Estamos Prontos?
(“Are we ready?” – This text has
been written in such a way as to facilitate translations by electronic means)
Klaus H. G. Rehfeldt
A mudança demográfica
é um fato. Atualmente 41 (18%) dos 230 países do nosso planeta já apresentam redução
populacional, entre eles, países populosos como Japão, Rússia e China. O
Brasil, com um crescimento de ainda 0,5%, deverá entrar nesse grupo dentro dos próximos
dez anos. Achar que se trata de um simples fato numérico seria leviano. Na
verdade, nos espera uma inversão e revisão de uma série de fatos e fundamentos
socioeconômicos.
É importante notar que os efeitos das mudanças demográficas só se
tornarão perceptíveis a médio e longo prazo. Eles não se devem apenas ao nosso
modo de vida pessoal, mas também a mudanças sistêmicas na sociedade e na
economia. Considerando as mudanças demográficas globais em curso, estes efeitos
são inevitáveis.
As consequências englobam mudanças profundas e duradouras que deverão
prolongar-se, no mínimo, por várias gerações, décadas afora. Elas abrangem um
vasto leque de áreas, incluindo a economia, a política social, a de saúde e do meio
ambiente.
Na economia, um declínio da população pode afetar o mercado de trabalho,
reduzindo o número de trabalhadores disponíveis, como já ocorre no Japão. Isso
pode levar a uma escassez mão de obra qualificada e inibir o crescimento
econômico de uma sociedade, salvo se o avanço tecnológico consiga compensar
esse provável déficit nos processos industriais, comerciais e de serviços.
Possivelmente haverá necessidade de mais linhas de produção robotizadas, mais comércios
autônomos e mais serviços digitais.
Mais importante, porém, será uma queda geral de demanda por falta de
consumidores, que implicará uma economia deflacionária, uma realidade
absolutamente inusitada e difícil de imaginar a partir da nossa história
econômica. O pensamento econômico – embora lentamente – terá de mudar
radialmente.
Já na política social, o envelhecimento da população é fato central a
ser levado em conta nessa realidade. Embora o crescimento populacional esteja
em declínio, o aumento de expectativa de vida conduzirá a um aumento das
despesas com o seguro social. Na verdade, o atual limite de capacidade
produtiva aos 65 ou 67 anos já não corresponde mais ao homem, ou à mulher,
médio atual. Na verdade, é a faixa etária quando a experiência profissional – e
vivencial – faz a diferença. O alongamento da expectativa de vida não se
restringe à velhice, mas a todas as fases da vida humana.
Quanto aos cuidados de saúde, uma população idosa precisa de mais
cuidados de saúde e cuidados, o que leva a um aumento da pressão sobre o
sistema de saúde. Entretanto, uma mudança em curso, no sentido de uma maior
concentração na saúde preventiva poderá atenuar esse problema a médio prazo. A longo prazo, o foco deverá ser a
saúde preventiva baseada no rastreamento genético, indicativo para possíveis
quadros patológicos eventualmente possíveis de serem inibidos.
As mudanças demográficas também deverão ter um impacto sobre o meio
ambiente, por exemplo, através de alterações na utilização dos solos e no
consumo de recursos naturais. Menos gente consome menos recursos naturais,
sejam eles de superfície, sejam de subsolo. Ao mesmo tempo, uma população menor
gera menos resíduos, polui menos e viola a natureza em grau menor.
Outros desafios estão associados à transformação das estruturas
familiares e ao declínio geral da população. Esses aspectos dizem respeito ao
desenho da moradia, às necessidades educacionais e também à cultura e aos
valores de identidade de uma sociedade.
Todos esses efeitos estão interligados e poderão influenciar uns aos
outros. Eles exigem respostas coordenadas, sustentadas e de prazo mais curto
possível para poder fazer face ao impacto das alterações demográficas e, ao
mesmo tempo, manter a qualidade de vida de todos.
Não vivemos num mundo estático. Nossa vida, mais ainda a dos nossos
descendentes, depende de nossa capacidade de avaliar o movimento presente, seus
efeitos e suas projeções sobre o futuro, pois eles dependerão da qualidade e
consciência de nossa presença e de nossas decisões.
Essas, sem dúvida, deverão ser nossas prioridades políticas para o
vindouro.
Será que podemos esperar um mundo melhor? Não pra nós, mas que as gerações futuras aprendam a usar recursos naturais e encontrar felicidade sem destruição!!
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