bastante clara. As redes sociais merecem cada vez menos fé. Consequentemente, as redes sociais atualmente em uso tenderão a auto-extinguir-se, ou, no máximo, prevalecer entre os apreciadores de baixo padrão e baixo calão. A constante queda de ‘curtidas’ dá uma mensagem clara; outro indicador é a ausência, há muito tempo, de anúncios pelas redes de novos usuários. Tudo indica que as atuais redes sociais serão outro fenômeno digital de curta duração.       






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