sexta-feira, 27 de setembro de 2024

Democracia?

 

Democracia?

 

(“Democracy?” - This text is written in a way to ease comprehensive electronic translation)

 

Klaus H. G. Rehfeldt

 

 

A palavra democracia ("demos" – o povo, "kratein" – governo) se traduz literalmente como "governo do povo". Ela descreve um regime no qual os cidadãos podem ter uma palavra no governo, por exemplo, por meio de eleições, votos ou participação em discussões. É tarefa da política adoptar regulamentos vinculativos para a coexistência de todos os cidadãos. As regras são geralmente adotadas pelos parlamentos na forma de leis, estabelecendo direitos e deveres tanto de cidadãos, quanto de governantes. Assim, uma das características mais importantes de uma democracia é a existência de um parlamento que realmente decide as leis.

 

Embora tenha raízes rudimentares na Grécia Antiga e no Império Romano, é uma forma de governo de aplicação relativamente recente em escala mais ampla, seguindo a séculos, até milênios de regimes autocráticos, sejam eles monarquias ou ditaduras. Ao longo da história desses governos absolutos, na realidade, houve tentativas de romper com o poder absoluto, como, por exemplo, a revolta dos escravos no Império Romano, o lendário Rei Artur em sua távola redonda, ou as guerras dos camponeses na Europa central da Idade Média. Mas somente a Revolução Francesa conseguiu dar um passo decisivo em direção à democracia. Enquanto os primeiros movimentos contra governos autoritários buscavam a libertação de excessos opressivos e a participação e co-determinação nos mesmos, com a Revolução Industrial começa a surgir a nova classe social dos trabalhadores urbanos assalariados, e com ela a categorização entre ideologias até então inexistentes, embora inicialmente sem clara identificação e presença política. Entretanto, evidenciou-se o jogo entre situação e oposição como essência da democracia – sem elas, não há democracia.  

 

Atualmente, a grande maioria das democracias estabelecidas existe a menos de um século. Em outras palavras, somente as últimas duas a três gerações viveram essa nova forma de governo, e as autocracias ainda habitam o subconsciente dos cidadãos. Os restantes governos – autoritários – são, ou fingem de ser ostensivamente de extrema esquerda.

 

 

Consequentemente, não é de se estranhar que o grau de maturação de sistemas democráticos depende diretamente do tempo de existência em cada nação. Quanto mais jovens a democracias são, menos consolidados são seus princípios entre os cidadãos e os próprios políticos, deixando espaço para as mais diversas anomalias, desde poderes mal definidos e indisciplinas governamentais a privilégios indefensáveis garantidos aos delegados do povo.

 

Não existe solução ideal no atendimento de aspirações, interesses e objetivos de todos os cidadãos, mas a democracia permite que ideários e posições coletivas e diversidades - absolutamente naturais - tenham voz e vez. Daí o confronto dos defensores de tais diferenças e visões ideológicas é inevitável e salutar. Os debates resultantes dessas disputas têm por consequência evidenciar abordagens diferentes, propostas diferentes de soluções e caminhos diferentes para alcança os anseios e objetivos de um povo. As soluções propostas acabam por ser temperadas e moderadas por posições opostas, finalmente alcançando um compromisso, idealmente, um consenso.

 

Essa é a situação ideal – na prática, quase uma utopia. Lamentavelmente, as situações de fato, podem distanciar-se radialmente desse ideal, obviamente conforme a maturidade do sistema e de seus participantes ativos. Quando, então, numa série de debates pré-eleitorais no maior colégio eleitoral de uma nação dois desses encontros servem exclusivamente para a desconstrução dos candidatos competidores, e somente na última ocasião, depois de constar o estrago feito, começam a aparecer algumas propostas, parece justo questionar a qualificação desses candidatos para representar e liderar milhões de pessoas. É bem verdade, que eles são produto de uma cultura de práticas políticas que deixam a desejar. Pior ainda quando se observam assassinatos de candidatos em plena rua.         

 

Culpa dos políticos, sim, mas também do eleitor que não se decide de recusar seu voto neles quando não se mostram à altura de seu cargo e da conduta exemplar que deveriam ostentar. Outrossim, o eleitor merece respeito ao invés de ser exposto a um show de baixarias e agressões por parte daqueles que pretendem decidir pelo seu destino. Somente respostas e posturas consequentes por parte do eleitor são capazes de empurrar o sistema para a maturidade.

 

Uma democracia, na qual os opositores passam a se enxergar como inimigos a serem destruídos, perde sua essência e deixa de fazer jus ao nome.

 

 

 

Um comentário:

  1. Democracia real no Brasil é utopia.
    Nasce da ignorância e morre com o desinteresse do povo a quem deveria representar e servir.

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