terça-feira, 11 de junho de 2024

A Caminho do Bem-Estar Global?

 

A Caminho do Bem-Estar Global

(“On the Way to Global Wellness?” - This text is written in a way to ease comprehensive electronic translation)

 

Klaus H. G. Rehfeldt

 

Depois dos tempos áureos da Grécia Antiga e do Império Romano – naturalmente no contexto sociocultural da época –, o mundo ocidental mergulhou num período de mais de mil anos de um crescimento civilizatório no máximo modesto, às vezes de estagnação, às vezes de retrocesso. Mesmo com o desenvolvimento de alguns conhecimentos técnicos, como a rotação de plantio, ou os artifícios da arquitetura, ferraria ou carpintaria, e expansões territoriais via colonizações fora da Europa, foram séculos mais de sobrevivência de povos em áreas rurais do que de progresso consistente. (Evidentemente, elites mandatários viviam outra realidade.) Pouca energia – essencialmente apenas humana e animal – gerava pouca riqueza.

 

Foi a revolução energética com a invenção e o aperfeiçoamento da máquina de vapor nas primeiras décadas do século XVIII, oportunizando a revolução industrial. Em conexão com isso, desencadeou-se um período de progressos extraordinários econômico, social e cultural no mundo ocidental – com diferenças de país a país. Ao mesmo tempo, a Europa tornou-se incubadora de conhecimento. Tratando-se de uma região composta de vários países distintos, cada um com interesses próprios, disputas bélicas eram inevitáveis. Apenas com a democratização europeia pôs Segunda Guerra Mundial mudou esse panorama. Mas o bem-estar europeu, apesar dos revezes sofridos nas duas guerras mundiais, acompanhado de moderado aumento de prosperidade, perdura até hoje, naturalmente com diferenças entre as nações.

 

Era inevitável, que o conhecimento do momento, concentrado na Europa, fosse levado por emigrantes em seu maciço movimento migratório para as colônias inglesas na América do Norte. E isso com um ingrediente especial: migrantes, por sua natureza, são gente determinada e de iniciativa. Daí na conjugação desses fatores, o progresso tecnológico, e consequentemente econômico, europeu encontrou novo solo fértil. Assim, em constante troca com a Europa, os Estados Unidos, oriundos dessa colonização, conseguiram acompanhar e promover a evolução técnico-econômica do ‘Velho Mundo’ e gerar sua própria prosperidade.

 

Véu a Segunda Guerra Mundial, com os Estado Unidos saindo como grande vitorioso. O consequente enfraquecimento econômico europeu reverteu diretamente para um impulso de prosperidade dos Estado Unidos. O progresso tecnológico e econômico daquele pais pós Segunda Guerra Mundial dispensa comentários. Além de promover sua própria prosperidade, o país, envolvido numa disputa ideológica acirrada com a União Soviética, irradiou seus potenciais mundo afora, salvo, ou em menor escala. E nessa disputa ideológica, os Estados Unidos provaram sua superioridade. Depois do Império Romano, os Estados Unidos foram o primeiro país a assumir a liderança – mormente econômica, tecnológica e militar – ‘mundial’.

 

Porém, lideranças não são eternas. Toda riqueza tem seus percalços, entre esses, aspectos competitivos. Um elevado padrão de vida costuma implicar em elevados níveis salariais, abrindo espaço a mercados com custo de mão-de-obra mais favorável. E quem soube aproveitar-se, embora com economia parcialmente planejada, foi a China. Num curtíssimo prazo de pouco mais de três décadas, esse pais conseguiu não somente atrair empreendimentos industriais de inúmeros países industrializados, inclusive dos Estado Unidos, mas também desenvolver seu próprio capital tecnológico. Nesse curto espaço de tempo, a China conseguiu equiparar-se – em alguns aspectos até superar – a infraestruturas do ‘primeiro mundo’ e ocupar posições de ponta em diversas tecnologias.

 

Com tais potenciais, a ocupação do lugar de economia mais poderosa parece ser apenas uma questão de tempo, o que não significa que os outros países prósperos, ou em desenvolvimento, deixem de sê-lo. O fundamento é o conhecimento e esse tende a propagar-se, com ou sem consentimento de seus detentores.

 

Muito embora a dinâmica de crescimento da China esteja começando a perder impulso, seu Produto Interno Bruto (PIB) e PIB per apita continuam aumentando – com reflexos positivos sobre seus satélites econômicos. Nessa altura, pelo menos um terço da população mundial tem atingido níveis, no miminho decentes, de bem-estar.

 

Mas a China não será o último protagonista na liderança da economia mundial. Pois, num mundo de encolhimento populacional em cerca de 25% de seus países, a Índia com uma população de quase um milhões e meio de habitantes (20% da população mundial), ainda em crescimento moderado e com uma enorme reserva de força de trabalho, encontra-se em posição de partida para repetir, obviamente a seu modo, a dinâmica desenvolvimentista da China. Além disso, parece não haver obstáculos ideológicos num povo ansioso de melhorar sua vida.

 

Em 2023, o PIB da Índia – sem passado industrial, e num contexto econômico mundial muito distante dos passados – cresceu 7,6% e é hoje o 5º maior do mundo, devendo dentro dos próximos 4 anos ultrapassa o Japão (4º) e a Alemanha (3º). O Estado investe milhões de dólares em fundos de pesquisa em centros de inovação como o "T-Hub", que segundo as suas próprias informações é o maior do género no mundo. Atualmente, cerca de 350 startups têm seus escritórios aqui, e cerca de duas vezes mais deverão surgir num futuro próximo.      

 

E depois? No horizonte aponta a África, atualmente com 18% da população mundial, e com países em pleno desenvolvimento com a Nigéria e a África do Sul. Possivelmente não será um bloco único, porém num modelo de complementação.       Da mesma maneira como empreendimentos hoje deixam a China para estabelecer-se na Índia, amanhã poderão tomar o caminho para a África. Afinal, o fator custo de mão-de-obra continua tendo sua importância.

 

É preciso frisar que essas substituições na liderança econômica mundial não constituem prejuízo para os anteriores detentores dessa posição, que continuam com sua prosperidade consolidada. Por outro lado, o resto do mundo continuará acompanhando, embora mais lenta e menos intensamente, como coadjuvantes o contínuo progressão da nossa civilização.

 

E o Brasil? Aparentemente não seremos promotores de prosperidade global, mas certamente terremos o papel de contribuinte importante, garantindo recursos básicos e pratos cheios de todo mundo. 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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