Seremos Oito Bilhões
(“We'll Be Eight Billion” - - This text is written in a way to ease
comprehensive electronic translation)
Klaus H. G. Rehfeldt
Depois de mais de um século de crescimento
populacional extraordinário, estamos atualmente vivenciando uma lenta, mas
consistente mudança nesse quadro. Os dados acima revelam uma clara e firme
desaceleração nessa evolução. Essa mudança resulta de um fenômeno da nossa
recente história na forma de uma constante redução nos nascimentos, e
consequentemente no número de filhos. Como consequência, atualmente 46 países,
cerca de um quinto do total, apresentam crescimento anual zero ou negativo,
inclusive a China, e outros 84, incluindo o Brasil, têm crescimento demográfico
abaixo de 1%. Por outro lado, mais da metade do aumento projetado na população
global até 2050 estará concentrada em apenas oito países: República Democrática
do Congo, Egito, Etiópia, Índia, Nigéria, Paquistão, Filipinas e República
Unida da Tanzânia, que hoje perfazem 30% da população mundial. E mais, a Índia
deve superar a China como o país mais populoso do mundo durante 2023. Diferentemente
como costuma ser anunciado, 53,9% dessas populações são de religião hindu (com suas
cerca de 520 variantes), 12,8% predominantemente cristão, e 33,3% predominantemente
islâmica.
Não há nenhum enigma nessa situação. As razões são
bem conhecidas. Um dos aspectos centrais para esses países é a queda acentuada
da fertilidade total nas últimas décadas. Hoje, dois terços da população global
vivem em países onde a fertilidade está abaixo de 2,1 nascimentos por mulher, a
taxa necessária para garantir a estabilidade numérica da população. O motivo? A
independência econômica e social da mulher com o suporte da pílula concepcional.
Outra razão é o padrão de consumo exagerado que eleva irracionalmente o custo
de vida da família.
Na outra ponta, compensando em parte a redução de
fertilidade, observa-se durante as últimas décadas uma contínua elevação na
expectativa de vida do que resulta uma mais longa permanência das pessoas no
nosso planeta, ou seja, na contagem dos habitantes, nas estatísticas. Neste contexto,
costuma se falar em envelhecimento das sociedades, quando mais parece se tratar
da necessidade de uma revisão de parâmetros, lembranso-se que a duas ou três
gerações atrás, a pessoa com 60 anos era definitivamente um idoso.
Na maioria dos países da África Subsaariana, da
Ásia e da América Latina, as recentes reduções na fertilidade levaram a um
"dividendo demográfico", com um aumento na participação da população
em idade de trabalho (25 a 64 anos), proporcionando uma oportunidade de
crescimento econômico acelerado per capita. Este dividendo demográfico tende a
aumentar na medida em que a idade ativa aumenta proporcionalmente ao aumento da
expectativa de vida, já que a idade de 64 anos hoje se mostra um tanto irreal.
O grupo de 46 países de crescimento demográfico
negativo, acima mencionado, não representa uma situação estática, mas cada vez
mais nações farão parte desse grupo, incluindo o Brasil com previsão de entrar
nele para a década de 2040. Por volta de 2070/80 o crescimento da população mundial
deverá atingir seu ponto de inversão para negativo, embora alguns países ainda
devam registrar aumento do número de seus habitantes.
Isso será bom? A humanidade nunca experimentou uma
evolução demográfica negativa, salvo em momentos dramáticos como guerras, epidemias
ou catástrofes climáticas. Se as razões para tal evolução são bastante conhecidas,
as consequências, nem tanto. Porém, talvez ajude imaginar uma população como
aquela de 1950 com o atual estado tecnológico e ... – pois é, no que mais
avançamos?
As estatísticas são de fato, bastante conhecidas.
ResponderExcluirEnrre as consequências prováveis eu mencionaria os movimentos migratórios, a miscigenação racial , a xenofobia e mudanças socioeconômicas.