Nossos Ocenos Sobem
(“Our Oceans Rise“ - This text is written in a way to ease comprehensive
electronic translation)
Klaus H. G. Rehfeldt
A Terra é um corpo vivo
à sua maneira. E essa vida tem ciclos, ciclos quentes, ciclos frios, mais
longos e mais curtos, mais ou menos severos. Por cerca de três milhões de anos,
o clima oscilou entre dois extremos, as eras glaciais e os períodos quentes
interglaciais, com um período de cerca de até 100.000 anos. A última era glacial
atingiu o pico há cerca de 21.000 anos e terminou há cerca de 10.000 anos. Isso
sugere mudanças extremas de temperatura, o que, na realidade, pode não ser o
caso. Um exemplo: Enquanto hoje vivemos com uma média em todo mundo de 14 graus
Celsius, a temperatura média na última era glacial era de pouco menos de 8
graus, o que significa que mesmo em zonas temperadas e polares os invernos eram
mais rigorosos e maias longos, mas havia verões, embora curtose menos quentes.
Estudos
genéticos sugerem que a migração do homem do continente asiático ao americano
ocorreu entre cerca de 20 e 10.000 anos atrás. Portanto, ela parou quando
terminou a última era glacial. Essa migração foi possível, por que então o que
hoje conhecemos como estreito de Bering era uma ligação terrestre. Isso, porque
boa parte da água existente no nosso planeta, incluindo os mares, estava presa
nas regiões polares em forma de calotas de gelo de milhares de metros de espessura,
ou seja, os níveis dos mares eram bastante mais baixos que hoje. Consequentemente,
o atual estreito de Bering, com uma profundidade atual de 40 metros, ficava
fora da água.
Daí
devemos concluir que nos últimos 10.000 anos, com o aquecimento global em
curso, o nível dos mares (todos eles têm aproximadamente o mesmo nível) subiu,
em média, pelo menos 40 meros. Isso significa em média 4 cm por década, 0,4 cm
por ano.
Existe no
Mar do Norte, entre a Inglaterra e a Dinamarca, um baixio de cerca de 18.000 km2
a uma profundidade média de 30 metros. Durante a última era glacial, o banco e
as áreas marinhas circundantes estavam secos e formaram a Terra de Dogger. Essa
região, de fato, fazia parte do continente europeu, com a costa do Mar do Norte
ficando a cerca de 600 quilómetros ao norte da sua posição atual. Da mesma
forma, o Canal da Mancha também estava seco, exceto por suas áreas ocidentais
mais profundas, de modo que havia uma conexão terrestre entre a Inglaterra e o
continente.
Em outro
canto do nosso planeta, o Mar Vermelho, em cerca de 25% da sua extensão, possui
profundidades com menos de 50 metros, o que deve ter facilitado sua travessia
durante o êxodo de Moises e dos Judeus, há aproximadamente 3.500 anos.
Até aqui
temos evidências históricas. Num passado mais recente dispomos de registros de
dados mais precisos sobre variações dos níveis dos mares. Assim, desde meados
do século 19, um aumento significativo do nível do mar foi observado –
globalmente. No período de 1901 a 2010, segundo Relatório do IPCC (Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas), o aumento médio do nível do
mar foi de 19 ± 2 cm, isso é, nesse espaço de tempo, o nível do mar elevou-se
em 1,7 mm/ano. Já na última parte período, ou seja, de 1993 a 2010, a média foi
de 3,2 mm/ano. Para o ano de 2018, foi medido o valor recorde de 3,7 mm.
A razão é
simples: o aquecimento global também atinge os oceanos e, por um lado, leva à dilatação
da água (uma lei da Física, e que, no caso água marítima, confinada no leito
dos oceanos, as dilatações em todas as direções somam-se para uma única – para
cima). Por outro lado, o aquecimento causa o derretimento de geleiras e capas
de gelo polares, com consequente aumento dos níveis dos oceanos.
De acordo
com avaliações sistemáticas de opiniões de especialistas, há uma probabilidade
de aumento do nível do mar de, no mínimo, 238 cm até o ano 2100 no caso de
aquecimento de 5º Celsius. De acordo com outras pesquisas, um aumento de 2,5 m
a 5,1 m é possível dentro de 300 anos.
O aumento
do nível do mar ameaça particularmente os países com uma ampla área costeira e
um interior baixo, como o Bangladesh e os Países Baixos e os Estados Insulares,
mormente do Oceano Pacífico. Porém, praticamente todas as cidades costeiras ao
redor do mundo encontram-se nessa situação.
É cedo
para um alerta?
Em tempo: Comparando as
últimas duas grandes enchentes no Rio Grande do Sul, 1941 e 2024, é preciso
considerar que nesse intervalo, o nível do mar subiu em cerca de 24 cm, obstaculando
significativamente a vazão do conjunto Rio Guaíba/ Lagoa dos Patos.
Está aí um alerta para o futuro!!
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