sexta-feira, 14 de janeiro de 2022

Nao É Demais Lembrar

 

Não É Demais Lembrar

(¨It's Not Too Much to Remember¨ - This text is written in a way to ease a comprehensive electronic translation)

 

Klaus H. G. Rehfeldt 

 

As atuais anomalias climáticas são evidentes. São fenômenos das mais diversas naturezas. Em escala local e regional são chuvas excessivas, temperaturas acima das médias, enchentes e secas, causando instabilidades do solo, perdas de safra, além de destruições de patrimônios públicos e privados de todo tipo, sem contar, e acima de tudo, a perda de vidas humanas. Em âmbito global, todavia, observam-se simultâneas mudanças climáticas em interação e interdependência como crescentes níveis de CO2 na atmosfera e gradativas elevações dos níveis dos mares, entre outras – tudo lento, mas inexorável.

Nosso planeta não é uma massa morta e inerte. É um corpo vivo à sua maneira. Uma massa em estado de fusão no interior e uma superfície terrestre ou marítima que abriga vastas fauna e flora dentro de um manto gasoso. É um ecosistema sensível, mas relativamente estável num pequeno momento cósmico. Dinâmicas naturais que regem esta estabilidade, recentemente interferidas por um predador que, em escala crescente, pode estar acelerando ou intensificando mudanças que fazem parte dessas dinâmicas, com efeitos que afetam regras ou equilíbrios naturais.

Esse predador, a espécie homo, depois de longos e graves abusos, finalmente começa a ter noção do caráter deletério de suas ações e dos respectivos efeitos sobre o ambiente que habita, embora lhe falte o conhecimento para determinar o tamanho da parcela de sua participação nas atuais alterações observadas no planeta. Falta-lhe, por exemplo, a noção de que apenas 1 centímetro a mais no nível do mar representa em momentos de mar mais agitado o impacto de milhares de toneladas de água a mais sobre cada metro de extensão de praia, com óbvias e conhecidas destruições. Falta a noção de que a elevação da temperatura média em apenas 1 grau acelera significativamente a circulação das massas atmosféricas, causando mudanças climáticas mais rápidas e intensas, com consequências dramáticas. Por outro lado, falta-lhe também a compreensão geral de que, sem avaliar sua responsabilidade nos citados fenômenos, o homem é a única espécie que tem inteligência que lhe permite agir racionalmente na minimização dos eventos e de suas implicações.

Por enquanto, com poucas, mas valiosas exceções. Pode parecer que as isoladas atitudes ambientalmente corretas do senhor, da firma XYZ ou da comunidade São Francisco não valem seus esforços, mas em todas as necessidades emergentes há aqueles primeiros que mostram o caminho, apesar de ridicularizados ou até ameaçados. Vale a regra de que o problema ignorado ou negado isenta da obrigação de tomar decisões.

Em geral, o homem se vê motivado – ou forçado – a agir apenas quando a crise ganha gravidade insustentável e exige medidas drásticas para assim escapar de ser vitimado pelas consequências. Mesmo o indivíduo conseguindo compreender a gravidade de situações críticas, a coletividade é extremamente inerte em suas reações. Por conseguinte, grandes sacrifícios e enormes perdas podem ser evitados com uma antecipação das respostas. Às vezes, porém, mestre crise chega tarde demais.

Assim, a situação adversa permanece e, geralmente, fica maior. E cedo, ou tarde, assume proporções de crise, de pan-crise. Não há soluções imediatas. Náo devemo-nos surpreender com migrações em massa que procurarão ambientes geográficos menos afetados ou, pela sua natureza, mais promissores, não sem deixar conflitos graves em seus caminhos. Então, talvez, a humanidade acorde e perceba o potencial representado por cerca de 8 bilhões de habitantes racionais por natureza, com controle sobre a existência de aproximadamente 13 a 15 bilhões de animais úteis, resultando daí um esforço coletivo de reduzir o impacto de sua presença neste planeta. Enfim, a humanidade será forçada ao preço de sua sobrevivência de encontrar e realizar meios de disciplinar sua vida numa tentativa de harmonização de oferta e procura com a natureza.

O quer fazer? Acima de tudo, assumir mudanças decisivas de atitudes pro-preservação e recuperação, o resto é adotar uma disciplina no cumprimento de rotinas ambientalmente sensatas, corretas, bem divulgadas e accessível. E deve estar ciente que os abusos e as agressões cometidos contra a natureza durante séculos não são remediados em décadas. Veremos, nós, os resultados desse empenho? Não, certamente não. Esse privilégio ficará reservado a seus netos, bisnetos e gerações posteriores.

Amar a natureza é opção, desfrutá-la, um direito, respeitá-la, obrigação, pois ela não reclama, não acusa, nem condena – ela executa.

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