A Caminho do Bem-Estar Global
(“On the Way to Global
Wellness?” - This text is written in a way to
ease comprehensive electronic translation)
Klaus
H. G. Rehfeldt
Depois dos tempos
áureos da Grécia Antiga e do Império Romano – naturalmente no contexto
sociocultural da época –, o mundo ocidental mergulhou num período de mais de
mil anos de um crescimento civilizatório no máximo modesto, às vezes de estagnação,
às vezes de retrocesso. Mesmo com o desenvolvimento de alguns conhecimentos
técnicos, como a rotação de plantio, ou os artifícios da arquitetura, ferraria
ou carpintaria, e expansões territoriais via colonizações fora da Europa, foram
séculos mais de sobrevivência de povos em áreas rurais do que de progresso
consistente. (Evidentemente, elites mandatários viviam outra realidade.) Pouca
energia – essencialmente apenas humana e animal – gerava pouca riqueza.
Foi a
revolução energética com a invenção e o aperfeiçoamento da máquina de vapor nas
primeiras décadas do século XVIII, oportunizando a revolução industrial. Em
conexão com isso, desencadeou-se um período de progressos extraordinários
econômico, social e cultural no mundo ocidental – com diferenças de país a país.
Ao mesmo tempo, a Europa tornou-se incubadora de conhecimento. Tratando-se de
uma região composta de vários países distintos, cada um com interesses
próprios, disputas bélicas eram inevitáveis. Apenas com a democratização
europeia pôs Segunda Guerra Mundial mudou esse panorama. Mas o bem-estar
europeu, apesar dos revezes sofridos nas duas guerras mundiais, acompanhado de
moderado aumento de prosperidade, perdura até hoje, naturalmente com diferenças
entre as nações.
Era
inevitável, que o conhecimento do momento, concentrado na Europa, fosse levado
por emigrantes em seu maciço movimento migratório para as colônias inglesas na
América do Norte. E isso com um ingrediente especial: migrantes, por sua
natureza, são gente determinada e de iniciativa. Daí na conjugação desses
fatores, o progresso tecnológico, e consequentemente econômico, europeu encontrou
novo solo fértil. Assim, em constante troca com a Europa, os Estados Unidos,
oriundos dessa colonização, conseguiram acompanhar e promover a evolução
técnico-econômica do ‘Velho Mundo’ e gerar sua própria prosperidade.
Véu a
Segunda Guerra Mundial, com os Estado Unidos saindo como grande vitorioso. O
consequente enfraquecimento econômico europeu reverteu diretamente para um
impulso de prosperidade dos Estado Unidos. O progresso tecnológico e econômico
daquele pais pós Segunda Guerra Mundial dispensa comentários. Além de promover
sua própria prosperidade, o país, envolvido numa disputa ideológica acirrada
com a União Soviética, irradiou seus potenciais mundo afora, salvo, ou em menor
escala. E nessa disputa ideológica, os Estados Unidos provaram sua
superioridade. Depois do Império Romano, os Estados Unidos foram o primeiro
país a assumir a liderança – mormente econômica, tecnológica e militar – ‘mundial’.
Porém,
lideranças não são eternas. Toda riqueza tem seus percalços, entre esses,
aspectos competitivos. Um elevado padrão de vida costuma implicar em elevados
níveis salariais, abrindo espaço a mercados com custo de mão-de-obra mais
favorável. E quem soube aproveitar-se, embora com economia parcialmente
planejada, foi a China. Num curtíssimo prazo de pouco mais de três décadas,
esse pais conseguiu não somente atrair empreendimentos industriais de inúmeros
países industrializados, inclusive dos Estado Unidos, mas também desenvolver
seu próprio capital tecnológico. Nesse curto espaço de tempo, a China conseguiu
equiparar-se – em alguns aspectos até superar – a infraestruturas do ‘primeiro
mundo’ e ocupar posições de ponta em diversas tecnologias.
Com tais
potenciais, a ocupação do lugar de economia mais poderosa parece ser apenas uma
questão de tempo, o que não significa que os outros países prósperos, ou em
desenvolvimento, deixem de sê-lo. O fundamento é o conhecimento e esse tende a
propagar-se, com ou sem consentimento de seus detentores.
Muito
embora a dinâmica de crescimento da China esteja começando a perder impulso, seu
Produto Interno Bruto (PIB) e PIB per apita continuam aumentando – com reflexos
positivos sobre seus satélites econômicos. Nessa altura, pelo menos um terço da
população mundial tem atingido níveis, no miminho decentes, de bem-estar.
Mas a
China não será o último protagonista na liderança da economia mundial. Pois, num
mundo de encolhimento populacional em cerca de 25% de seus países, a Índia com
uma população de quase um milhões e meio de habitantes (20% da população
mundial), ainda em crescimento moderado e com uma enorme reserva de força de
trabalho, encontra-se em posição de partida para repetir, obviamente a seu
modo, a dinâmica desenvolvimentista da China. Além disso, parece não haver
obstáculos ideológicos num povo ansioso de melhorar sua vida.
Em 2023,
o PIB da Índia – sem passado industrial, e num contexto econômico mundial muito
distante dos passados – cresceu 7,6% e é hoje o 5º maior do mundo, devendo dentro
dos próximos 4 anos ultrapassa o Japão (4º) e a Alemanha (3º). O Estado investe
milhões de dólares em fundos de pesquisa em centros de inovação como o
"T-Hub", que segundo as suas próprias informações é o maior do género
no mundo. Atualmente, cerca de 350 startups têm seus escritórios aqui, e cerca
de duas vezes mais deverão surgir num futuro próximo.
E depois?
No horizonte aponta a África, atualmente com 18% da população mundial, e com
países em pleno desenvolvimento com a Nigéria e a África do Sul. Possivelmente
não será um bloco único, porém num modelo de complementação. Da mesma maneira como empreendimentos
hoje deixam a China para estabelecer-se na Índia, amanhã poderão tomar o
caminho para a África. Afinal, o fator custo de mão-de-obra continua tendo sua
importância.
É preciso
frisar que essas substituições na liderança econômica mundial não constituem
prejuízo para os anteriores detentores dessa posição, que continuam com sua
prosperidade consolidada. Por outro lado, o resto do mundo continuará
acompanhando, embora mais lenta e menos intensamente, como coadjuvantes o
contínuo progressão da nossa civilização.
E o
Brasil? Aparentemente não seremos promotores de prosperidade global, mas
certamente terremos o papel de contribuinte importante, garantindo recursos
básicos e pratos cheios de todo mundo.
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