O PIB da Ciência
(‘The GNP of Science’ - This text was written
in a way to ease comprehensive electronic translations)
Klaus H. G. Rehfeldt
Ao
longo da história das civilizações, domínios e hegemonias foram construídos e derrubados
com a espada e a pólvora, hoje uma opção discutível num ambiente de armamento
nuclear com altíssimo risco, senão a certeza, de aniquilamento mútuo. Ninguém
conseguiu estabelecer-se no topo de seu mundo de forma infinita, todas as
hegemonias tiveram seu prazo de validade vencido um dia.
A disputa entre países pela domínio econômico,
em paralelo à hegemonia política, é recorrente na história da humanidade. Atualmente
está se delineando um novo embate dessa natureza entre os Estados Unidos da
América e a República Popular da China. As perspectivas americanas nesse
aspecto não são boas. Uma simples projeção das últimas taxas de crescimento do
PIB de ambas as nações mostra que em cerca de dez anos a China superará os
Estados Unidos nesse parâmetro. Setorialmente, esse prazo pode ser mais curtos
ou mais longos.
Historicamente, o PIB de uma nação resulta da
disponibilidade de recursos naturais e da força de trabalho para transformá-los
em bens econômicos. Na era moderna, um terceiros aspecto ganhou um peso
extraordinário – o conhecimento, a ciência. A ciência obteve status de capital.
Desenvolvendo-se de forma bastante homogênea pelo mundo ocidental no hemisfério
norte, a ciência e tecnologia desenvolveram rapidamente uma dinâmica própria,
impulsionando as economias para níveis de produtividade e formação de riqueza
jamais vistos.
Durante a primeira metade do século 20,
enquanto a Europa se digladiava em duas grandes guerras, em que mesmo os países
vitoriosos perderam além de seus capitais humanos e ativos materiais também
valiosas fontes de recursos com a independência de suas colônias ultramarinas,
os Estado Unidos saíram desses episódio não somente vencedores mas também lucradores,
distanciando-se com sua economia e seu avanço tecnológico e científico dos
resto do mundo.
Nesta condição de destaque, os Estados Unidos
tornaram-se imã para estudiosos, cientistas e pesquisadores de todo mundo em
busca de crescimento e da proximidade do topo do conhecimento. Como resultado mais
de um terço dos laureados de Prêmio Nobel dos Estados Unidos entre 1990 e 2004
nasceram fora do país. Atualmente, mais de cinco milhões de cientista e
engenheiros empregados naquele pais nasceram fora dele e 24 por cento das
patentes americanas registradas têm pelo menos um inventor não nascido
americano.
No mesmo tempo, a República Popular da China,
mais nacional-socialista (o termo é evitado depois de definir o regime do
Alemanha do Terceiro Reich) do que comunista, sacrificou duas gerações
mantendo-as num nível mínimo de subsistência para formar uma base econômica e
um capital de estatal que lhe permitissem a entrada nos mercados mundiais com a
vantagem de deter condições competitivas extremamente favoráveis. Passando de
mero copiador de produtos de países mais desenvolvidos para desenvolvedor de
tecnologias próprias, inclusive no sofisticado mercado de tecnologia da
informática e virtual, em poucas décadas a China tornou-se player geopolítico de
primeira linha.
A ciência não conhece nacionalidade, ela
procura oportunidade. Basta o país oferecer condições de vida, de trabalho atraentes,
especialmente nos campos científicos e tecnológicos, muito provavelmente não
haverá apenas o retorno de milhares de chineses estudando e trabalhando no
exterior, como a migração de não-chineses para lá. Além disso, a médio prazo –
em ritmo chinês – uma população quatro vezes maior que a dos Estados Unidos e
com uma estrutura educacional avançada, por simples raciocínio matemático, a
China terá um potencial quatro vezes maior de pessoas capacitadas para o
desenvolvimento tecnológico e científico que aquele de naturalidade americana nos
Estados Unidos.
A hegemonia do PIB da ciência sempre migrou e
migrará – com destino certo!
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