sexta-feira, 18 de novembro de 2022

Seremos Menos com Mais. Quando?

 

Seremos Menos com Mais. Quando?

(“We’ll Be Less with More. When? - This text is written in a way to ease comprehensive electronic translation)

 

Klaus H. G. Rehfeldt

 

História e demografia andam de mãos dadas. Milênios de evolução lenta, mas de maneira geral constante da humanidade e do crescente domínio do seu ambiente vivencial e de seus recursos garantiram uma expansão populacional aproximadamente na mesma escala. Até o amanhecer das revoluções industrial, política, tecnológica, que impulsionaram processos e dinâmicas econômicas, sociais, políticas e culturais de forma nunca antes visto, incluindo uma consequente explosão demográfica.

 

Os fatores para tal explosão foram vários. Especialmente os avanços na higiene e na medicina resultaram em queda acentuada da mortalidade infantil, diminuição na incidência de doenças infeccionas, saneamentos básicos em expansão e desenvolvimento dos recursos técnicos de toda natureza reduziram expressiva e duradouramente as mortes prematuras. Por outro lado, o colonialismo europeu garantiu alimentos e recursos naturais suficientes para garantir condições de vida para a população crescente. Da mesma forma, uma florescente prosperidade geral permitia filhos numerosos. Dez filhos chegando à idade adulta não era mais raridade.

 

Então, um fenômeno novo: a progressiva emancipação social e política da mulher, mais tarde seguidas pela econômica com sua entrada no mercado de trabalho. E, finalmente, a pílula anticoncepcional colocou o controle familiar nas suas mãos. Os resultados não demoraram a aparecer. Em menos de meio século, nos países desenvolvidos e em desenvolvimento as taxas de fertilidade caíram pela metade. Especificamente, no Brasil, ela caiu praticamente para um terço, de 6,3 filhos por mulher em 1960, para 2,3 em 2000, e 2,0 em 2004. Esse fato, entretanto, não leva imediatamente a um crescimento negativo da população, afinal, a população das mães ainda estava aumentando.       

 

Paralelamente n mesmo período, a expectativa média de vida praticamente dobrou de 40 para 76 anos. Porém, essa evolução não prolongou a idade fértil da mulher. Por outro lado, parece haver um limite médio biológico em torno dos 90 anos para esse aumento, com picos individuais chegando aos cerca de 120 anos; a marca de 122 anos nunca foi ultrapassada. Mesmo que processos hightech de prolongamento da vida possam ser exitosos, é difícil acreditar que encontrem aplicação ao povo em geral devido seu custo elevadíssimo. Essa constelação de fatores (queda de fertilidade, diminuição no crescimento da população, inclusive feminina, aumento de expectativa de vida com tendência de desaceleração) resultou até aqui numa constante queda da taxa de crescimento populacional, de 3,0% em 1950 para 0,6% em 2021.

 

Projeções a partir de todos os fatores mencionados resultam em que entre 2040 e 2045 a população brasileira atingirá seu pico ao redor de 230 milhões de pessoas, iniciando então um lento, mas progressivo crescimento negativo e chegando em 2100 a uma população de cerca de 180 milhões, ou seja, a mesma do ano de 2000, com tendência de aceleração do processo de diminuição. Esta realidade já existe hoje em diversos países como Grécia (- 0,58%), Japão (- 0,53%), Itália (- 0,34%), Rússia (- 0,27%) e Alemanha (- 0,05 %), entre muitos outros; a China registra atualmente um crescimento zero e o atual crescimento da população indiana é igual ao da brasileira. Apenas os países africanos, que totalizam 17,2 % da população mundial, continuam apresentando crescimentos, em alguns casos, significativos.

 

Em termos práticos, isso significa que a partir daqui a cerca de 20 anos, diminuirá o consumo de recursos (salvo se o comportamento consumista da população piorar), o que, combinado com uma economia circular poderá levar e uma enorme economia em certos recursos naturais, as infraestruturas até então construídas serão utilizadas por cada vez menos pessoas, e, de maneira geral, as riquezas produzidas por gerações anteriores serão distribuídas entre cada vez menos herdeiros., provocando um enriquecimento constante. Por outro lado, o risco de economias deflacionárias é considerável e pode exigir uma redefinição do pensamento econômico. 

 

Em resumo, o planeta agradecerá e respirará aliviado.   

 

 

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