Fata Morgana
(“Fata Morgana” - This text is written in a way to ease a comprehensive electronic
translation)
Klaus H, G, Rehfeldt
Imagine uma cidade
moderna com cerca de 400 mil habitantes, infraestruturas bastante boas,
arquitetura um tanto convencional, alguns prédios talvez desnecessariamente
altos, algumas praças centrais, muitos canteiros de flores nas ruas. Ela possui
uma sólida e diversificada estrutura econômica, suficientemente flexível a
dinâmica para, ao longo de quatro décadas, transformar-se de centro industrial em
polo de prestação de serviços. Ela abriga uma sociedade ordeira e, na média,
pode ser considerada bem-sucedida. Há pobreza? Há, mas ela tem mais caráter
conjuntural do que estrutural, pois em grade parte é importada por migrantes em
busca de prosperidade.
Ao procurá-la conclui-se que cidades assim podem existir em
qualquer parte do mundo. Quando, porém, se olha seu clima subtropical, o
universo de possibilidades reduz-se a uma ampla, mas limitada faixa ao redor do
globo. Sua configuração geográfica e sua vegetação, toda via, diminuem as
viabilidades de existência – a biosfera chamada mata atlântica brasileira.
Esta localização propicia uma harmonização com a
natureza, em geral expulsa dos perímetros urbanos atuais, ou, a muito custo,
revitalizada em poucos espaços restantes. Na nossa cidade imaginaria, não.
Talvez seja difícil imaginar, mas que tal uma grande reserva de floresta
tropical preservada em estado natural começando a cerca de 200 metros de
distância da catedral no centro da cidade? A verdade é que pouquíssimos
moradores da cidade já caminharam pela trilha quase circular, accessível ao
público – gratuitamente. Outra particularidade rara são os ribeirões que afluem
dos bairros para desembocar num rio maior que corta a cidade. Não são
totalmente despoluídos, mas suas margens estão cobertas por uma vegetação
ciliar alta e densa; famílias de capivaras são notórias. Tudo isso tem um
efeito de multiplicador e o morador, mesmo perto do centro da cidade, pode
encontrar uma cotia cruzando a rua à sua frente, um esquilo no jardim, ou uma
araquã, sentada no peitoril de sua sacada, acordando-o ao ‘dialogar’ com seus
semelhantes.
Esta cidade existe: Blumenau, Santa Catarina, Brasil.
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