Faltou Lembrar
Klaus H. G. Rehfeldt
O
ensino no Brasil, quando projetado sobre o palco global, não nos tem dado
muitos motivos para orgulho. E isso nos vários aspectos que perfazem este
complexo tópico, seja no lado de quem promove a educação formal, seja no
universo dos consumidores do conhecimento ofertado.
Entre muitos outros, são problemas
de destinação de verba, das instalações físicas, de qualificação e atualização do
corpo docente, de estratégias de ensino, de neutralidade e objetividade de
abordagem, de programação didática, de continuidade programática e do próprio
material didático.
Enquanto algumas dessas questões se
relacionam a velhos pecados de cunho administrativo público, outros decorrem da
estonteante dinâmica do avanço do nosso conhecimento e do desenvolvimento
tecnológico. Às vezes, as consequentes turbulências acabam por tirar
particularidades menores do nosso foco cotidiano.
Um caso emblemático para esse desvio
de atenção chama-se livro digital como ferramenta de ensino. Não me refiro a
ele como instrumento complementar de leitura, mas na função de livro escolar. E
as vantagens são muitas.
Para o aluno acaba a necessidade de
carregar consigo tantos livros quantas matérias tem em cada dia. Em vez disso, ele
carrega um único leitor digital que, além de pesar apenas cerca de 150 gr,
acompanha-o durante anos e está muito mais afinado com sua mentalidade de
pessoa digital nata do que qualquer livro físico, em princípio visto com
antipatia.
Para o ensino público, que
costumeiramente custeia os livros escolares, o leitor digital significa uma
aquisição única por aluno, por exemplo, para o período da 6ª até a 9ª série (preço
no varejo a partir de R$ 200, possivelmente muito menor numa licitação para
maiores quantidades), podendo ao longo do curso todos os livros escolares ser
baixados para cada ano letivo. Além disso, o leitor permite acesso a diversas
funções interativas e a conteúdos de multimídia. Com respeito ao custo, os
livros digitais custam, em média, entre 20 e 25% do preço dos livros físicos.
Por outro lado, para o autor/editor, a publicação de um livro digital é
extremamente mais simples e barata quando comparada com a edição de um livro
físico.
A única coisa que falta é a
respectiva secretaria de ensino, municipal ou estadual, sentar na mesa com os
autores/editores para acertar os detalhes de um programa piloto, algo
perfeitamente viável para um negócio em que todos lucram, inclusive a natureza.
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