sábado, 26 de novembro de 2022

A Energia na Civilização - Parte 1

 

A Energia na Civilização – Parte 1

(“The Energy in Civilization” - Part 1 - This text is written in a way to ease comprehensive electronic translation)

 

Klaus H. G. Rehfeldt

 

A evolução da espécie humana é tão fascinante como intrigante. Foi uma aventura de alto risco, mas, e de maneira geral, bem-sucedida ao longo dos últimos 250 a 300 mil anos. Segundo as análises de perfurações de gela na Antártica, a Terra sofreu nesse espaço de tempo e em intervalos sazonalmente parecidos dois períodos de calor intenso intercalados com outros dois muito gelados. Isso permite concluir que o homem, então vivendo da coleta, da caça e da pesca, vivia em lentos, mas constantes mudanças de habitat, seguindo suas fontes de sustento. Depois da última era glacial, por exemplo, seu avanço pela Europa transcorreu numa velocidade média de cinco quilômetros por ano.           

Fauna e flora, bem como as condições geográficas determinavam a densidade demográfica, e consequentemente a necessidade de migração e expansão territorial. Onde as pessoas viviam em florestas da coleta e da caça, o suprimento de alimentos geralmente permitia um máximo de dez pessoas por quilômetro quadrado; nas regiões de estepe, porém, havia uma densidade populacional de cerca de uma pessoa por quilômetro quadrado. Já em regiões de pesca, onde surgiram os primeiros assentamentos permanentes da humanidade, densidades populacionais de até 100 pessoas por quilômetro quadrado eram possíveis.          

Isso evidencia que havia uma estreita relação entre a existência de recursos e a disponibilidade de energia corporal limitavam; a abundância de recursos exigiria menos energia para sua apropriação, e a falta deles não era compensável por mais trabalho. Ao lado de ferramenta como ou armas de pedra lascada como facas, machados, cunhas de mão, arpões, lanças, arcos, flechas, anzóis e clavas, e outras feitas de madeira ou osso, a única forma de racionalização de esforços era o trabalho em grupo, como era comum nas caças de animais de grande porte e na construção de abrigos. Por outro lado, a falta de energia corporal por qualquer debilitação resultava em carência ou falta de sustento.

Foi uma evolução extremamente vagarosa a ponto de se estimar uma população mundial de apenas quatro milhões de pessoas no fim do período paleolítico por volta do ano 10.000 a.C. Naturalmente não se trata de um crescimento linear, mas de frequentes altos e baixos nesse processo. Os fatores adversos a um crescimento e uma expansão eram enormes. Não havia defesas contra doenças, adversidades climáticas, ou outras catástrofes.

Um aspecto relevante é a expectativa média de vida de 25 a 30 anos durante todo o período paleolítico principalmente devido a dois fatores, altas taxas de mortalidade infantil e materna; atingindo a idade de 15 anos a expectativa média era de mais 15 a 20 anos. Assim, na média, a idade fértil da mulher era de igual tempo. Naturalmente, as pessoas podiam perfeitamente chegar aos 40, 50, até 60 anos. Por outro lado, o alto índice de morte prematura de mãe ou pai com alto risco para a sobrevida da prole. Concluindo, os pais viviam em média até os filhos chegar à idade reprodutiva.

Em civilizações de coletores, caçadores e pescadores boas condições físicas eram indispensáveis. As ferramentas que já de tempos pré-sapiens, eram poucas e precárias e os resultados obtidos dependiam exclusivamente da disponibilidade energética do corpo humano. Como resultado, praticamente todos os esforços esgotavam-se na obtenção do sustento e da criação dos filhos. Enquanto doenças, conflitos, adversidades climáticas ou catástrofes eram episódicos, a limitação energética era definitiva e imutável. A única fonte energética suplementar era o fogo que garantia um melhor aproveitamento dos produtos vegetais e animais, mas também podia servir para queimar florestas para atrair a caça com a vegetação nova.

Em resumo, a humanidade vivia ou morria em função de sua energia muscular, as esperanças sucumbiam onde acabava a própria força física.

 

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