quarta-feira, 2 de novembro de 2022

Seremos Oito Bilhões

 

Seremos Oito Bilhões

(“We'll Be Eight Billion” - - This text is written in a way to ease comprehensive electronic translation)

 

Klaus H. G. Rehfeldt

 

 Por volta de 1804, a população mundial passou de um bilhão de pessoas. 123 anos depois, éramos dois bilhões em 1927, e três bilhões 33 anos depois, em 1960. Levou apenas 14 anos até o quarto bilhão em 1974. Em 1987, apenas 13 anos depois, a marca de 5 bilhões foi ultrapassada, e em 1999 o sexto bilhão. Em 31 de outubro de 2011, 12 anos depois, nasceu a sétima bilionésima pessoa, e agora, previsto para15 de novembro e após 11 anos, alcançaremos a marca de oito bilhões. Já o nono bilhão, segundo projeções demográficas da ONU, deverá ser atingido apenas 14 a 15 anos depois, ou seja, em 2036/37. Outras projeções preveem para o ano de 2030 uma população de 8,5 bilhões de habitantes mundiais, para 2050, 9,7 bilhões, e para a década de 2080, 10,4 bilhões.

 

Depois de mais de um século de crescimento populacional extraordinário, estamos atualmente vivenciando uma lenta, mas consistente mudança nesse quadro. Os dados acima revelam uma clara e firme desaceleração nessa evolução. Essa mudança resulta de um fenômeno da nossa recente história na forma de uma constante redução nos nascimentos, e consequentemente no número de filhos. Como consequência, atualmente 46 países, cerca de um quinto do total, apresentam crescimento anual zero ou negativo, inclusive a China, e outros 84, incluindo o Brasil, têm crescimento demográfico abaixo de 1%. Por outro lado, mais da metade do aumento projetado na população global até 2050 estará concentrada em apenas oito países: República Democrática do Congo, Egito, Etiópia, Índia, Nigéria, Paquistão, Filipinas e República Unida da Tanzânia, que hoje perfazem 30% da população mundial. E mais, a Índia deve superar a China como o país mais populoso do mundo durante 2023. Diferentemente como costuma ser anunciado, 53,9% dessas populações são de religião hindu (com suas cerca de 520 variantes), 12,8% predominantemente cristão, e 33,3% predominantemente islâmica.  

 

Não há nenhum enigma nessa situação. As razões são bem conhecidas. Um dos aspectos centrais para esses países é a queda acentuada da fertilidade total nas últimas décadas. Hoje, dois terços da população global vivem em países onde a fertilidade está abaixo de 2,1 nascimentos por mulher, a taxa necessária para garantir a estabilidade numérica da população. O motivo? A independência econômica e social da mulher com o suporte da pílula concepcional. Outra razão é o padrão de consumo exagerado que eleva irracionalmente o custo de vida da família.

 

Na outra ponta, compensando em parte a redução de fertilidade, observa-se durante as últimas décadas uma contínua elevação na expectativa de vida do que resulta uma mais longa permanência das pessoas no nosso planeta, ou seja, na contagem dos habitantes, nas estatísticas. Neste contexto, costuma se falar em envelhecimento das sociedades, quando mais parece se tratar da necessidade de uma revisão de parâmetros, lembranso-se que a duas ou três gerações atrás, a pessoa com 60 anos era definitivamente um idoso.

 

Na maioria dos países da África Subsaariana, da Ásia e da América Latina, as recentes reduções na fertilidade levaram a um "dividendo demográfico", com um aumento na participação da população em idade de trabalho (25 a 64 anos), proporcionando uma oportunidade de crescimento econômico acelerado per capita. Este dividendo demográfico tende a aumentar na medida em que a idade ativa aumenta proporcionalmente ao aumento da expectativa de vida, já que a idade de 64 anos hoje se mostra um tanto irreal.

 

O grupo de 46 países de crescimento demográfico negativo, acima mencionado, não representa uma situação estática, mas cada vez mais nações farão parte desse grupo, incluindo o Brasil com previsão de entrar nele para a década de 2040. Por volta de 2070/80 o crescimento da população mundial deverá atingir seu ponto de inversão para negativo, embora alguns países ainda devam registrar aumento do número de seus habitantes.

 

Isso será bom? A humanidade nunca experimentou uma evolução demográfica negativa, salvo em momentos dramáticos como guerras, epidemias ou catástrofes climáticas. Se as razões para tal evolução são bastante conhecidas, as consequências, nem tanto. Porém, talvez ajude imaginar uma população como aquela de 1950 com o atual estado tecnológico e ... – pois é, no que mais avançamos?

 

 

 

 

Um comentário:

  1. As estatísticas são de fato, bastante conhecidas.
    Enrre as consequências prováveis eu mencionaria os movimentos migratórios, a miscigenação racial , a xenofobia e mudanças socioeconômicas.

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