sábado, 22 de junho de 2024

Chuvas e Enchentes

 

Chuvas e Enchentes

 

(“Rains and Floods” - This text is written in a way to ease comprehensive electronic translation)

 

Klaus H. G. Rehfeldt

 

As chuvas fazem parte do nosso cotidiano, até da nossa necessidade cotidiana. Sem chuvas, ao lado de tempos ensolarados, não haveria vida no nosso planeta. E o que é uma chuva? A chuva é um evento climático e nas formas líquida, de neve ou de gelo. A chuva é parte de uma constante circulação da água, da evaporação de água existente na superfície da Terra – lagos, rios, mares, mas também plantas – causada por calor natural, à precipitação de água acumulada como valor d’água nas nuvens, na forma condensada em decorrência de algum resfriamento na atmosfera.

 

É isso o que aprendemos na escola. Difícil de imaginar é que uma enchente catastrófica é originada por uma imensa quantidade de gotas d’água que pesam, em média, entre 0,03 a 0,05 gramas, e têm diâmetro de cerca de 2 a 3 milímetros. E uma nuvem do tipo ‘cumulus’ (parece chumaço de algodão) pode facilmente conter o peso de mil toneladas de água, o equivalente ao peso de cerca de mil bois. Já uma nuvem de trovoada pode conter de 20 a 100 bilhões de toneladas de água? Essas quantidades dependem naturalmente de sua posição geográfica, pois nuvens em regiões tropicais conseguem manter muito mais água do que em regiões mais frias.

 

Numa chuva ‘normal’, a atmosfera contém minúsculas partículas de água que flutuam no ar, sustentadas pelo calor que naturalmente sobe da superfície terrestre. Quando se avolumam, formam as nuvens que vemos no céu. Um eventual esfriamento do ar causa então a condensação (igual àquela observada no vidro de janela quando a temperatura externa é menor que a interna) e a consequente formação de gotículas de água em torno de minúsculas partículas sólidas (pó ou aerossóis) existentes na atmosfera. Ao passo que tais gotículas ganham volume para as gotas que conhecemos, e peso suficiente para a precipitação na forma de chuva.

 

Entretanto, recentemente observamos chuvas não tão normais, especialmente pelo seu volume. O que está ocorrendo? Quanto mais quente o ar, mais água ela consegue sustentar – e vice verso. Se tomamos como base 1 m3 de ar, com uma temperatura de 25º C (com 70% de humidade do ar), sua capacidade máxima de contenção de água (em forma de vapor) é de 16,1 g. Elevando a temperatura para 30º C, esse valor aumenta para 21,3 g, ou seja, eleva-se em 33%. Por outro lado, um esfriamento de 5º C significa que, em tempo relativamente curto, a capacidade de retenção de água de uma massa de ar é reduzida drasticamente resultando em chuvas mais ou menos fortes de acordo com o grau de impacto da massa fria. Por conseguinte, as temperaturas mais altas, que efetivamente estamos registrando, levam automaticamente a precipitações mais intensas, podendo mais facilmente resultar em enchentes.

 

E há outro fator a ser considerado: o processo de condensação da água libera energia, que, por sua vez, aquece o ambiente de sua ocorrência, ou seja, há um reaquecimento (embora menor) paralelo ao esfriamento. Com isso, a precipitação tende a ser mais intensa. Se, além disso, a área de baixa pressão (tendência para chuva) for extensa, as condições de precipitação podem variar localmente em intensidade.

 

Tudo isso nos conduz a um ponto que exige ponderações especiais. Sejam quais forem as causas, ou a participação de circunstâncias específicas – como o fator sociedade industrializada – no conjunto, estamos vivendo um aquecimento global (sabendo que não é o primeiro na história do nosso planeta) com inevitáveis mudanças climáticas – e suas consequências. É o CO2, o ‘grande’ subproduto da nossa civilização? Uma grande dúvida, considerando que seu teor na atmosfera é de somente 0,042% (420 ppm). O que é inegável, e estatisticamente confirmado, é um paralelismo entre o aumento do teor de CO2 (que em 1990 era de apenas 320 ppm) e a maior intensidade de chuvas, seja na agressividade dos fenômenos El Nino e La Nina, seja em chuvas extremamente intensas, ou em micro-explosões atmosféricas. Isso leva a uma conclusão categórica: ao lado de maior rigor no controle de emissões de CO2, será preciso preparar-se para, no mínimo, repetições dos eventos desastrosos havido recentemente mundo afora – talvez piores.

 

Nota: Sugiro ler também o texto ‘Rios Voadores’ (12.08.2023) no mesmo blog.

Um comentário:

  1. Sem dúvida uma aula sobre precipitações pluviométricos.
    Agora estou esperando outra aula sobre o efeito destes eventos no solo, considerando diferentes usos e ocupações urbanas e rurais nas bacias hidrográficas.

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