A Energia na Civilização – Parte 1
(“The Energy in Civilization”
- Part 1 - This text is written in a way to ease
comprehensive electronic translation)
Klaus H. G. Rehfeldt
A
evolução da espécie humana é tão fascinante como intrigante. Foi uma aventura
de alto risco, mas, e de maneira geral, bem-sucedida ao longo dos últimos 250 a
300 mil anos. Segundo as análises de perfurações de gela na Antártica, a Terra
sofreu nesse espaço de tempo e em intervalos sazonalmente parecidos dois
períodos de calor intenso intercalados com outros dois muito gelados. Isso
permite concluir que o homem, então vivendo da coleta, da caça e da pesca,
vivia em lentos, mas constantes mudanças de habitat, seguindo suas fontes de
sustento. Depois da última era glacial, por exemplo, seu avanço pela Europa
transcorreu numa velocidade média de cinco quilômetros por ano.
Fauna
e flora, bem como as condições geográficas determinavam a densidade
demográfica, e consequentemente a necessidade de migração e expansão
territorial. Onde as pessoas viviam em florestas da coleta e da caça, o
suprimento de alimentos geralmente permitia um máximo de dez pessoas por
quilômetro quadrado; nas regiões de estepe, porém, havia uma densidade
populacional de cerca de uma pessoa por quilômetro quadrado. Já em regiões de pesca,
onde surgiram os primeiros assentamentos permanentes da humanidade, densidades
populacionais de até 100 pessoas por quilômetro quadrado eram possíveis.
Isso
evidencia que havia uma estreita relação entre a existência de recursos e a disponibilidade
de energia corporal limitavam; a abundância de recursos exigiria menos energia
para sua apropriação, e a falta deles não era compensável por mais trabalho. Ao
lado de ferramenta como ou armas de pedra lascada como facas, machados, cunhas de mão,
arpões, lanças, arcos, flechas, anzóis e clavas, e outras feitas de
madeira ou osso, a única forma de racionalização de esforços era o trabalho em
grupo, como era comum nas caças de animais de grande porte e na construção de
abrigos. Por outro lado, a falta de energia corporal por qualquer debilitação
resultava em carência ou falta de sustento.
Foi
uma evolução extremamente vagarosa a ponto de se estimar uma população mundial
de apenas quatro milhões de pessoas no fim do período paleolítico por volta do
ano 10.000 a.C. Naturalmente não se trata de um crescimento linear, mas de
frequentes altos e baixos nesse processo. Os fatores adversos a um crescimento
e uma expansão eram enormes. Não havia defesas contra doenças, adversidades
climáticas, ou outras catástrofes.
Um
aspecto relevante é a expectativa média de vida de 25 a 30 anos durante todo o
período paleolítico principalmente devido a dois fatores, altas taxas de
mortalidade infantil e materna; atingindo a idade de 15 anos a expectativa
média era de mais 15 a 20 anos. Assim, na média, a idade fértil da mulher era
de igual tempo. Naturalmente, as pessoas podiam perfeitamente chegar aos 40,
50, até 60 anos. Por outro lado, o alto índice de morte prematura de mãe ou pai
com alto risco para a sobrevida da prole. Concluindo, os pais viviam em média
até os filhos chegar à idade reprodutiva.
Em
civilizações de coletores, caçadores e pescadores boas condições físicas eram
indispensáveis. As ferramentas que já de tempos pré-sapiens, eram poucas e
precárias e os resultados obtidos dependiam exclusivamente da disponibilidade
energética do corpo humano. Como resultado, praticamente todos os esforços
esgotavam-se na obtenção do sustento e da criação dos filhos. Enquanto doenças,
conflitos, adversidades climáticas ou catástrofes eram episódicos, a limitação
energética era definitiva e imutável. A única fonte energética suplementar era
o fogo que garantia um melhor aproveitamento dos produtos vegetais e animais, mas
também podia servir para queimar florestas para atrair a caça com a vegetação
nova.
Em
resumo, a humanidade vivia ou morria em função de sua energia muscular, as
esperanças sucumbiam onde acabava a própria força física.
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