sábado, 13 de abril de 2019

Faltou Lembrar



Faltou Lembrar

Klaus H. G. Rehfeldt

O ensino no Brasil, quando projetado sobre o palco global, não nos tem dado muitos motivos para orgulho. E isso nos vários aspectos que perfazem este complexo tópico, seja no lado de quem promove a educação formal, seja no universo dos consumidores do conhecimento ofertado.

            Entre muitos outros, são problemas de destinação de verba, das instalações físicas, de qualificação e atualização do corpo docente, de estratégias de ensino, de neutralidade e objetividade de abordagem, de programação didática, de continuidade programática e do próprio material didático.

            Enquanto algumas dessas questões se relacionam a velhos pecados de cunho administrativo público, outros decorrem da estonteante dinâmica do avanço do nosso conhecimento e do desenvolvimento tecnológico. Às vezes, as consequentes turbulências acabam por tirar particularidades menores do nosso foco cotidiano.

            Um caso emblemático para esse desvio de atenção chama-se livro digital como ferramenta de ensino. Não me refiro a ele como instrumento complementar de leitura, mas na função de livro escolar. E as vantagens são muitas.

            Para o aluno acaba a necessidade de carregar consigo tantos livros quantas matérias tem em cada dia. Em vez disso, ele carrega um único leitor digital que, além de pesar apenas cerca de 150 gr, acompanha-o durante anos e está muito mais afinado com sua mentalidade de pessoa digital nata do que qualquer livro físico, em princípio visto com antipatia.

            Para o ensino público, que costumeiramente custeia os livros escolares, o leitor digital significa uma aquisição única por aluno, por exemplo, para o período da 6ª até a 9ª série (preço no varejo a partir de R$ 200, possivelmente muito menor numa licitação para maiores quantidades), podendo ao longo do curso todos os livros escolares ser baixados para cada ano letivo. Além disso, o leitor permite acesso a diversas funções interativas e a conteúdos de multimídia. Com respeito ao custo, os livros digitais custam, em média, entre 20 e 25% do preço dos livros físicos. Por outro lado, para o autor/editor, a publicação de um livro digital é extremamente mais simples e barata quando comparada com a edição de um livro físico.

            A única coisa que falta é a respectiva secretaria de ensino, municipal ou estadual, sentar na mesa com os autores/editores para acertar os detalhes de um programa piloto, algo perfeitamente viável para um negócio em que todos lucram, inclusive a natureza.

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