quarta-feira, 26 de junho de 2024

Menos Bebês Hoje, Menos Adultos Amanhã

 

Menos Bebês Hoje, Menos Adultos Amanhã

 

(“Fewer Babies Today, Fewer Adults Tomorrow” - This text is written in a way to ease comprehensive electronic translation)

 

Klaus H. G. Rehfeldt

 

E esse amanhã, em termos sociais, profissionais, conjunturais etc., está muito próximo. São apenas duas décadas. No mundo, segundo a ONU, os 92 milhões de bebês nascidos em 1950 aumentaram para 142 milhões em 1990, oscilando, desde então, entre esses 142 e 134 milhões de nascimentos em 2023, variações que se explicam por diversos eventos estruturais, políticos e até bélicos, tanto nacionais, quanto regionais, nesse período. É importante observar que de uma tendência de crescimento delineou-se uma projeção de estabilização em torno de uma média desse espaço de empo. A previsão da ONU é de um declínio futuro chegando a 111 milhões de nascimento em 2100. Elevadas taxas de fertilidade na África justificam esse retardamento.

 

No Brasil, a evolução dos nascimentos nas últimas décadas é mais regular. Segundo dados do Registro Civil do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE), o país registrou uma média de 2,85 milhões de nascimento para o período de 2010 a 2019. Já em, 2021, foram registrados 2,64 milhões de nascimentos, e em 2022, 2,54 milhões, representando uma queda de 10,8% em elação à média 2010/19. Em outras palavras observa-se um declínio constante nos nascimentos nos últimos quatro anos. Que houvesse uma queda durante o período da Covid-19 tem sua lógica, mas, na realidade o decréscimo segue a um período de estagnação para então consolidar-se também depois de superada essa fase.

 

O resultado disso, no curto prazo, é uma redução na demanda por artigos para bebês, depois por lugares em creches, em seguida, no ensino primário e secundário, e finalmente nos mercados de trabalho e de consumo. Isso é bom? Isso é ruim? Possivelmente nem um, nem outro. É uma mudança demográfica, sem dúvida importante, numa vez que a transição para um crescimento negativo é um fato inédito na história da humanidade, salvo momentos históricos com quedas de populações devido a epidemias, calamidades de origem climática ou guerras.

 

Um das caraterísticas centrais dessa involução demográfica é a lentidão com que se processa. Devemos esperar, em nível nacional (com óbvias variações regionais), o que hoje se observa em muitas cidades grandes, cuja população está diminuindo, embora, nesse caso, em virtude de deslocamentos para cidades periféricas (exemplo: Curitiba, 2019 com 1,933 milhão de habitantes, 2022, 1.773 milhão, enquanto cidades vizinhas como Campo Largo e São José dos Pinhais crescem vigorosamente). Essa lentidão faz com que o cidadão tem certa dificuldade em perceber diferenças.

 

Indivíduos ou populações em pequena escala dificilmente notarão reflexos desse fenômeno, porém, as Secretarias de Educação logo perceberão uma queda nas matrículas. Da mesma maneira, mas a prazo mais longo, o varejista provavelmente custe para observar uma diminuição de seus fregueses habituais, digamos de 200 para 180 ao longo de três anos. Por outro lado, o fabricante – bem como o distribuidor – certamente registrará uma queda progressiva, mesmo sendo lenta, na demanda dos produtos. O que é improvável, até por falta de informação,     é a identificação da causa como sendo um fenômeno demográfico.

 

Também na área econômica, é bastante provável que um dos fatores da atual inflação brasileira relativamente baixa seja uma quase estagnação quantitativa da população. Cabe um estudo aprofundado por parte de quem dispõe dos dados mais detalhadas para tal. A equação da oferta e da procura é infalível, e a partir do momento em que o número de consumidores (com poder de compra razoavelmente inalterado) diminuir, os mercados sofrerão uma crescente pressão deflacionária.

 

A falta de crescimento demográfica ainda não chegou ao mercado imobiliário devido a uma crescente diminuição do tamanho familiar (3,7 pessoas por família em 2000, 2,7, em 2022), resultando em demanda maior por habitações – obviamente menores, que poderão se tronarão um obstáculo para um eventual aumento familiar (mais filhos) em algum futuro. 

 

Um previsível declínio na força de trabalho corre paracleto com o surgimento de um provável substituto de determinados segmentos de mão de obra – a Inteligência Artificial (IA), embora nada de concreto se possa, nesse instante, prever com precisão a respeito dessa tecnologia em fase mais desenvolvida. Com certeza, ela substituirá postos de trabalho, com efeito salutar numa população em declínio. Um real problema seria a escassez de mão de obra e a consequente falta de competitividade profissional, o que fatalmente resultaria em queda de qualidade do trabalho.

 

Todos esses dados acima estão amplamente disponíveis, e certamente são discutidos nas diretorias das empresas líderes em seus ramos. Mas empresas são discretas no que se refere a suas estratégias industriais e comerciais. Onde aparentemente ainda não chegaram são os órgãos governamentais, pelo menos por aquilo que se percebe nas projeções oficiais. A mídia, por outro lado, até noticia dados demográficos sem, porém, fazer a necessária leitura de seus significados.

 

Como já foi visto, não vamos, certo dia, acordar numa nova realidade demográfica e suas consequências. Todavia, é preciso manter na mente que as crianças de hoje certamente desenvolverão outros parâmetros de enxergar o mundo e sua existência nele. E nós temos a chance de prepara-las para isso.

 

Nota: Sugiro a leitura do e-book “O Brasil de Menos Gente”; Rehfeldt, Klaus; editora Amazon, 2018

 

 

 

 

 

 

 

 

 

sábado, 22 de junho de 2024

Chuvas e Enchentes

 

Chuvas e Enchentes

 

(“Rains and Floods” - This text is written in a way to ease comprehensive electronic translation)

 

Klaus H. G. Rehfeldt

 

As chuvas fazem parte do nosso cotidiano, até da nossa necessidade cotidiana. Sem chuvas, ao lado de tempos ensolarados, não haveria vida no nosso planeta. E o que é uma chuva? A chuva é um evento climático e nas formas líquida, de neve ou de gelo. A chuva é parte de uma constante circulação da água, da evaporação de água existente na superfície da Terra – lagos, rios, mares, mas também plantas – causada por calor natural, à precipitação de água acumulada como valor d’água nas nuvens, na forma condensada em decorrência de algum resfriamento na atmosfera.

 

É isso o que aprendemos na escola. Difícil de imaginar é que uma enchente catastrófica é originada por uma imensa quantidade de gotas d’água que pesam, em média, entre 0,03 a 0,05 gramas, e têm diâmetro de cerca de 2 a 3 milímetros. E uma nuvem do tipo ‘cumulus’ (parece chumaço de algodão) pode facilmente conter o peso de mil toneladas de água, o equivalente ao peso de cerca de mil bois. Já uma nuvem de trovoada pode conter de 20 a 100 bilhões de toneladas de água? Essas quantidades dependem naturalmente de sua posição geográfica, pois nuvens em regiões tropicais conseguem manter muito mais água do que em regiões mais frias.

 

Numa chuva ‘normal’, a atmosfera contém minúsculas partículas de água que flutuam no ar, sustentadas pelo calor que naturalmente sobe da superfície terrestre. Quando se avolumam, formam as nuvens que vemos no céu. Um eventual esfriamento do ar causa então a condensação (igual àquela observada no vidro de janela quando a temperatura externa é menor que a interna) e a consequente formação de gotículas de água em torno de minúsculas partículas sólidas (pó ou aerossóis) existentes na atmosfera. Ao passo que tais gotículas ganham volume para as gotas que conhecemos, e peso suficiente para a precipitação na forma de chuva.

 

Entretanto, recentemente observamos chuvas não tão normais, especialmente pelo seu volume. O que está ocorrendo? Quanto mais quente o ar, mais água ela consegue sustentar – e vice verso. Se tomamos como base 1 m3 de ar, com uma temperatura de 25º C (com 70% de humidade do ar), sua capacidade máxima de contenção de água (em forma de vapor) é de 16,1 g. Elevando a temperatura para 30º C, esse valor aumenta para 21,3 g, ou seja, eleva-se em 33%. Por outro lado, um esfriamento de 5º C significa que, em tempo relativamente curto, a capacidade de retenção de água de uma massa de ar é reduzida drasticamente resultando em chuvas mais ou menos fortes de acordo com o grau de impacto da massa fria. Por conseguinte, as temperaturas mais altas, que efetivamente estamos registrando, levam automaticamente a precipitações mais intensas, podendo mais facilmente resultar em enchentes.

 

E há outro fator a ser considerado: o processo de condensação da água libera energia, que, por sua vez, aquece o ambiente de sua ocorrência, ou seja, há um reaquecimento (embora menor) paralelo ao esfriamento. Com isso, a precipitação tende a ser mais intensa. Se, além disso, a área de baixa pressão (tendência para chuva) for extensa, as condições de precipitação podem variar localmente em intensidade.

 

Tudo isso nos conduz a um ponto que exige ponderações especiais. Sejam quais forem as causas, ou a participação de circunstâncias específicas – como o fator sociedade industrializada – no conjunto, estamos vivendo um aquecimento global (sabendo que não é o primeiro na história do nosso planeta) com inevitáveis mudanças climáticas – e suas consequências. É o CO2, o ‘grande’ subproduto da nossa civilização? Uma grande dúvida, considerando que seu teor na atmosfera é de somente 0,042% (420 ppm). O que é inegável, e estatisticamente confirmado, é um paralelismo entre o aumento do teor de CO2 (que em 1990 era de apenas 320 ppm) e a maior intensidade de chuvas, seja na agressividade dos fenômenos El Nino e La Nina, seja em chuvas extremamente intensas, ou em micro-explosões atmosféricas. Isso leva a uma conclusão categórica: ao lado de maior rigor no controle de emissões de CO2, será preciso preparar-se para, no mínimo, repetições dos eventos desastrosos havido recentemente mundo afora – talvez piores.

 

Nota: Sugiro ler também o texto ‘Rios Voadores’ (12.08.2023) no mesmo blog.

terça-feira, 11 de junho de 2024

A Caminho do Bem-Estar Global?

 

A Caminho do Bem-Estar Global

(“On the Way to Global Wellness?” - This text is written in a way to ease comprehensive electronic translation)

 

Klaus H. G. Rehfeldt

 

Depois dos tempos áureos da Grécia Antiga e do Império Romano – naturalmente no contexto sociocultural da época –, o mundo ocidental mergulhou num período de mais de mil anos de um crescimento civilizatório no máximo modesto, às vezes de estagnação, às vezes de retrocesso. Mesmo com o desenvolvimento de alguns conhecimentos técnicos, como a rotação de plantio, ou os artifícios da arquitetura, ferraria ou carpintaria, e expansões territoriais via colonizações fora da Europa, foram séculos mais de sobrevivência de povos em áreas rurais do que de progresso consistente. (Evidentemente, elites mandatários viviam outra realidade.) Pouca energia – essencialmente apenas humana e animal – gerava pouca riqueza.

 

Foi a revolução energética com a invenção e o aperfeiçoamento da máquina de vapor nas primeiras décadas do século XVIII, oportunizando a revolução industrial. Em conexão com isso, desencadeou-se um período de progressos extraordinários econômico, social e cultural no mundo ocidental – com diferenças de país a país. Ao mesmo tempo, a Europa tornou-se incubadora de conhecimento. Tratando-se de uma região composta de vários países distintos, cada um com interesses próprios, disputas bélicas eram inevitáveis. Apenas com a democratização europeia pôs Segunda Guerra Mundial mudou esse panorama. Mas o bem-estar europeu, apesar dos revezes sofridos nas duas guerras mundiais, acompanhado de moderado aumento de prosperidade, perdura até hoje, naturalmente com diferenças entre as nações.

 

Era inevitável, que o conhecimento do momento, concentrado na Europa, fosse levado por emigrantes em seu maciço movimento migratório para as colônias inglesas na América do Norte. E isso com um ingrediente especial: migrantes, por sua natureza, são gente determinada e de iniciativa. Daí na conjugação desses fatores, o progresso tecnológico, e consequentemente econômico, europeu encontrou novo solo fértil. Assim, em constante troca com a Europa, os Estados Unidos, oriundos dessa colonização, conseguiram acompanhar e promover a evolução técnico-econômica do ‘Velho Mundo’ e gerar sua própria prosperidade.

 

Véu a Segunda Guerra Mundial, com os Estado Unidos saindo como grande vitorioso. O consequente enfraquecimento econômico europeu reverteu diretamente para um impulso de prosperidade dos Estado Unidos. O progresso tecnológico e econômico daquele pais pós Segunda Guerra Mundial dispensa comentários. Além de promover sua própria prosperidade, o país, envolvido numa disputa ideológica acirrada com a União Soviética, irradiou seus potenciais mundo afora, salvo, ou em menor escala. E nessa disputa ideológica, os Estados Unidos provaram sua superioridade. Depois do Império Romano, os Estados Unidos foram o primeiro país a assumir a liderança – mormente econômica, tecnológica e militar – ‘mundial’.

 

Porém, lideranças não são eternas. Toda riqueza tem seus percalços, entre esses, aspectos competitivos. Um elevado padrão de vida costuma implicar em elevados níveis salariais, abrindo espaço a mercados com custo de mão-de-obra mais favorável. E quem soube aproveitar-se, embora com economia parcialmente planejada, foi a China. Num curtíssimo prazo de pouco mais de três décadas, esse pais conseguiu não somente atrair empreendimentos industriais de inúmeros países industrializados, inclusive dos Estado Unidos, mas também desenvolver seu próprio capital tecnológico. Nesse curto espaço de tempo, a China conseguiu equiparar-se – em alguns aspectos até superar – a infraestruturas do ‘primeiro mundo’ e ocupar posições de ponta em diversas tecnologias.

 

Com tais potenciais, a ocupação do lugar de economia mais poderosa parece ser apenas uma questão de tempo, o que não significa que os outros países prósperos, ou em desenvolvimento, deixem de sê-lo. O fundamento é o conhecimento e esse tende a propagar-se, com ou sem consentimento de seus detentores.

 

Muito embora a dinâmica de crescimento da China esteja começando a perder impulso, seu Produto Interno Bruto (PIB) e PIB per apita continuam aumentando – com reflexos positivos sobre seus satélites econômicos. Nessa altura, pelo menos um terço da população mundial tem atingido níveis, no miminho decentes, de bem-estar.

 

Mas a China não será o último protagonista na liderança da economia mundial. Pois, num mundo de encolhimento populacional em cerca de 25% de seus países, a Índia com uma população de quase um milhões e meio de habitantes (20% da população mundial), ainda em crescimento moderado e com uma enorme reserva de força de trabalho, encontra-se em posição de partida para repetir, obviamente a seu modo, a dinâmica desenvolvimentista da China. Além disso, parece não haver obstáculos ideológicos num povo ansioso de melhorar sua vida.

 

Em 2023, o PIB da Índia – sem passado industrial, e num contexto econômico mundial muito distante dos passados – cresceu 7,6% e é hoje o 5º maior do mundo, devendo dentro dos próximos 4 anos ultrapassa o Japão (4º) e a Alemanha (3º). O Estado investe milhões de dólares em fundos de pesquisa em centros de inovação como o "T-Hub", que segundo as suas próprias informações é o maior do género no mundo. Atualmente, cerca de 350 startups têm seus escritórios aqui, e cerca de duas vezes mais deverão surgir num futuro próximo.      

 

E depois? No horizonte aponta a África, atualmente com 18% da população mundial, e com países em pleno desenvolvimento com a Nigéria e a África do Sul. Possivelmente não será um bloco único, porém num modelo de complementação.       Da mesma maneira como empreendimentos hoje deixam a China para estabelecer-se na Índia, amanhã poderão tomar o caminho para a África. Afinal, o fator custo de mão-de-obra continua tendo sua importância.

 

É preciso frisar que essas substituições na liderança econômica mundial não constituem prejuízo para os anteriores detentores dessa posição, que continuam com sua prosperidade consolidada. Por outro lado, o resto do mundo continuará acompanhando, embora mais lenta e menos intensamente, como coadjuvantes o contínuo progressão da nossa civilização.

 

E o Brasil? Aparentemente não seremos promotores de prosperidade global, mas certamente terremos o papel de contribuinte importante, garantindo recursos básicos e pratos cheios de todo mundo. 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

sábado, 8 de junho de 2024

A China e Seu 'Comunismo'.

 

A China e Seu ‘Comunismo’

 

(“China and Its ‘Communism’” - This text is written in a way to ease comprehensive electronic translation)

 

Klaus H. G. Rehfeldt

 

Eis a China, um país com 20% da população mundial, que se autodenomina ‘república popular’ e seu partido único chama-se ‘Partido Comunista Chinês’. Isso, em perfeita harmonia com a existência de estruturas econômicas tipicamente capitalistas. Como assim?        

 

Vejamos então. Em 1949, a União Soviética, saindo vitoriosa da Segunda Guerra Mundial, tinha recentemente logrado a formação de um bloco de países, caraterizado por governos de ideologia comunista. Nada mais óbvio, então, que, dentro de sua ambição visionária de um mundo comunista, se prontificasse a apadrinhar econômica e militarmente o nascimento da “República Popular da China”. O baixíssimo padrão de vida em ambos os países por ocasião da implantação do sistema foi extremamente favorável à aceitação desse ideário político.

 

A princípio, a China seguia o modelo soviético de construir riqueza através de estratégias comunistas, colhendo muitos fracassos e sem conseguir alcançar resultados significativos. Até que, em 1984, o então presidente Deng-Xiaoping fundamentou uma mudança radical quando disse: “O que é socialismo e o que é marxismo? No passado, não estávamos realmente cientes disso”.... “O socialismo significa a eliminação da pobreza. Pobreza em massa não é socialismo e muito menos comunismo”, justificando uma redefinição do sistema chinês “Um país dois sistemas”, na verdade, um pensamento latente desde 1979.

 

Primeiro foram as Zonas Econômicas Especiais, muito bem-sucedidas, mas beneficiando quase exclusivamente as populações urbanas. Em seguida foi o afrouxamento na planificação da política agrária, que acabou garantindo, entre outros resultados positivos, safras suficientes de grãos num país que tem 20% da população mundial, mas apenas 7% das áreas cultiváveis globais). Ao longo do tempo, planificação da economia tem concedido cada vez mais abertura para uma economia de mercado.   

 

Daí não surpreende o gradativo avanço da economia chinesa para o atual segundo lugar, após apenas da dos Estados Unidos. Entretanto, esse avanço está sofrendo uma desaceleração contínua – e significativa. O aumento do produto interno bruto (PIB) chinês, que na década de1980 e 90 teve picos positivos e negativos oscilando entre 14,3% e 3,9%, ultimamente vem decrescendo constantemente desde os 14,3% de 2007 para atuais 5,2% (2023). Na verdade, dentro dos parâmetros passados, a atual economia chinesa está gerando um crescente grau da incerteza. Enquanto empresas nacionais e estrangeiras, há algum tempo, vêm desenvolvendo estratégias para diversos cenários de crise, as universidades colocam duas vezes mais formandos de cursos superiores no mercado de trabalho do que a dez anos atrás – e que podem facilmente ter de aceitar empregos como motorista ou cozinheiro.

 

Atualmente, a economia chinesa está lutando contra a deflação. Em janeiro de 2024, os preços ao consumidor caíram drasticamente: a queda foi a maior registrada pela China desde a crise econômica global em 2009. Especialistas atribuem essa queda dos preços à demanda persistentemente fraca do consumidor.

 

Por outro lado, o pacto social informal – mas na prática especialmente eficiente depois do massacre da praça de Tian-anmen – do Estado garantir da promoção do bem-estar, não admitindo, em contrapartida, de ser questionado, parece começar a apresentar fissuras.

 

Apesar do sistema econômico de livre mercado patrocinado pelo Estado, o Partido Comunista Chinês não desistiu de seu objetivo de construir o comunismo. De acordo com os estatutos atuais do partido, o atual sistema de economia de mercado é considerado um precursor do comunismo. Dessa maneira, a ideia chinesa de comunismo de hoje é fundamentalmente diferente do ideário Karl Marx de 150 anos atrás. De acordo com dados oficiais chineses, o Partido Comunista Chinês de hoje é guiado pelas ideias de Mao-Tsé-Tung, temperadas pelas de Deng-Xiaoping, objetivando a construção de uma "economia de mercado socialista".

 

A ‘Nova Política Econômica’ (NEP) de Lenin foi concebido apenas como uma fase de transição na construção do socialismo e durou apenas de 1921 a 1927. Todo o comunismo soviético implodiu depois de 74 anos, já o ‘comunismo’ chinês em constante flexibilização de seus princípios dura de 1949 até os dias atuais e não há fim à vista.  

sábado, 1 de junho de 2024

Estamos Prontos?

 

Estamos Prontos?

(“Are we ready?” – This text has been written in such a way as to facilitate translations by electronic means)

 

Klaus H. G. Rehfeldt

 

A mudança demográfica é um fato. Atualmente 41 (18%) dos 230 países do nosso planeta já apresentam redução populacional, entre eles, países populosos como Japão, Rússia e China. O Brasil, com um crescimento de ainda 0,5%, deverá entrar nesse grupo dentro dos próximos dez anos. Achar que se trata de um simples fato numérico seria leviano. Na verdade, nos espera uma inversão e revisão de uma série de fatos e fundamentos socioeconômicos.

 

É importante notar que os efeitos das mudanças demográficas só se tornarão perceptíveis a médio e longo prazo. Eles não se devem apenas ao nosso modo de vida pessoal, mas também a mudanças sistêmicas na sociedade e na economia. Considerando as mudanças demográficas globais em curso, estes efeitos são inevitáveis.

 

As consequências englobam mudanças profundas e duradouras que deverão prolongar-se, no mínimo, por várias gerações, décadas afora. Elas abrangem um vasto leque de áreas, incluindo a economia, a política social, a de saúde e do meio ambiente.

 

Na economia, um declínio da população pode afetar o mercado de trabalho, reduzindo o número de trabalhadores disponíveis, como já ocorre no Japão. Isso pode levar a uma escassez mão de obra qualificada e inibir o crescimento econômico de uma sociedade, salvo se o avanço tecnológico consiga compensar esse provável déficit nos processos industriais, comerciais e de serviços. Possivelmente haverá necessidade de mais linhas de produção robotizadas, mais comércios autônomos e mais serviços digitais.

 

Mais importante, porém, será uma queda geral de demanda por falta de consumidores, que implicará uma economia deflacionária, uma realidade absolutamente inusitada e difícil de imaginar a partir da nossa história econômica. O pensamento econômico – embora lentamente – terá de mudar radialmente.

 

Já na política social, o envelhecimento da população é fato central a ser levado em conta nessa realidade. Embora o crescimento populacional esteja em declínio, o aumento de expectativa de vida conduzirá a um aumento das despesas com o seguro social. Na verdade, o atual limite de capacidade produtiva aos 65 ou 67 anos já não corresponde mais ao homem, ou à mulher, médio atual. Na verdade, é a faixa etária quando a experiência profissional – e vivencial – faz a diferença. O alongamento da expectativa de vida não se restringe à velhice, mas a todas as fases da vida humana.   

 

Quanto aos cuidados de saúde, uma população idosa precisa de mais cuidados de saúde e cuidados, o que leva a um aumento da pressão sobre o sistema de saúde. Entretanto, uma mudança em curso, no sentido de uma maior concentração na saúde preventiva poderá atenuar esse problema a médio  prazo. A longo prazo, o foco deverá ser a saúde preventiva baseada no rastreamento genético, indicativo para possíveis quadros patológicos eventualmente possíveis de serem inibidos.

 

As mudanças demográficas também deverão ter um impacto sobre o meio ambiente, por exemplo, através de alterações na utilização dos solos e no consumo de recursos naturais. Menos gente consome menos recursos naturais, sejam eles de superfície, sejam de subsolo. Ao mesmo tempo, uma população menor gera menos resíduos, polui menos e viola a natureza em grau menor.

 

Outros desafios estão associados à transformação das estruturas familiares e ao declínio geral da população. Esses aspectos dizem respeito ao desenho da moradia, às necessidades educacionais e também à cultura e aos valores de identidade de uma sociedade.

 

Todos esses efeitos estão interligados e poderão influenciar uns aos outros. Eles exigem respostas coordenadas, sustentadas e de prazo mais curto possível para poder fazer face ao impacto das alterações demográficas e, ao mesmo tempo, manter a qualidade de vida de todos.

 

Não vivemos num mundo estático. Nossa vida, mais ainda a dos nossos descendentes, depende de nossa capacidade de avaliar o movimento presente, seus efeitos e suas projeções sobre o futuro, pois eles dependerão da qualidade e consciência de nossa presença e de nossas decisões.

 

Essas, sem dúvida, deverão ser nossas prioridades políticas para o vindouro.