sábado, 22 de janeiro de 2022

Fata Morgana

 

Fata Morgana

(“Fata Morgana” - This text is written in a way to ease a comprehensive electronic translation)

 

Klaus H, G, Rehfeldt

 

Imagine uma cidade moderna com cerca de 400 mil habitantes, infraestruturas bastante boas, arquitetura um tanto convencional, alguns prédios talvez desnecessariamente altos, algumas praças centrais, muitos canteiros de flores nas ruas. Ela possui uma sólida e diversificada estrutura econômica, suficientemente flexível a dinâmica para, ao longo de quatro décadas, transformar-se de centro industrial em polo de prestação de serviços. Ela abriga uma sociedade ordeira e, na média, pode ser considerada bem-sucedida. Há pobreza? Há, mas ela tem mais caráter conjuntural do que estrutural, pois em grade parte é importada por migrantes em busca de prosperidade.

            Ao procurá-la conclui-se que cidades assim podem existir em qualquer parte do mundo. Quando, porém, se olha seu clima subtropical, o universo de possibilidades reduz-se a uma ampla, mas limitada faixa ao redor do globo. Sua configuração geográfica e sua vegetação, toda via, diminuem as viabilidades de existência – a biosfera chamada mata atlântica brasileira.

            Esta localização propicia uma harmonização com a natureza, em geral expulsa dos perímetros urbanos atuais, ou, a muito custo, revitalizada em poucos espaços restantes. Na nossa cidade imaginaria, não. Talvez seja difícil imaginar, mas que tal uma grande reserva de floresta tropical preservada em estado natural começando a cerca de 200 metros de distância da catedral no centro da cidade? A verdade é que pouquíssimos moradores da cidade já caminharam pela trilha quase circular, accessível ao público – gratuitamente. Outra particularidade rara são os ribeirões que afluem dos bairros para desembocar num rio maior que corta a cidade. Não são totalmente despoluídos, mas suas margens estão cobertas por uma vegetação ciliar alta e densa; famílias de capivaras são notórias. Tudo isso tem um efeito de multiplicador e o morador, mesmo perto do centro da cidade, pode encontrar uma cotia cruzando a rua à sua frente, um esquilo no jardim, ou uma araquã, sentada no peitoril de sua sacada, acordando-o ao ‘dialogar’ com seus semelhantes.

            Esta cidade existe: Blumenau, Santa Catarina, Brasil.

Nenhum comentário:

Postar um comentário