Não É Demais Lembrar
(¨It's Not Too Much to Remember¨ - This text is written in
a way to ease a comprehensive electronic translation)
Klaus H. G. Rehfeldt
As atuais anomalias climáticas são evidentes. São fenômenos das mais
diversas naturezas. Em escala local e regional são chuvas excessivas, temperaturas
acima das médias, enchentes e secas, causando instabilidades do solo, perdas de
safra, além de destruições de patrimônios públicos e privados de todo tipo, sem
contar, e acima de tudo, a perda de vidas humanas. Em âmbito global, todavia,
observam-se simultâneas mudanças climáticas em interação e interdependência como
crescentes níveis de CO2 na atmosfera e gradativas elevações dos níveis dos
mares, entre outras – tudo lento, mas inexorável.
Nosso planeta não é uma massa morta e inerte. É um
corpo vivo à sua maneira. Uma massa em estado de fusão no interior e uma
superfície terrestre ou marítima que abriga vastas fauna e flora dentro de um
manto gasoso. É um ecosistema sensível, mas relativamente estável num pequeno
momento cósmico. Dinâmicas naturais que regem esta estabilidade, recentemente
interferidas por um predador que, em escala crescente, pode estar acelerando ou
intensificando mudanças que fazem parte dessas dinâmicas, com efeitos que afetam
regras ou equilíbrios naturais.
Esse predador, a espécie homo, depois de longos e
graves abusos, finalmente começa a ter noção do caráter deletério de suas ações
e dos respectivos efeitos sobre o ambiente que habita, embora lhe falte o
conhecimento para determinar o tamanho da parcela de sua participação nas
atuais alterações observadas no planeta. Falta-lhe, por exemplo, a noção de que
apenas 1 centímetro a mais no nível do mar representa em momentos de mar mais
agitado o impacto de milhares de toneladas de água a mais sobre cada metro de
extensão de praia, com óbvias e conhecidas destruições. Falta a noção de que a
elevação da temperatura média em apenas 1 grau acelera significativamente a
circulação das massas atmosféricas, causando mudanças climáticas mais rápidas e
intensas, com consequências dramáticas. Por outro lado, falta-lhe também a
compreensão geral de que, sem avaliar sua responsabilidade nos citados
fenômenos, o homem é a única espécie que tem inteligência que lhe permite agir
racionalmente na minimização dos eventos e de suas implicações.
Por enquanto, com poucas, mas valiosas exceções. Pode
parecer que as isoladas atitudes ambientalmente corretas do senhor, da firma
XYZ ou da comunidade São Francisco não valem seus esforços, mas em todas as
necessidades emergentes há aqueles primeiros que mostram o caminho, apesar de
ridicularizados ou até ameaçados. Vale a regra de que o problema ignorado ou
negado isenta da obrigação de tomar decisões.
Em geral, o homem se vê motivado – ou forçado – a
agir apenas quando a crise ganha gravidade insustentável e exige medidas
drásticas para assim escapar de ser vitimado pelas consequências. Mesmo o
indivíduo conseguindo compreender a gravidade de situações críticas, a coletividade
é extremamente inerte em suas reações. Por conseguinte, grandes sacrifícios e
enormes perdas podem ser evitados com uma antecipação das respostas. Às vezes,
porém, mestre crise chega tarde demais.
Assim, a situação adversa permanece e, geralmente,
fica maior. E cedo, ou tarde, assume proporções de crise, de pan-crise. Não há
soluções imediatas. Náo devemo-nos surpreender com migrações em massa que procurarão ambientes geográficos menos
afetados ou, pela sua natureza, mais promissores, não sem deixar conflitos
graves em seus caminhos. Então, talvez, a humanidade acorde e perceba o
potencial representado por cerca de 8 bilhões de habitantes racionais por natureza,
com controle sobre a existência de aproximadamente 13 a 15 bilhões de animais úteis,
resultando daí um esforço coletivo de reduzir o impacto de sua presença neste
planeta. Enfim, a humanidade será forçada ao preço de sua sobrevivência de encontrar
e realizar meios de disciplinar sua vida numa tentativa de harmonização de
oferta e procura com a natureza.
O quer fazer? Acima de tudo, assumir mudanças
decisivas de atitudes pro-preservação e recuperação, o resto é adotar uma
disciplina no cumprimento de rotinas ambientalmente sensatas, corretas, bem
divulgadas e accessível. E deve estar ciente que os abusos e as agressões
cometidos contra a natureza durante séculos não são remediados em décadas.
Veremos, nós, os resultados desse empenho? Não, certamente não. Esse privilégio
ficará reservado a seus netos, bisnetos e gerações posteriores.
Amar a natureza é opção, desfrutá-la, um direito, respeitá-la,
obrigação, pois ela não reclama, não acusa, nem condena – ela executa.
Ótimo texto parabéns Klaus
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