terça-feira, 2 de julho de 2024

Os Oceanos Sobem

 

 

Nossos Ocenos Sobem

(“Our Oceans Rise“ - This text is written in a way to ease comprehensive electronic translation)

 

Klaus H. G. Rehfeldt

 

A Terra é um corpo vivo à sua maneira. E essa vida tem ciclos, ciclos quentes, ciclos frios, mais longos e mais curtos, mais ou menos severos. Por cerca de três milhões de anos, o clima oscilou entre dois extremos, as eras glaciais e os períodos quentes interglaciais, com um período de cerca de até 100.000 anos. A última era glacial atingiu o pico há cerca de 21.000 anos e terminou há cerca de 10.000 anos. Isso sugere mudanças extremas de temperatura, o que, na realidade, pode não ser o caso. Um exemplo: Enquanto hoje vivemos com uma média em todo mundo de 14 graus Celsius, a temperatura média na última era glacial era de pouco menos de 8 graus, o que significa que mesmo em zonas temperadas e polares os invernos eram mais rigorosos e maias longos, mas havia verões, embora curtose menos quentes.

 

Estudos genéticos sugerem que a migração do homem do continente asiático ao americano ocorreu entre cerca de 20 e 10.000 anos atrás. Portanto, ela parou quando terminou a última era glacial. Essa migração foi possível, por que então o que hoje conhecemos como estreito de Bering era uma ligação terrestre. Isso, porque boa parte da água existente no nosso planeta, incluindo os mares, estava presa nas regiões polares em forma de calotas de gelo de milhares de metros de espessura, ou seja, os níveis dos mares eram bastante mais baixos que hoje. Consequentemente, o atual estreito de Bering, com uma profundidade atual de 40 metros, ficava fora da água.

 

Daí devemos concluir que nos últimos 10.000 anos, com o aquecimento global em curso, o nível dos mares (todos eles têm aproximadamente o mesmo nível) subiu, em média, pelo menos 40 meros. Isso significa em média 4 cm por década, 0,4 cm por ano.

 

Existe no Mar do Norte, entre a Inglaterra e a Dinamarca, um baixio de cerca de 18.000 km2 a uma profundidade média de 30 metros. Durante a última era glacial, o banco e as áreas marinhas circundantes estavam secos e formaram a Terra de Dogger. Essa região, de fato, fazia parte do continente europeu, com a costa do Mar do Norte ficando a cerca de 600 quilómetros ao norte da sua posição atual. Da mesma forma, o Canal da Mancha também estava seco, exceto por suas áreas ocidentais mais profundas, de modo que havia uma conexão terrestre entre a Inglaterra e o continente.

 

Em outro canto do nosso planeta, o Mar Vermelho, em cerca de 25% da sua extensão, possui profundidades com menos de 50 metros, o que deve ter facilitado sua travessia durante o êxodo de Moises e dos Judeus, há aproximadamente 3.500 anos.

 

Até aqui temos evidências históricas. Num passado mais recente dispomos de registros de dados mais precisos sobre variações dos níveis dos mares. Assim, desde meados do século 19, um aumento significativo do nível do mar foi observado – globalmente. No período de 1901 a 2010, segundo Relatório do IPCC (Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas), o aumento médio do nível do mar foi de 19 ± 2 cm, isso é, nesse espaço de tempo, o nível do mar elevou-se em 1,7 mm/ano. Já na última parte período, ou seja, de 1993 a 2010, a média foi de 3,2 mm/ano. Para o ano de 2018, foi medido o valor recorde de 3,7 mm.

 

A razão é simples: o aquecimento global também atinge os oceanos e, por um lado, leva à dilatação da água (uma lei da Física, e que, no caso água marítima, confinada no leito dos oceanos, as dilatações em todas as direções somam-se para uma única – para cima). Por outro lado, o aquecimento causa o derretimento de geleiras e capas de gelo polares, com consequente aumento dos níveis dos oceanos.

 

De acordo com avaliações sistemáticas de opiniões de especialistas, há uma probabilidade de aumento do nível do mar de, no mínimo, 238 cm até o ano 2100 no caso de aquecimento de 5º Celsius. De acordo com outras pesquisas, um aumento de 2,5 m a 5,1 m é possível dentro de 300 anos.  

 

O aumento do nível do mar ameaça particularmente os países com uma ampla área costeira e um interior baixo, como o Bangladesh e os Países Baixos e os Estados Insulares, mormente do Oceano Pacífico. Porém, praticamente todas as cidades costeiras ao redor do mundo encontram-se nessa situação.

 

É cedo para um alerta?

 

Em tempo: Comparando as últimas duas grandes enchentes no Rio Grande do Sul, 1941 e 2024, é preciso considerar que nesse intervalo, o nível do mar subiu em cerca de 24 cm, obstaculando significativamente a vazão do conjunto Rio Guaíba/ Lagoa dos Patos.

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