Menos Bebês Hoje, Menos Adultos Amanhã
(“Fewer Babies Today, Fewer Adults Tomorrow” - This text is written in
a way to ease comprehensive electronic translation)
Klaus H. G. Rehfeldt
E esse amanhã, em
termos sociais, profissionais, conjunturais etc., está muito próximo. São
apenas duas décadas. No mundo, segundo a ONU, os 92 milhões de bebês nascidos
em 1950 aumentaram para 142 milhões em 1990, oscilando, desde então, entre
esses 142 e 134 milhões de nascimentos em 2023, variações que se explicam por diversos
eventos estruturais, políticos e até bélicos, tanto nacionais, quanto regionais,
nesse período. É importante observar que de uma tendência de crescimento delineou-se
uma projeção de estabilização em torno de uma média desse espaço de empo. A previsão
da ONU é de um declínio futuro chegando a 111 milhões de nascimento em 2100. Elevadas
taxas de fertilidade na África justificam esse retardamento.
No
Brasil, a evolução dos nascimentos nas últimas décadas é mais regular. Segundo dados do Registro Civil do Instituto
Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE), o país registrou uma média de
2,85 milhões de nascimento para o período de 2010 a 2019. Já em, 2021, foram
registrados 2,64 milhões de nascimentos, e em 2022, 2,54 milhões, representando
uma queda de 10,8% em elação à média 2010/19. Em outras palavras observa-se um
declínio constante nos nascimentos nos últimos quatro anos. Que houvesse uma
queda durante o período da Covid-19 tem sua lógica, mas, na realidade o
decréscimo segue a um período de estagnação para então consolidar-se também depois
de superada essa fase.
O resultado disso, no curto prazo, é uma redução
na demanda por artigos para bebês, depois por lugares em creches, em seguida,
no ensino primário e secundário, e finalmente nos mercados de trabalho e de
consumo. Isso é bom? Isso é ruim? Possivelmente nem um, nem outro. É uma mudança
demográfica, sem dúvida importante, numa vez que a transição para um
crescimento negativo é um fato inédito na história da humanidade, salvo
momentos históricos com quedas de populações devido a epidemias, calamidades de
origem climática ou guerras.
Um das caraterísticas centrais dessa involução
demográfica é a lentidão com que se processa. Devemos esperar, em nível nacional
(com óbvias variações regionais), o que hoje se observa em muitas cidades
grandes, cuja população está diminuindo, embora, nesse caso, em virtude de
deslocamentos para cidades periféricas (exemplo: Curitiba, 2019 com 1,933
milhão de habitantes, 2022, 1.773 milhão, enquanto cidades vizinhas como Campo
Largo e São José dos Pinhais crescem vigorosamente). Essa lentidão faz com que
o cidadão tem certa dificuldade em perceber diferenças.
Indivíduos ou
populações em pequena escala dificilmente notarão reflexos desse fenômeno, porém,
as Secretarias de Educação logo perceberão uma queda nas matrículas. Da mesma
maneira, mas a prazo mais longo, o varejista provavelmente custe para observar
uma diminuição de seus fregueses habituais, digamos de 200 para 180 ao longo de
três anos. Por outro lado, o fabricante – bem como o distribuidor – certamente
registrará uma queda progressiva, mesmo sendo lenta, na demanda dos produtos. O
que é improvável, até por falta de informação, é a identificação da causa como sendo um
fenômeno demográfico.
Também na área econômica, é bastante provável que
um dos fatores da atual inflação brasileira relativamente baixa seja uma quase
estagnação quantitativa da população. Cabe um estudo aprofundado por parte de
quem dispõe dos dados mais detalhadas para tal. A equação da oferta e da procura
é infalível, e a partir do momento em que o número de consumidores (com poder
de compra razoavelmente inalterado) diminuir, os mercados sofrerão uma
crescente pressão deflacionária.
A falta de crescimento demográfica ainda não
chegou ao mercado imobiliário devido a uma crescente diminuição do tamanho
familiar (3,7 pessoas por família em 2000, 2,7, em 2022), resultando em demanda
maior por habitações – obviamente menores, que poderão se tronarão um obstáculo
para um eventual aumento familiar (mais filhos) em algum futuro.
Um previsível declínio na força de trabalho corre
paracleto com o surgimento de um provável substituto de determinados segmentos
de mão de obra – a Inteligência Artificial (IA), embora nada de concreto se
possa, nesse instante, prever com precisão a respeito dessa tecnologia em fase
mais desenvolvida. Com certeza, ela substituirá postos de trabalho, com efeito salutar
numa população em declínio. Um real problema seria a escassez de mão de obra e
a consequente falta de competitividade profissional, o que fatalmente
resultaria em queda de qualidade do trabalho.
Todos esses dados acima estão amplamente
disponíveis, e certamente são discutidos nas diretorias das empresas líderes em
seus ramos. Mas empresas são discretas no que se refere a suas estratégias
industriais e comerciais. Onde aparentemente ainda não chegaram são os órgãos
governamentais, pelo menos por aquilo que
se percebe nas projeções oficiais. A mídia, por outro lado, até noticia dados
demográficos sem, porém, fazer a necessária leitura de seus significados.
Como já foi visto, não vamos, certo dia, acordar
numa nova realidade demográfica e suas consequências. Todavia, é preciso manter
na mente que as crianças de hoje certamente desenvolverão outros parâmetros de
enxergar o mundo e sua existência nele. E nós temos a chance de prepara-las
para isso.
Nota: Sugiro a leitura do e-book “O Brasil de Menos Gente”; Rehfeldt,
Klaus; editora Amazon, 2018
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