Desigualdade – Justa e Injusta
(“Inequality - Fair and
Unfair”) - This text is written in a way to ease
comprehensive electronic translation)
Klaus H. G. Rehfeldt
A desigualdade social e
econômica mundial é dramática: desde 1995, o 1% mais rico da população mundial
acumulou quase 20 vezes mais riqueza do que os 50% mais pobres da humanidade. O
outro lado da incrível riqueza de alguns encontramos a extrema pobreza de muitos:
quase metade da humanidade – 3,2 bilhões de pessoas – vive na pobreza, ou seja,
com menos de 5,50 dólares por dia. Três bilhões de pessoas não têm acesso ao
atendimento básico de saúde e três quartos de todos os trabalhadores não têm
acesso à proteção social. A desigualdade na riqueza e na renda – mas também na
educação, saúde e proteção social – dificulta o desenvolvimento de indivíduos e
sociedades. E esse abismo tende a aumentar.
Eis os
fatos, a realidade. Daí surge o questionamento: a desigualdade é sinônimo de
injustiça? Quando a desigualdade se torna injusta? Quando o fato de que nem
todos recebem para o mesmo trabalho recompensa igual se torna injusto?
Obviamente,
o desenvolvedor de um software de amplo sucesso e que em pouco tempo se torna
um unicórnio, ou seja, uma start-up
tecnológica que alcance um valor de mercado de US$ 1 bilhão, não pode ser
considerado como fomentador de desigualdade social ou econômica da sociedade na
qual está inserido. É um caso extremo de acesso ao topo da pirâmide de rendas.
Outros tantos, entre empreendedores, artistas, esportistas etc., bem-sucedidos
em suas atividades, naturalmente honestas, nem mesmo empregados bem remunerados
pela sua competência, também não podem ser culpados pela pobreza de outros.
Aliás, tais concentração de renda acabam por beneficiar indiretamente outras
pessoas que garantem sua existência pela circulação desses recursos, seja o
feirante que abaste a cozinha do unicórnio, seja seu alfaiate, motorista ou
consultor financeiro. Além disso, justifica-se uma observação: a desigualdade
não é necessariamente resultado do empobrecimento de parcela da população, mas
sim, do rápido e expressivo enriquecimento de outra, vide unicórnios, dos quais
o Brasil ganhou 10 novos somente em 2021.
Onde,
então, reside a desigualdade injusta? Na verdade, ela começa no berço
improvisado do bebê de pais privados de recursos. Começa na desinformação dos
pais, começa na alimentação inadequada, começa na habitação precária, começa na
exposição a condições insalubres, começa na falta de creche e na prematura vivência
da realidade da a rua, e nesse percurso acaba na desigualdade de chances no
preparo para a vida.
Toda
deficiência, toda carência clama por seu responsável. Parece bastante evidente
que no caso da desigualdade injusta a responsabilidade não cabe àqueles que
subiram ou conseguem manter-se em classes de renda e riqueza elevadas, embora a
sociedade espere deles uma contribuição tributária adequada e eventualmente o
compromisso moral de se empenhar na mitigação de situações de carências e
pobreza, como, aliás, em algumas sociedades costuma acontecer conforme mostra o
respectivo tamanho do terceiro setor. Na situação enfocada, a resposta é clara:
o monitor e agente central no enfrentamento das desigualdades é o estado com
suas estruturas próprias e específicas para tal. Educação, saúde e seguridade
social devem ser acessíveis a todos, ponto final. A propósito, o Brasil possui programas
bastante bem estruturados, embora às vezes carentes de recursos. Ao lado disso,
projetos de renda mínima não devem ser vistos como utopia, mas como realidade
futura concreta.
Diferente
é a situação quando a própria sociedade civil insiste em preconceitos,
diferenciações e segregações, como origem, sexo, raça, cor, orientação sexual e
outros – até a aparência física. Esses arbítrios encontram-se no oferecimento
de oportunidades e na avaliação e na remuneração. É claro que o estado tem a
função e obrigação de regulamentar, disciplinar e coibir tais obstáculos
impostos pelo cidadão ao cidadão. No entanto, para todos poderem alcançar um
padrão de vida digna, precisamos de um sistema econômico justo no qual todos cumprem
sua responsabilidade social, e no qual o bem comum conta mais do que a maximização
do lucro a qualquer preço. O poder excessivo e a influência sobre as decisões
políticas devem ser evitados, de modo que a desigualdade extrema nem, sequer,
possa existir, muito menos aumentar.
Desigualdade
social e econômica sempre houve e sempre haverá. O objetivo da sociedade deverá
ser limitá-la aqueles que, pela sua natureza de ser ou própria vontade, optam por
sujeitar-se a ela pelo estilo de vida escolhido, mas jamais poderá ser admitida
como resultado da ausência da sociedade constituída ou civil. Afinal, sabemos
que há pessoas sem ambições, mas com muita fé na sorte.
No que diz respeito aos programas sociais do governo, como ferramenta para melhoria da condição socioeconômica da parcela menos favorecida da população, num horizonte de médio prazo, me parece aceitável. Desde que acompanhada da implementação de planos de desenvolvimento regional.
ResponderExcluirMas como forma de compra de votos a meu ver situa-se mais como um crime de responsabilidade ou maneira de enganar os ingênuos.