sábado, 8 de junho de 2024

A China e Seu 'Comunismo'.

 

A China e Seu ‘Comunismo’

 

(“China and Its ‘Communism’” - This text is written in a way to ease comprehensive electronic translation)

 

Klaus H. G. Rehfeldt

 

Eis a China, um país com 20% da população mundial, que se autodenomina ‘república popular’ e seu partido único chama-se ‘Partido Comunista Chinês’. Isso, em perfeita harmonia com a existência de estruturas econômicas tipicamente capitalistas. Como assim?        

 

Vejamos então. Em 1949, a União Soviética, saindo vitoriosa da Segunda Guerra Mundial, tinha recentemente logrado a formação de um bloco de países, caraterizado por governos de ideologia comunista. Nada mais óbvio, então, que, dentro de sua ambição visionária de um mundo comunista, se prontificasse a apadrinhar econômica e militarmente o nascimento da “República Popular da China”. O baixíssimo padrão de vida em ambos os países por ocasião da implantação do sistema foi extremamente favorável à aceitação desse ideário político.

 

A princípio, a China seguia o modelo soviético de construir riqueza através de estratégias comunistas, colhendo muitos fracassos e sem conseguir alcançar resultados significativos. Até que, em 1984, o então presidente Deng-Xiaoping fundamentou uma mudança radical quando disse: “O que é socialismo e o que é marxismo? No passado, não estávamos realmente cientes disso”.... “O socialismo significa a eliminação da pobreza. Pobreza em massa não é socialismo e muito menos comunismo”, justificando uma redefinição do sistema chinês “Um país dois sistemas”, na verdade, um pensamento latente desde 1979.

 

Primeiro foram as Zonas Econômicas Especiais, muito bem-sucedidas, mas beneficiando quase exclusivamente as populações urbanas. Em seguida foi o afrouxamento na planificação da política agrária, que acabou garantindo, entre outros resultados positivos, safras suficientes de grãos num país que tem 20% da população mundial, mas apenas 7% das áreas cultiváveis globais). Ao longo do tempo, planificação da economia tem concedido cada vez mais abertura para uma economia de mercado.   

 

Daí não surpreende o gradativo avanço da economia chinesa para o atual segundo lugar, após apenas da dos Estados Unidos. Entretanto, esse avanço está sofrendo uma desaceleração contínua – e significativa. O aumento do produto interno bruto (PIB) chinês, que na década de1980 e 90 teve picos positivos e negativos oscilando entre 14,3% e 3,9%, ultimamente vem decrescendo constantemente desde os 14,3% de 2007 para atuais 5,2% (2023). Na verdade, dentro dos parâmetros passados, a atual economia chinesa está gerando um crescente grau da incerteza. Enquanto empresas nacionais e estrangeiras, há algum tempo, vêm desenvolvendo estratégias para diversos cenários de crise, as universidades colocam duas vezes mais formandos de cursos superiores no mercado de trabalho do que a dez anos atrás – e que podem facilmente ter de aceitar empregos como motorista ou cozinheiro.

 

Atualmente, a economia chinesa está lutando contra a deflação. Em janeiro de 2024, os preços ao consumidor caíram drasticamente: a queda foi a maior registrada pela China desde a crise econômica global em 2009. Especialistas atribuem essa queda dos preços à demanda persistentemente fraca do consumidor.

 

Por outro lado, o pacto social informal – mas na prática especialmente eficiente depois do massacre da praça de Tian-anmen – do Estado garantir da promoção do bem-estar, não admitindo, em contrapartida, de ser questionado, parece começar a apresentar fissuras.

 

Apesar do sistema econômico de livre mercado patrocinado pelo Estado, o Partido Comunista Chinês não desistiu de seu objetivo de construir o comunismo. De acordo com os estatutos atuais do partido, o atual sistema de economia de mercado é considerado um precursor do comunismo. Dessa maneira, a ideia chinesa de comunismo de hoje é fundamentalmente diferente do ideário Karl Marx de 150 anos atrás. De acordo com dados oficiais chineses, o Partido Comunista Chinês de hoje é guiado pelas ideias de Mao-Tsé-Tung, temperadas pelas de Deng-Xiaoping, objetivando a construção de uma "economia de mercado socialista".

 

A ‘Nova Política Econômica’ (NEP) de Lenin foi concebido apenas como uma fase de transição na construção do socialismo e durou apenas de 1921 a 1927. Todo o comunismo soviético implodiu depois de 74 anos, já o ‘comunismo’ chinês em constante flexibilização de seus princípios dura de 1949 até os dias atuais e não há fim à vista.  

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