A China e Seu ‘Comunismo’
(“China and Its ‘Communism’”
- This text is written in a way to ease
comprehensive electronic translation)
Klaus
H. G. Rehfeldt
Eis a China, um país
com 20% da população mundial, que se autodenomina ‘república popular’ e seu
partido único chama-se ‘Partido Comunista Chinês’. Isso, em perfeita harmonia
com a existência de estruturas econômicas tipicamente capitalistas. Como assim?
Vejamos
então. Em 1949, a União Soviética, saindo vitoriosa da Segunda Guerra Mundial,
tinha recentemente logrado a formação de um bloco de países, caraterizado por governos
de ideologia comunista. Nada mais óbvio, então, que, dentro de sua ambição
visionária de um mundo comunista, se prontificasse a apadrinhar econômica e
militarmente o nascimento da “República Popular da China”. O baixíssimo padrão de
vida em ambos os países por ocasião da implantação do sistema foi extremamente
favorável à aceitação desse ideário político.
A princípio,
a China seguia o modelo soviético de construir riqueza através de estratégias
comunistas, colhendo muitos fracassos e sem conseguir alcançar resultados
significativos. Até que, em 1984, o então presidente Deng-Xiaoping fundamentou
uma mudança radical quando disse: “O que é socialismo e o que é marxismo? No
passado, não estávamos realmente cientes disso”.... “O socialismo significa a
eliminação da pobreza. Pobreza em massa não é socialismo e muito menos
comunismo”, justificando uma redefinição do sistema chinês “Um país dois
sistemas”, na verdade, um pensamento latente desde 1979.
Primeiro
foram as Zonas Econômicas Especiais, muito bem-sucedidas, mas beneficiando
quase exclusivamente as populações urbanas. Em seguida foi o afrouxamento na planificação
da política agrária, que acabou garantindo, entre outros resultados positivos,
safras suficientes de grãos num país que tem 20% da população mundial, mas
apenas 7% das áreas cultiváveis globais). Ao longo do tempo, planificação da
economia tem concedido cada vez mais abertura para uma economia de mercado.
Daí não
surpreende o gradativo avanço da economia chinesa para o atual segundo lugar,
após apenas da dos Estados Unidos. Entretanto, esse avanço está sofrendo uma
desaceleração contínua – e significativa. O aumento do produto interno bruto
(PIB) chinês, que na década de1980 e 90 teve picos positivos e negativos
oscilando entre 14,3% e 3,9%, ultimamente vem decrescendo constantemente desde os
14,3% de 2007 para atuais 5,2% (2023). Na verdade, dentro dos parâmetros
passados, a atual economia chinesa está gerando um crescente grau da incerteza.
Enquanto empresas nacionais e estrangeiras, há algum tempo, vêm desenvolvendo
estratégias para diversos cenários de crise, as universidades colocam duas
vezes mais formandos de cursos superiores no mercado de trabalho do que a dez
anos atrás – e que podem facilmente ter de aceitar empregos como motorista ou
cozinheiro.
Atualmente,
a economia chinesa está lutando contra a deflação. Em janeiro de 2024, os
preços ao consumidor caíram drasticamente: a queda foi a maior registrada pela
China desde a crise econômica global em 2009. Especialistas atribuem essa queda
dos preços à demanda persistentemente fraca do consumidor.
Por outro
lado, o pacto social informal – mas na prática especialmente eficiente depois
do massacre da praça de Tian-anmen – do Estado garantir da promoção do bem-estar,
não admitindo, em contrapartida, de ser questionado, parece começar a
apresentar fissuras.
Apesar do
sistema econômico de livre mercado patrocinado pelo Estado, o Partido Comunista
Chinês não desistiu de seu objetivo de construir o comunismo. De acordo com os
estatutos atuais do partido, o atual sistema de economia de mercado é
considerado um precursor do comunismo. Dessa maneira, a ideia chinesa de
comunismo de hoje é fundamentalmente diferente do ideário Karl Marx de 150 anos
atrás. De acordo com dados oficiais chineses, o Partido Comunista Chinês de
hoje é guiado pelas ideias de Mao-Tsé-Tung, temperadas pelas de Deng-Xiaoping, objetivando
a construção de uma "economia de mercado socialista".
A ‘Nova
Política Econômica’ (NEP) de Lenin foi concebido apenas como uma fase de
transição na construção do socialismo e durou apenas de 1921 a 1927. Todo o
comunismo soviético implodiu depois de 74 anos, já o ‘comunismo’ chinês em
constante flexibilização de seus princípios dura de 1949 até os dias atuais e
não há fim à vista.
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